Reféns do sono: o perigo oculto dos remédios para dormir

Entre noites em claro e comprimidos, muitos enfrentam uma dependência silenciosa, enquanto dores da alma permanecem sem tratamento

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Depois de um dia cheio de trabalho e compromissos, nada é melhor do que se deitar e dormir. O sono é uma necessidade natural do corpo, fundamental para repor as energias, recuperar o organismo e manter a saúde em equilíbrio. Quando ele não vem, as consequências podem ser sérias, como cansaço, irritabilidade, falta de apetite, tensão muscular e ansiedade.

Mas a verdade é que muitas pessoas têm encontrado dificuldade para adormecer. São noites seguidas olhando para o teto, no escuro, enquanto as horas passam devagar até o amanhecer. Esse desgaste já se tornou uma questão importante de saúde pública. E, na tentativa de voltar a descansar, os medicamentos entram em cena.

Com você também é assim?

Segundo o neurologista do Hospital Moriah, Cássio Lacerda, especialista em distúrbios do sono, a soma de diferentes fatores tem agravado o problema, como:

  • Pressões do dia a dia
  • Excesso de conexão constante com a tecnologia
  • Jornadas de trabalho que avançam pela noite
  • Menos horas de descanso

“Vivemos uma rotina cada vez mais acelerada, com excesso de telas, estresse, ansiedade e horários irregulares. Tudo isso interfere diretamente no sono”, explica.

Esses comportamentos se refletem no consumo de medicamentos para dormir. Entre 2021 e 2024, foram registradas cerca de
substância utilizada para induzir o sono, segundo a empresa de inteligência de dados Timelens.

O número evidencia a busca por soluções imediatas. Segundo o médico, “o remédio acaba sendo visto como a forma mais fácil de desligar a mente. Além disso, há pouca informação sobre tratamentos não medicamentosos, como a higiene do sono”. Veja como fazê-lo na pág. 19.

Os efeitos do uso prolongado

E não é apenas o zolpidem que tem sido procurado para dormir. Alguns medicamentos usados para induzir o sono (os chamados “calmantes”) pertencem a outras classes, como os antidepressivos (indicados para ansiedade e depressão) e os benzodiazepínicos (como clonazepam e diazepam, prescritos para certos transtornos), que reduzem a atividade cerebral e provocam sedação.

Na tentativa de dormir a qualquer custo, muitas pessoas passam a utilizá-los de forma contínua. Com o tempo, o corpo se acostuma com a dose e exige quantidades maiores para produzir o mesmo efeito. Entre os principais impactos do uso, estão:

  • Sonolência diurna (sensação de estar “dopado”)

  • Perda de memória

  • Tonturas

  • Confusão mental e alucinações

  • Dor de cabeça e náuseas

  • Alterações na pressão arterial

  • Maior risco de comprometimento cognitivoos

Mas, por trás da insônia, há uma raiz 

A insônia e os distúrbios do sono costumam ser tratados apenas como um problema físico ou mental. Mas a questão é mais profunda: Preocupações, traumas, medos e angústias alimentam esse quadro. Na maioria das vezes, não é só o sono que falta, mas a paz interior.
É nesse ponto que a dependência começa a se formar. Sem alívio duradouro, a pessoa passa a depositar no medicamento a esperança de silenciar a mente e a dor. É assim que, aos poucos, o comprimido deixa de ser um recurso e se torna uma necessidade, até virar um vício.

O que está por trás dessa dependência?

Na Bíblia Sagrada com as Anotações de Fé do Bispo Edir Macedo, ele explica: “(…) o vício, seja qual for, tem origem na fraqueza espiritual e emocional do ser humano. Aproveitando-se disso, os espíritos malignos influenciam a mente da pessoa de tal forma que ela se torna uma prisioneira do mal”.

Assim, quando há influência espiritual negativa, a pessoa passa a se sujeitar a ideias que parecem naturais, acreditando que precisa daquela substância. Com o tempo, ela perde o domínio sobre suas escolhas, enquanto esse espírito vai ganhando espaço.

No caso dos remédios para dormir, o desafio é ainda mais delicado, porque essa dependência costuma ser:

  • Silenciosa (não chama atenção no início)
  • Progressiva (aos poucos se intensifica)
  • Socialmente aceita (vista como algo normal)

Por isso, muitas pessoas têm dificuldade de reconhecer que também estão presas a esse ciclo (veja como isso ocorre na ilustração abaixo).

 

Antes de recorrer ao próximo comprimido, que tal fazer a higiene do sono?

  • Mantenha horários regulares: Vá para a cama e acorde sempre no mesmo horário, inclusive nos finais de semana.
  • Desconecte-se: Evite o uso de telas por pelo menos 30 a 60 minutos antes de dormir. A luz azul inibe a produção de melatonina, o hormônio responsável pelo sono.
  • Reduza os estimulantes: Evite o consumo de cafeína (café, chás, refrigerantes e chocolate), especialmente no período da noite.
  • Evite refeições pesadas: Prefira um lanche leve antes de se deitar. Alimentos gordurosos ou muito condimentados podem causar desconforto e refluxo.
  • Cuide do ambiente: Mantenha o quarto escuro, silencioso e com uma temperatura agradável para favorecer o descanso.
  • Acalme a mente: Antes de dormir, tome um banho morno, leia um livro leve e edificante e, principalmente, medite na Palavra de Deus.

Como não precisar mais de remédios para dormir?

O primeiro passo é compreender que a raiz de muitas dores que levam à insônia, como depressão, ansiedade e pânico, vai além do aspecto físico ou emocional. Trata-se de uma batalha espiritual.

O segundo passo é reconhecer a dependência do remédio e buscar a libertação dele. Segundo o Bispo Macedo, “a maneira mais eficaz de vencer o vício é por meio da fé no Senhor Jesus. Com a força d’Ele, toda tentação pode ser vencida”. Na prática, esse caminho exige:

  • Depender de Deus para vencer o que aflige a alma
  • Buscar n’Ele a cura interior
  • Confiar na Palavra d’Ele e colocá-la em prática
  • Perseverar na fé, mesmo diante das dificuldades

Esse processo se fortalece por meio da oração e do jejum, e também pelo abandono da velha vida, que começa com o arrependimento. Nesse sentido, é essencial romper com tudo o que alimenta o sofrimento, como:

  • Mágoas
  • Traumas
  • Culpas
  • Pensamentos destrutivos

Assim, a presença de Deus passa a trazer a verdadeira paz, inclusive na hora de dormir.

“Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança”
(Salmos 4:8).

“Passei a tomar oito comprimidos por dia”

Vida interrompida

Até 2019, minha vida seguia normal. Naquele ano, tudo mudou. Deitei para dormir e, minutos depois, acordei em um surto, com desejo de tirar a própria vida. A partir desse dia, nunca mais consegui dormir.

Rapidamente me tornei outra Silvia: tristeza constante, corpo tremendo e medo de tudo. À noite, pensamentos ruins me invadiam e, quando dormia, era atormentada por pesadelos. Foi então que procurei ajuda médica.

Alívio enganoso

No início, acreditei que a medicação estava me ajudando. Com o tempo, porém, percebi que ela não tratava a raiz do problema; apenas me deixava dopada. O sofrimento continuava, silencioso, enquanto a dosagem aumentava. Passei a tomar oito comprimidos por dia. Foram anos vivendo presa a essa dependência, sem encontrar, de fato, a solução.

Refém do medo

Continuei trabalhando em home office, mas era evidente que eu não estava bem. Emagreci muito, e o medo de ficar sozinha passou a afetar também o meu marido: eu ligava constantemente para ele, precisando ouvi-lo até que as crises de pânico passassem.

Passei a depender dos remédios para tudo. Minha memória e meu ânimo foram comprometidos. Eram tantas medicações que, em um exame de sangue, surgiu uma alteração hormonal preocupante, e o próprio laboratório entrou em contato. Foi ali que percebi que aquilo já não era normal.

A cura que precisava

Um ponto importante é que passei por tudo isso frequentando a igreja. Entrava sorrindo, mas por dentro estava destruída. Nem conseguia lembrar o que havia sido pregado.

Até que entendi: precisava levar a minha fé a sério e enfrentar não só a dependência dos remédios, mas os problemas da minha alma. Então, comecei a cuidar do meu interior. O primeiro passo foi o perdão. Eu carregava muita mágoa de algumas pessoas e decidi perdoá-las. Depois disso, intensifiquei a busca pelo Espírito Santo.

Nova vida

Abri mão da minha vontade para confiar em Deus. Então, em 2024, quando me entreguei por completo, recebi o Espírito Santo, e tudo mudou. A paz tomou conta do meu interior, junto com a certeza de que eu nunca mais estaria sozinha.

Desde então, não dependo de pessoas nem de medicamentos para viver ou dormir. Minha vida ganhou sentido, e hoje durmo em paz e sou verdadeiramente feliz.

Silvia de Oliveira da Silva, 55 anos, Operadora de telemarketing

Onde buscar ajuda?

Se você depende de remédios para dormir ou enfrenta dificuldades constantes para descansar, busque a solução com Deus. Nas reuniões de sexta-feira na Igreja Universal, você recebe orientação espiritual e exercita a fé para combater não apenas o problema do sono, mas também tudo aquilo que tem impedido você de descansar em paz.

É um momento dedicado à libertação, onde você pode vencer as causas profundas desse sofrimento e encontrar a verdadeira tranquilidade.

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Colaborador

Cinthia Cardoso / Foto: Imagens geradas por IA