Como você reage às notícias que recebe?
Veja como não ser manipulado pelo conteúdo em redes sociais e outras mídias
Os interesses por trás de notícias podem variar e ir muito além de prestar uma informação relevante para o grande público. Não é de hoje que a batalha pela audiência informativa está sujeita a critérios econômicos, políticos e ideológicos e os jornais talvez nem sempre contem a verdade em sua totalidade. Há diversos casos em que o conteúdo divulgado é impulsionado por uma antiga expressão jornalística, criada nas redações a partir da popularidade de tragédias e histórias de crimes: “Se sangra, vende”.
Negatividade: motor de consumo
Com a internet, essa máxima está sendo potencializada ainda mais. Segundo pesquisa divulgada pela revista britânica Nature em 2023, a negatividade é um dos grandes motores de consumo de notícias online. O estudo apontou que em manchetes de tamanho médio, cada palavra negativa adicional aumenta a taxa de cliques em 2,3%. Já as palavras positivas têm efeito contrário e reduzem as chances de cliques em cerca de 1%. Termos como “ruim”, “errado” e “terrível” foram os campeões de audiência, superando de longe variações com “lindo” ou “amor”, por exemplo.
Objetivos obscuros
Por outro lado, a proximidade com as eleições, a polarização política crescente e constante, presente em narrativas diversas, e a falta de obrigatoriedade de diploma de nível superior em Jornalismo, vigente desde 2009, podem estar contribuindo para que conteúdos sejam produzidos sem a devida responsabilização, pois qualquer um pode produzir notícia. O efeito imediato é o aumento intenso das fake news, produzidas até por inteligência artificial (IA) e espalhadas nas redes sociais, sem que as pessoas chequem se estão diante de um fato real ou apenas de conteúdo com objetivos obscuros.
Gestão de atenção
Karoline Kantovick, jornalista especializada em comunicação estratégica e assessora de imprensa que trabalha com construção de imagem, narrativa e visibilidade na mídia, diz que, hoje, não falta informação: “Falta capacidade de interpretação. O excesso de conteúdo cria uma falsa sensação de conhecimento, quando na verdade o consumo é cada vez mais superficial. Certos assuntos surgem com força, ocupam o espaço e são rapidamente substituídos antes de gerar aprofundamento. É uma dinâmica clara de gestão de atenção. A repetição e o enquadramento criam familiaridade e fazem a pessoa reagir sem questionar”, dispara.
Recorte organizado
Ela explica que muito do conteúdo que recebemos tem relação direta com a seleção, feita por alguns veículos, dos temas que ganharão destaque no noticiário. “Quem a define, controla o foco da atenção pública. É o poder de escolher quais assuntos entram em pauta. Muito do que está sendo divulgado obedece a interesses editorais, políticos ou ideológicos, bem mais do que as pessoas gostariam de admitir. Quando vemos uma notícia, há um processo de seleção e edição e toda comunicação carrega interesse, inclusive quando tenta parecer neutra. O público quase nunca recebe o fato bruto. Recebe um recorte organizado, enquadrado e interpretado”, observa.
Tentativa de direcionamento
Por isso, ela esclarece que informação de verdade precisa ter base factual, fonte confiável, possibilidade de checagem e contexto. “O que não passa por isso costuma ser opinião, interesse ou tentativa de direcionamento. Não é informação, é discurso. Por outro lado, a narrativa não é mentira, mas também não é o fato puro. É o recorte do fato com intenção. Informação é o dado em si, narrativa é a forma como alguém decide contar aquilo. Para perceber se faltam peças, basta observar se o tema é complexo e a explicação parece simples demais, ou se não há contraponto ou se tudo aponta para uma única interpretação”, ensina.
Educação midiática
Em um cenário em que o público consome narrativas acreditando que é informação, Karoline destaca que a educação midiática pode evitar a manipulação. “Pensamento crítico não é opcional, é proteção. Hoje, o maior risco não é a falta de informação, é a incapacidade de interpretá-la.
Quem não desenvolve senso crítico acaba terceirizando a própria opinião. Pare de consumir informação de forma passiva. Compare fontes, questione interesses e entenda que nem tudo que parece informativo é, de fato, informação”, conclui.
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