Não faça corpo mole

Como fazer além do mínimo para ter ascensão profissional?

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A produtividade é, sem dúvida, uma das principais exigências no mercado de trabalho atual, mas varia significativamente entre os países.

Enquanto o trabalhador brasileiro gera aproximadamente US$ 25 por hora, o norte-americano alcança US$ 97, quase quatro vezes mais, considerando o produto por hora trabalhada. Essa diferença coloca o Brasil em desvantagem, sobretudo se a baixa produtividade é associada à falta de comprometimento profissional e à expectativa de aumentos salariais ou promoções sem resultados compatíveis.

Valor gerado

Eduardo Machado, professor de gestão, liderança, equipes de alto desempenho e empreendedorismo no Centro Universitário UniArnaldo, em Belo Horizonte (MG), afirma que a comparação do Brasil com outros países precisa ser ponderada. “O valor gerado depende do tipo de produto.

Países que produzem bens de alta tecnologia naturalmente apresentam maior valor por hora do que aqueles focados em matérias-primas, como cereais, por exemplo. Em termos de volume de produção, o Brasil seria mais competitivo”, observa.

Demissão silenciosa

Por outro lado, o professor esclarece que a baixa produtividade relacionada à falta de vontade, o chamado “corpo mole”, segue alguns padrões. “A primeira coisa é a procrastinação. As pessoas ficam adiando tarefas e não assumindo a responsabilidade e o protagonismo nas suas atividades. O próprio funcionário percebe se antigamente tinha prazer em sair de casa para a empresa e hoje fica olhando se vai ter feriado ou não e pensando negativamente em relação ao trabalho. É um sinal de alerta muito forte da demissão silenciosa”, dispara.

Diferenças geracionais

Contudo, ele observa diferenças geracionais sobre o que causa a desmotivação. “Jovens profissionais da geração Z esperam promoções e benefícios rápidos em três a seis meses, o que raramente acontece. Geralmente, isso leva cerca de cinco anos. A falta de retorno imediato leva à alta rotatividade, com a busca por colecionar experiências em vez de focar em carreiras de longo prazo. Já profissionais mais maduros (geração Y e X) podem desengajar ao esgotar seu aprendizado na função, buscar transições de carreira ou se aproximar da aposentadoria”, aponta.

Ambiente intenso

Machado diz que alguns profissionais superestimam tarefas básicas, esperando grandes recompensas. “Essa expectativa pode ser influenciada pela crença exagerada no próprio impacto e por uma criação onde sempre foram elogiados e confortados, buscando o mesmo no ambiente profissional, um local que pode ser marcado por intensas interações sociais, nas quais a percepção de exclusão, como não ser convidado para reuniões ou não receber informações relevantes, gera sentimentos de ostracismo, paranoia, medo de demissão e até burnout, reduzindo o empenho profissional”, analisa.

Profissionais proativos

Para evitar a cilada do corpo mole, o professor aconselha avaliar e reconhecer se algo não está certo. “Não finja que está tudo bem. Lembre-se de que profissionais que entregam algo mais e vão além de suas atribuições são altamente valorizados pelo mercado. Em ambientes que incentivam, eles são promovidos; caso contrário, seu perfil diferenciado facilita a obtenção de melhores posições em outras organizações. O sucesso raramente é imediato e envolve muitos erros no caminho, mas o reconhecimento, em algum momento, acontecerá”, conclui.

 

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Colaborador

Eduardo Prestes / Foto: Andrii Iemelyanenko/ GETTY IMAGES / Arte: Gean França