Líder religioso é acusado de abusos contra menores em suas cerimônias espirituais

Acusações envolvem uso de substâncias durante cultos e atuação direta do casal responsável pela instituição

Imagem de capa - Líder religioso é acusado de abusos contra menores em suas cerimônias espirituais

Uma denúncia exibida pelo programa Domingo Espetacular, da Record TV, no último domingo (15), trouxe à tona relatos de vítimas que acusam um líder religioso de abusar de meninas e meninos que participavam de cerimônias da igreja Céu do Vale, vinculada à doutrina do Santo Daime. 

A igreja está localizada em Pindamonhangaba, cidade de onde são as vítimas. De acordo com a reportagem, aqueles que denunciaram os crimes tinham, à época, entre 12 e 17 anos. No entanto, somente cerca de 20 anos depois conseguiram formalizar as denúncias. 

Além disso, os relatos apontam que o dirigente religioso agia com o auxílio da esposa. De acordo com uma das vítimas, ela foi encaminhada à casa do casal para massagens no líder, onde os abusos aconteciam.

Quem são os investigados 

O líder religioso citado é Walter Dias Júnior, de 71 anos, formado em Ciências Sociais, pesquisador universitário e ex-professor em faculdades do Vale do Paraíba. Desde o ano 2000, ele e a esposa, Ana Maria Vieira, estavam à frente da igreja Céu do Vale. 

A instituição se vincula à ICEFLU, uma rede de igrejas do Santo Daime — doutrina religiosa que utiliza o chá da ayahuasca, conhecido por suas propriedades psicoativas.

Segundo as denúncias, os responsáveis pelos cultos distribuíam doses do chá não apenas para adultos, mas também para crianças e adolescentes. Além disso, há relatos de que eles incentivavam os fiéis a usar maconha durante as sessões.

Entre os denunciantes está o próprio neto do casal, que afirmou: “Minha avó era uma facilitadora, ela sempre observava para ninguém ver os abusos que aconteciam”, relatou. Ele acrescentou ainda que o ambiente da igreja era utilizado para contribuir com os crimes, já que o efeito do chá deixava as vítimas vulneráveis. 

Posicionamento dos envolvidos 

Uma nota divulgada pela assessoria do casal afirma que eles desconhecem o teor das denúncias e a existência de inquérito ou medida protetiva em favor do neto. 

Eles também ressaltaram que nunca receberam ofício ou intimação para prestar esclarecimentos. Por isso, alegam não ter como se pronunciar sobre acusações que, segundo afirmam, desconhecem. 

Em mensagem aos fiéis, Walter disse que se afastou da liderança até que o caso seja esclarecido. Já a irmandade da igreja Céu do Vale afirmou que os citados não fazem mais parte da comunidade nem exercem funções na instituição.

Assista à reportagem completa:

 

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Colaborador

Sabrina Rodrigues / Foto: iStock