Pessoas desaparecidas: um desafio que cresce a cada ano no Brasil
Dados recentes mostram aumento nos registros e apontam a necessidade de fortalecer políticas públicas, tecnologia e integração nas buscas
O desaparecimento de pessoas faz parte do cotidiano de cidades em todo o mundo, inclusive no Brasil. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), no ano passado o País registrou 84.760 casos de desaparecimento, o que representa uma média de 232 ocorrências por dia.
O número é 4,1% maior do que o registrado ao longo de 2024 e representa um recorde histórico. A maior parte das ocorrências foi registrada no estado de São Paulo, com cerca de 20 mil casos, seguido por Minas Gerais, com aproximadamente 9 mil, e pelo Rio Grande do Sul, que contabilizou em torno de 7 mil pessoas desaparecidas.
O que está por trás do desaparecimento?
São muitos os fatores relacionados ao sumiço de uma pessoa. “Entre crianças e adolescentes, são comuns casos ligados a conflitos familiares, fuga do ambiente doméstico, aliciamento pela internet ou exploração sexual. Entre adultos, podem estar relacionados a crises pessoais, problemas financeiros, saúde mental, violência doméstica, envolvimento com atividades ilícitas ou, em situações mais graves, crimes como homicídio ou sequestro”, explica a diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, Raquel Gallinati.
A especialista acredita que o elevado número de registros também evidencia maior conscientização da população e aprimoramento dos mecanismos de notificação. “Contudo, demonstra igualmente a necessidade de políticas públicas estruturadas, integração entre órgãos de segurança e investimento contínuo em tecnologia e inteligência investigativa”, complementa.
Corrida contra o tempo
Muita gente ainda acredita que é preciso aguardar 24 horas para registrar o desaparecimento, mas isso não é verdade. Não existe um prazo mínimo estabelecido pelas autoridades para comunicar o sumiço, inclusive as primeiras horas são consideradas decisivas.
“Ao comunicar as autoridades, é fundamental fornecer o máximo de informações possíveis: descrição física, roupas usadas, fotografias recentes, contatos e locais que a pessoa costuma frequentar. Também é importante informar eventuais condições de saúde ou vulnerabilidades que possam orientar as buscas”.
De acordo com Gallinati, a investigação começa assim que o desaparecimento é registrado. Além das informações fornecidas pelos familiares, a polícia pode analisar imagens de câmeras, rastrear celulares e verificar possíveis movimentações bancárias. Também são feitas consultas em bancos de dados. “Dependendo do caso, equipes especializadas podem ser acionadas, assim como redes de cooperação entre estados e até com outros países”, complementa.
Todos podem ajudar
A sociedade pode contribuir divulgando informações oficiais e comunicando às autoridades qualquer informação relevante. Muitas localizações ocorrem graças a denúncias ou relatos de cidadãos que reconheceram alguém a partir de imagens divulgadas.
Raquel Gallinati, diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil
Pessoas localizadas
O número de pessoas localizadas após serem dadas como desaparecidas tem apresentado crescimento nos últimos anos. Em 2020, mais de 37 mil pessoas foram encontradas. Já em 2025, esse total chegou a 56.688, um aumento de 51% no período. Esse avanço pode estar relacionado tanto ao aumento dos registros de desaparecimento quanto ao aprimoramento das estratégias de busca e ao uso cada vez maior de tecnologias nas investigações.
“O uso de bancos de DNA, reconhecimento facial, monitoramento de redes sociais e ferramentas de inteligência digital amplia significativamente a capacidade de localizar desaparecidos ou identificar vítimas. A interoperabilidade entre bases de dados é um fator decisivo para o sucesso das investigações”, conclui Gallinati.
Diante desse cenário, o enfrentamento ao desaparecimento de pessoas exige investimento contínuo do Estado em políticas públicas, tecnologia e integração entre os órgãos de segurança. Fortalecer as estruturas de busca e investigação é essencial para ampliar as chances de localização e dar respostas às famílias que vivem a angústia da incerteza.
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