Casos relacionados à violência contra mulheres crescem no Brasil

Quais são as causas, os sinais e as medidas a serem tomadas. Saiba mais

Imagem de capa - Casos relacionados à violência contra mulheres crescem no Brasil

Casos relacionados à violência contra mulheres cresceram no Brasil e bateram um recorde que nenhum país se orgulharia de ter.

Em 2025 foram registrados oficialmente 1.470 feminicídios, número que superou o do ano anterior, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Isso resulta em uma média preocupante de quatro mulheres mortas por dia. Além disso, dados do Conselho Nacional de Justiça revelam que mais de 870 mil pedidos por medidas protetivas foram feitos ano passado.

Entretanto, nem sempre as medidas protetivas previnem novos ataques ou garantem tranquilidade às vítimas. Assim como as agressões físicas e psicológicas, por exemplo, o descumprimento das medidas é um sinal que, se não enfrentado com rapidez e articulação, muitas vezes, precede o feminicídio. O que vem se comprovando nos noticiários dos primeiros meses de 2026. A saber, apenas em janeiro deste ano, o Judiciário brasileiro registrou 947 novos casos de feminicídio. O número é 3,49% superior ao de janeiro do ano passado.

Vale ressaltar aqui que este cenário destaca uma vulnerabilidade contínua das mulheres. E o mais alarmante, na maioria dos casos, é que geralmente isso acontece em relacionamentos e ambientes considerados seguros. O que reforça a necessidade urgente, de toda a sociedade, de monitorar e, sobretudo, combater a violência doméstica efetivamente.

Sinais, causas e medidas

O ideal é que todos, desde amigos, familiares, vizinhos e colegas de trabalho, até mesmo as próprias mulheres, saibam reconhecer os sinais de alerta para um caso de violência doméstica. Muitas pessoas convivem por tanto tempo com comportamentos abusivos que acabam achando normal o que não é. Por isso, identificar a violência nem sempre é uma atitude tão simples.

Em recente entrevista ao programa The Love School – A Escola Amor, a delegada Adriana Liporoni, Secretária de Políticas para a Mulher do Estado de São Paulo, explicou como as mulheres devem agir diante da violência doméstica.

Ela discutiu o aumento dos casos no Brasil e destacou que muitas mulheres confundem ciúmes excessivos com amor ou cuidado devido ao envolvimento emocional. Essa confusão pode levar à perda gradual da identidade pessoal das vítimas. Além disso, há uma tendência observada entre agressores masculinos que vivenciaram ou testemunharam violência na infância a reproduzirem esse comportamento na vida adulta.

Assista à entrevista na íntegra:

Em seguida, os professores Renato e Cristiane Cardoso pontuaram:

  • “As pessoas, hoje, muitas vezes, toleram abuso porque já sofreram dentro de casa. Tudo o que elas conheceram na vida foi abuso. Elas não sabem o que é ser inteira, só sabem o que é ser quebrada. Por isso que a pessoa quebrada, normalmente, aceita e até atrai a outra pessoa quebrada. Ela nunca viu alguém inteiro. Então, famílias estão quebradas. Mas alguém tem que fazer parte da solução”, observou Renato.
  • “Vemos que são pessoas quebradas, por exemplo, quando alguém aceita entrar num relacionamento com uma outra pessoa que a trata mal. Isso já é um sinal terrível. Também mostra o quanto aquela pessoa que está insistindo num relacionamento com uma outra pessoa quebrada, também está quebrada. Uma se sujeita a qualquer coisa, a outra se aproveita. E os dois precisam de cura, os dois precisam de ajuda. E você não vai ajudar escondendo, não deixando ninguém saber o que está passando”, comentou Cristiane.
  • “É muito importante você ter consciência de que precisa priorizar a sua segurança, o seu bem-estar. Em uma situação de vulnerabilidade, buscar ajuda, especialmente em pessoas da família, amigos, que podem te apoiar. Se você não está se sentindo em condições de tomar atitudes sozinhas, precisa buscar esse apoio”, disse Renato.

Como buscar ajuda e denunciar casos de violência doméstica

Para prevenir situações extremas de violência doméstica é crucial reconhecer os primeiros sinais. Ao perceber essa situação é fundamental buscar apoio de pessoas próximas ou recorrer à rede de atendimento especializada em violência contra a mulher.

Os serviços disponíveis são:

Ligue 180, delegacias especializadas, Casas da Mulher Brasileira, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram), Ministério Público, Defensoria Pública e Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

imagem do author
Colaborador

Redação / Foto: iStock