“Eu sou um milagre”

Avanira Aldeia relembra os dias em que perdeu os movimentos do corpo e quando contrariou as previsões médicas ao ser diagnosticada com a síndrome de Guillain-Barré

Imagem de capa - “Eu sou um milagre”

Em maio de 2015, a cozinheira Avanira Aldeia, hoje com 51 anos, começou a sentir fortes dores de cabeça e no corpo, além de febre. Ela acreditou que fossem sintomas de gripe e supôs que uma noite de sono resolveria o problema. No entanto ela acordou no dia seguinte com dores intensas no pescoço que irradiavam para o braço.

Avanira, então, dirigiu-se ao hospital, colocou um colete cervical e uma tipoia no braço e foi liberada. Em casa, porém, o mal-estar persistiu, com dores nas pernas, acompanhadas de uma intensa sensação de fraqueza. Por conta disso, no dia seguinte, ela decidiu retornar ao hospital.

Depois da realização de exames de sangue, ela foi diagnosticada com dengue e permaneceu internada para observação por um dia. Em seguida, ela recebeu alta e continuou a recuperação em casa.

De mal a pior

Seu estado de saúde, porém, piorou. As dores se intensificaram e, certo dia, ao acordar, ela percebeu que estava com uma dormência nas pernas tão forte que tinha a sensação de carregar blocos de cimento nos pés. Inconformada com o diagnóstico, ela voltou à emergência e relata o que viveu: “Eu disse que só sairia de lá quando descobrissem o que eu tinha. Cheguei às 9 da manhã e saí às 11 da noite para ser internada em outro hospital. Eu já não andava mais e não sentia nada da cintura para baixo. Fiquei nove dias nesse hospital. Eu não comia e só ingeria líquidos. Eu não conseguia ir ao banheiro e só urinava se ficasse em pé. Caí três vezes. Pensavam que eu tinha tido um derrame. Ninguém sabia o que eu tinha. A dor de cabeça era tão forte que só passava com morfina”.

Posteriormente, ela foi transferida para outro hospital e seu quadro se agravou rapidamente. Ela já não conseguia falar nem andar, não sentia mais as pernas, não se alimentava e não conseguia nem sequer realizar suas necessidades fisiológicas. Sua barriga ficou inchada e seu estado de saúde piorava dia a dia. Ela revela como estava nessa fase: “Eu já não sentia mais os braços. Perdi todos os movimentos do corpo do pescoço para baixo. Passei a me alimentar por canudinho”.

Em seguida, novos exames foram realizados. Os médicos retiraram um líquido da coluna de Avanira e, então, descobriram que ela estava com síndrome de Guillain-Barré. Ela permaneceu 19 dias internada, período em que, segundo ela, os médicos davam a ela apenas notícias negativas e diziam que não havia mais solução para o seu caso.

Síndrome de Guillain-Barré (SGB)

Trata-se de uma doença autoimune rara em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, geralmente após uma infecção, especialmente por Campylobacter jejuni (diarreia), além de zika, dengue, chikungunya, influenza, HIV e outros.

Os sintomas têm início, em geral, com dormência, formigamento ou queimação nos pés e pernas, evoluindo para fraqueza muscular ascendente, redução ou ausência de reflexos, dor neuropática e, em casos graves, paralisia e comprometimento respiratório, o que pode levar à morte. O diagnóstico é feito por avaliação clínica associada à análise do líquido cefalorraquidiano (líquor) e exames eletrofisiológicos.

O tratamento, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), é feito principalmente na fase aguda. Também são necessários suporte hospitalar e reabilitação. Após a fase aguda, não há tratamento contínuo e o foco é a reabilitação e o manejo de sequelas, pois a recuperação é lenta e pode levar meses ou anos, com possível fraqueza residual.

Fonte: Ministério da Saúde.

Tratamento da fé

A família e os médicos evitaram falar do diagnóstico com ela, mas, ao ouvir que se tratava de Guillain-Barré, ela acreditou que nunca mais andaria. Mesmo sem conseguir falar ou se mover, ela afirma que falava com Deus em pensamento, pois não aceitava aquela situação.

Seu esposo, o pintor Adilson Manoel Aldeia Neto, hoje com 55 anos, com quem é casada há 32 anos, levou ao hospital a água do tratamento da fé, que ele apresentava em oração na Universal aos domingos, e determinava a cura dela. Ele permaneceu três dias inteiros no hospital, dedicado a orar por ela, e não saiu nem para tomar banho.

Avanira destaca que o momento mais difícil para ela foi quando não conseguiu respirar e, por isso, acreditou que morreria. Ainda assim, certa noite, ela se revoltou e pensou: “Eu vou sair daqui viva e andando, para a glória de Deus.” O quadro de saúde dela era preocupante: Avanira usava fraldas, sonda e permanecia deitada o tempo todo. Como se não bastasse, sentia dores intensas, suava excessivamente e não conseguia falar.

Certo dia, ouviu as irmãs questionarem o médico sobre seu estado de saúde e a resposta dele provocou uma reação decisiva nela. Ele disse que ela precisaria tomar uma medicação mais forte e que seria levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Quando seu marido chegou, ela pediu para ficar em pé. Mesmo com receio, ele a ajudou e segurou o suporte do soro. Com o apoio do esposo, Avanira conseguiu se levantar. Ao presenciar a cena, o médico perguntou como ela já conseguia ficar de pé. No dia seguinte, ela deu os primeiros passos.

Para surpresa dos médicos, Deus fez o sobrenatural acontecer. Ela define aquele período como o seu Getsêmani, referindo-se ao episódio que o Senhor Jesus viveu antes da crucificação.

Apenas três meses

Avanira pediu alta médica, apesar de os médicos não concordarem com ela, pois acreditava que, em seu lar, sua recuperação seria mais rápida. Era quase meia-noite quando, ainda caminhando com passos curtos, retornou para a sua casa.

Em menos de três meses, ela já andava normalmente e afirma que Jesus a curou completamente. Os próprios médicos reconhecem o que aconteceu com ela como um milagre. Avanira compartilha como enxerga o que passou: “Deus me deu uma nova chance. Muitas pessoas que enfrentam essa doença morrem ou levam anos para se recuperar. Eu estou totalmente curada, graças a Deus. Eu sou um milagre”.

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Colaborador

Redação / Fotos: Ozair Júnior, CreVis2/gettyimages e CreVis2/gettyimages