CRISTÃO PODE PARTICIPAR DO NATAL?
O cristão não vive refém de tradições, mas guiado pelo entendimento do que agrada a Deus
Nesta época do ano, é muito comum surgirem dúvidas, especialmente entre aqueles que são novos na fé ou que ainda não tiveram plena clareza sobre o que realmente diferencia quem vive a fé do puro evangelho de quem apenas segue costumes religiosos. Afinal, o que o cristão pode ou não pode fazer? Participar do Natal é pecado? Reunir-se com a família é errado? Colocar árvore, fazer ceia, trocar presentes… onde está o limite?
Essas perguntas não são novas. Pelo contrário, elas acompanham o cristão durante toda a sua caminhada, porque, ao nascer de novo, ele entra em um novo Reino — o Reino de Deus — embora continue fisicamente inserido em uma sociedade cheia de tradições, festas e costumes.
Lei, disciplina e propósito
Para entender isso, precisamos olhar a Bíblia com maturidade e, sobretudo, compreender o espírito da Palavra. Quando Deus tirou o povo de Israel do Egito, aquele povo não conhecia leis. Viveu mais de 400 anos como escravo, conhecendo apenas a lei do chicote. Por isso, ao conduzi-los ao Monte Sinai, Deus lhes deu leis claras e detalhadas.
Essas leis tinham um propósito: educar, disciplinar e formar uma nação. Não existe disciplina sem lei, assim como não existe nação sem regras. Por isso, vemos no Antigo Testamento orientações até minuciosas sobre alimentação, higiene, vestimenta e convivência social. Tudo isso era necessário naquele momento.
No entanto, com o passar do tempo, aquilo que era para libertar passou a oprimir.
Quando a letra mata e o espírito liberta
Nos dias do Senhor Jesus, a lei havia se transformado em legalismo. Os religiosos haviam feito das leis fardos pesados, cheios de tradições vazias, praticadas apenas externamente. Por dentro, porém, o coração estava longe de Deus.
Jesus confrontou isso com firmeza. Ele curava no sábado para mostrar que a vida vale mais do que a letra da lei. Ele se sentava com pecadores para revelar que misericórdia é mais importante do que aparência religiosa. Enquanto os fariseus se preocupavam com rituais, Jesus se aproximava de quem mais precisava.
Ele não veio revogar a lei, mas cumpri-la — e, principalmente, resgatar o seu verdadeiro espírito.
Tradições que mudam, princípios que permanecem
Na igreja primitiva, essa discussão voltou à tona. Os cristãos precisavam decidir: devemos continuar guardando o sábado literal? Circuncidar? Manter as antigas tradições? A resposta, guiada pelo Espírito Santo, foi clara: não mais pela letra, mas pelo espírito.
A circuncisão deixou de ser na carne e passou a ser no coração. O descanso deixou de ser um dia específico e passou a ser um princípio. O importante não é o ritual, mas o significado por trás dele.
E isso nos leva, finalmente, à pergunta central.
Afinal, o cristão deve comemorar o Natal?
Se formos bíblicos e honestos, a resposta é simples: o Natal não é uma festa bíblica. Ele tem origem pagã e, ao longo da história, misturou conceitos cristãos com práticas que não vêm da Palavra de Deus. Portanto, não é uma celebração que o cristão deva adotar como prática religiosa.
Isso significa que o cristão não pode se reunir com a família? Reunir-se com a família não é pecado — pelo contrário, é algo desejável todos os dias do ano. O problema não está na reunião, mas no significado que se dá a ela.
Colocar árvore de Natal, exaltar Papai Noel, trocar presentes por tradição religiosa — isso, sim, carrega símbolos que não condizem com a fé cristã.
Posicionamento sem fanatismo
E quando a festa acontece na empresa? O cristão deve ter equilíbrio e inteligência espiritual. Se estiver ali por questão profissional, pode aproveitar a oportunidade para dar bom testemunho e, se houver espaço, até falar de Deus. O apóstolo Paulo fazia exatamente isso: usava a cultura do povo para anunciar a Verdade, sem se misturar com a idolatria.
Por outro lado, se aquele ambiente fere sua consciência, você tem todo o direito de se retirar. Ninguém é obrigado a participar. O que não pode é viver em dúvida, culpa ou condenação.
Como Paulo ensinou: “Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente”.
O que realmente importa
O cristão não deve usar a Palavra de Deus para justificar seus próprios desejos, gostos ou vontades. Jesus não fez isso. Paulo não fez isso. A fé madura vive em paz, com consciência limpa, sem impor fardos aos outros e sem se prender a tradições vazias.
No fim das contas, o mais importante é viver o espírito da Palavra — com amor, equilíbrio e bom testemunho — e não apenas seguir a letra ou os costumes que o mundo pratica.
Essa é a fé que agrada a Deus. Por isso, neste vídeo, explicamos com base bíblica por que Deus instituiu leis e regras ao Seu povo desde o início, como os Dez Mandamentos, e como, com o passar do tempo, essas leis acabaram sendo transformadas em um legalismo religioso.
Assista até o final e reflita.
Comente sua opinião: você acha que é pecado o cristão participar do Natal?
Bispo Renato Cardoso
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