WhatsApp quer compartilhar dados do usuário com empresas

Mudanças na política de privacidade geram procura por outros aplicativos de conversa 

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O aplicativo de mensagens WhatsApp anunciou, recentemente, sua nova política de privacidade. A partir de 8 de fevereiro, o usuário seria obrigado a compartilhar dados pessoais com o Facebook, dono do aplicativo desde 2014, que o compartilhará com empresas com interesses comerciais.

Os que não concordarem com a nova regra seriam “convidados” a desativar a conta. Diante da reação negativa no mundo todo, o app adiou o prazo para 15 de maio, para “dar mais tempo para que o usuário entenda melhor as novas condições de uso”, divulgou em um comunicado aberto. No mundo todo, internautas buscam aplicativos alternativos, como o Telegram e o Signal.

O WhatsApp, segundo a pesquisa independente Panorama Mobiletime, tem mais de dois bilhões de usuários no mundo – 130 milhões no Brasil, onde 99% dos donos de smartphones o usam. O Telegram tem 30% de adeptos no País, mas o número de usuários aumentou bastante depois do anúncio do WhatsApp e foi baixado quase 30 milhões de vezes no mundo só na primeira quinzena de janeiro. O Signal conquistou mais 9 milhões de usuários desde o anúncio e lidera a lista dos mais baixados na Play Store (loja de apps do Google) no Brasil.

O que estaria por trás dessa mudança?
Antes de tudo, dinheiro. A intenção é liberar os dados para empresas sondarem clientes e realizarem vendas pelo app – claro, com comissões para o WhatsApp. Atualmente, pelo menos oficialmente, o aplicativo não “lê” as mensagens trocadas por meio dele, já que o conteúdo é criptografado (protegido por códigos) de ponta a ponta.

Com a nova política, o WhatsApp poderá disponibilizar oficialmente ao Facebook e suas empresas-clientes informações do usuário como número de telefone, endereço de IP (número de identificação do aparelho), informações sobre o dispositivo (modelo, nível da bateria, intensidade do sinal, versão do aplicativo, informações do navegador, rede móvel), dados de transações e pagamentos, relatórios e registros de desempenho e informações sobre como a pessoa interage com outras, incluindo empresas (tempo, frequência e duração das conversas).

Ou seja, o WhatsApp pode saber mais de sua vida do que você mesmo – e passar tudo para frente. No aviso aos usuários, o app informa que “mesmo se você não utiliza nossos recursos relacionados à localização, usamos endereços IP e outros dados como códigos de área de número de telefone para calcular sua localização geral”. Ou seja: não haverá como “fugir” do monitoramento.

Tanto o Telegram quanto o Signal já divulgavam que garantem a privacidade dos usuários antes do anúncio do WhatsApp. Depois dele, reforçaram essa alegação. O primeiro exige de quem o usa o número de telefone, nome e lista de contatos. O segundo, só o número de telefone – até adicionar o nome é opcional. Por enquanto, nenhum se pronunciou sobre disponiblizar os dados para empresas. Cabe aos usuários, agora, decidirem qual a melhor opção. Claro, é preciso que os contatos dos usuários também estejam no mesmo app para que possam conversar.

A propósito, o WhatsApp já compartilha os dados dos usuários com o Facebook desde 2016. Só que agora poderá compartilhá-los com empresas que queiram mais clientes. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) faz investigações para tentar, se for o caso, reverter a situação com a ajuda da lei. Órgãos similares de outros países já se pronunciaram com o mesmo posicionamento.

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Redação / Foto: Getty Images