Você se sente paralisado pelo medo?

Diante do cenário atual, esse sentimento tem aprisionado muita gente, mas é preciso enfrentá-lo. Algumas histórias nos ensinam a forma mais eficiente de colocá-lo no lugar certo. Confira

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Tanto o lockdown como o distanciamento social – termos aprendidos com a pandemia do novo coronavírus – foram “fichinha” diante do medo que enclausurou – e ainda tem enclausurado – muitas pessoas. Não faltam especialistas alertando quanto a esse inimigo comum nem noticiários que retratam o pavor diante da ameaça de ficar desempregado e da possibilidade de perda de um ente querido ou até da própria vida.

A verdade é que o medo assusta muito antes do “novo normal”. Ele é simplesmente um velho conhecido. Com ou sem pandemia, esse sentimento faz muitas pessoas reféns dos problemas e, inclusive, se achando incapazes de concretizarem seus projetos, mesmo aquelas cercadas de diplomas.

Quando esse sentimento surge de forma sutil, ele até expressa cuidado. Mas é aí que ele pode ser confundido, como tem acontecido com muitos cristãos. Por causa da pandemia, por exemplo, muitos têm se deixado dominar pelo medo e, com isso, decretaram lockdown na própria Fé. Mesmo com todas as precauções sanitárias adotadas nas Igrejas para a contenção do novo coronavírus, muitos têm se mostrado indiferentes à vida espiritual e não retornaram para a Igreja, o que leva cada vez mais ao esfriamento da Fé e a outras consequências nocivas. Enquanto isso, poucos percebem que a própria Fé está sendo provada, como foi dado o alerta: “Examinaivos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos.” (2 Coríntios 13.5).

Afinal, o que é o medo?
Na verdade, esse sentimento faz parte de uma reação natural do ser humano, como aponta a psicóloga Cristina Calvi: “é uma reação a uma situação de perigo (real ou imaginário), cuja função é preparar o sujeito para uma possível luta ou fuga”.

O problema é que o medo pode culminar em uma fuga eterna. “Quando o medo ultrapassa os limites, ele pode paralisar e impedir a pessoa de avançar em todas as áreas da vida”, afirma a psicóloga. E ele ainda pode resultar em consequências graves para a saúde. “Ele pode prejudicar a formação de memórias a longo prazo e trazer danos a partes do cérebro. Além disso, medos e fobias têm relação direta com a ansiedade, que dificulta o controle sobre a razão e a emoção”, argumenta Cristina.

“Como vou sobreviver?”
De fato, só quando a pessoa enfrenta o medo é que ela consegue avançar, como aconteceu com a empresária Michele Camargo, de 38 anos (foto a esq.). Ela cresceu aprendendo que, para se manter, era preciso trabalhar. “Nunca me ensinaram sobre ter o próprio negócio ou uma profissão, mas a trabalhar e garantir um salário fixo. Então, eu pensava: ‘se eu perder esse salário, como vou sobreviver e pagar minhas contas?’”, recorda.

Do interior de Minas Gerais, Michele se mudou para São Paulo depois que conheceu o marido, o empresário Wagner Camargo. “Arrumei um emprego de operadora de telemarketing enquanto meu esposo empreendia. Às vezes, conversávamos sobre empreender, mas eu dizia que aquilo não era para mim, que eu tinha salário todo mês, FGTS e seguro-desemprego”, diz.

Michele conta que naquela época não era reconhecida no seu emprego. “Meu esposo já frequentava as palestras na Universal voltadas à vida financeira, mas eu ficava com o pé atrás.” Até que uma ocorrência no trabalho fez Michele ter uma nova visão: “me vi no limite. Cheguei em casa e falei que não gostaria mais de trabalhar para ninguém. Comecei a ir às palestras com ele e surgiu a ideia de fazer um curso de estética. Me matriculei e, após algumas semanas, a empresa me demitiu.”

Ela tinha medo de trocar o certo pelo duvidoso. Por causa desse sentimento, ela não conseguia enxergar novas possibilidades. Só quando perdeu de fato o emprego que lhe dava segurança é que ela conseguiu enfrentar o que sentia. Com o seu “novo normal” também estava a Fé, que a preparou para enfrentar a nova situação. “Não tinha como investir em um espaço, então, eu atendia em domicílio. Depois, conseguimos alugar uma sala, até que abrimos uma clínica de estética em um prédio comercial.”

Por meio da Fé, Michele e Wagner conseguiram, aos poucos, estabelecer uma clínica bem estruturada e, atualmente, constroem a casa que sempre sonharam e desfrutam de uma vida de qualidade. Segundo Michele, o medo foi lançado fora. “Mesmo com a pandemia, o medo veio. A diferença é que não nos deixamos abater e fizemos da situação uma escada para crescermos”, conclui a empresária, que cursa biomedicina e frequenta a Universal há 11 anos.

“Dentro de mim havia uma briga”
A preocupação de como honrar os compromissos é evidente na vida de muitos brasileiros. Segundo uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o medo da população de não ter dinheiro para pagar as contas é maior do que o de perder o emprego. Por muito tempo, esse medo também fez parte da vida do empresário e consultor de tecnologia Rodrigo Conrado, de 38 anos (foto abaixo).

Ele lembra que já na infância sua vida era limitada. “Eu evitava até pedir um chinelo novo”, expõe Rodrigo, que conheceu a Universal na adolescência, por meio de sua mãe. Aos 12 anos, ele perdeu o pai. Aos 13, decidiu procurar emprego para ajudar em casa. “Consegui meu primeiro emprego como técnico de informática e, no dia a dia, os profissionais da empresa tiravam dúvidas comigo sobre tudo”, menciona. Ele ainda compartilha que, no período de um ano, teve cinco aumentos de salário. Até que um dia decidiu abrir seu próprio negócio aos 14 anos.

Contudo o medo de Rodrigo era grande. “Me recordo que, dentro de mim, havia uma briga interna: uma parte dizia que ia dar certo, que era para seguir em frente, e outra dizia que era melhor não tentar”, relata.

Rodrigo, então, conheceu a esposa, Glaucia (foto a dir.), em uma feira de negócios. Eles namoraram e, em oito meses, se casaram. Contudo ele ainda tinha dificuldades de lidar com a preocupação de conseguir se estabilizar e, para piorar, estava viciado em aparelhos eletrônicos, o que quase arruinou seu casamento e suas finanças. “Minha vida financeira estava péssima, com dívidas com bancos e agiotas. Fiquei com medo de não poder manter meu casamento”, lembra.

Rodrigo percebeu que boa parte dos problemas era gerada pelas dúvidas e que ele precisava recorrer a Deus. Dessa forma, ele buscou no Altar a resposta para vencê-las. Ele relata que tudo mudou por meio da Fé: “nosso casamento foi transformado, conquistamos imóveis, vivemos em uma casa confortável e temos uma empresa com sede própria e que é referência no setor de automação residencial e comercial em que atuamos”.

Com base no que vivenciou, Rodrigo deixa uma dica: “se você pensar nos problemas, se sentirá péssimo. O melhor é focar no que deseja e assim o foco se expande”, finaliza.

“Ouvia falar que ficaria solteira”
É preciso desafiar a si mesmo para não deixar que o medo tome conta da sua vida, como fez a cobradora Ângela Cristina Pereira da Silva, de 48 anos (foto abaixo), que, desde a adolescência, buscava ser feliz na vida amorosa. “Eu queria ter alguém, uma família, mas acabava sendo muito ciumenta e pegajosa”, comenta. Apesar de vários relacionamentos malsucedidos, Ângela afirma que não desanimava: “nunca desisti dos meus sonhos. Eu sabia que, um dia, encontraria alguém.” Foi assim que ela chegou à Universal, em 1995.

Existem muitas pessoas (na Igreja, inclusive) buscando acertar e ser feliz na vida amorosa. Muitas desistem, enquanto outras perseveram, como fez Ângela por 15 anos, que precisou duvidar das próprias dúvidas, mesmo servindo a Deus, para conseguir atingir seu objetivo. Ela conta que foi a muitos casamentos de amigas e de membros da Igreja até que conseguiu realizar seu sonho. “Eu sempre falava que o dia do meu casamento chegaria, ainda que escutasse o contrário. Eu ouvia que ficaria solteira, mas nunca me deixava levar por aquelas palavras. Tinha certeza que iria encontrar a tampa da minha panela”, diverte-se.

Contudo o medo de ficar sozinha, enquanto lutava pela vida amorosa, estava presente no seu dia a dia e Ângela conta que precisou aprender a lidar com ele: “a solidão é a pior coisa que existe e eu sofria por causa da ansiedade de me casar, de ter uma família e a minha casa, mas a Fé me ajudou.”

Ela relata que seu aprendizado foi obtido nas reuniões da Terapia do Amor: “as palestras me ajudaram a me valorizar, a não ficar chorando e implorando por amor. Aprendi a me amar”.

Já bem instruída sobre o que é o amor inteligente, Ângela conheceu Marcos Alberto Pereira da Silva, de 53 anos (foto acima), que era separado e que também frequentava as palestras da Terapia do Amor para resgatar a própria confiança e passar a acreditar no amor novamente. “Quando conheci meu marido, eu estava pronta para ter um relacionamento.” Eles estão casados há seis anos. “Meu marido foi um presente de Deus para mim. Nem tudo são às mil maravilhas, mas a gente supera”, conclui ela.

“Tinha medo de perder o meu filho”
É preciso confrontar algo que provoca medo com uma reação à altura, como fez a educadora física Mariana Santos, de 38 anos. Ela e o metalúrgico Fernando de Almeida Santos são pais de Felipe de Almeida Santos, de 7 anos (fot abaixo).

Quando Felipe completou um ano de vida, teve a primeira convulsão. Desde então, as crises convulsivas aconteciam a cada seis meses e, embora o menino apresentasse febre, os exames de eletroencefalograma nunca traziam um diagnóstico conclusivo. “Eu tinha muito medo de perder meu filho. Era só nisso que eu pensava. Eu nem dormia porque passava a noite verificando se ele estava com febre. Se alguém me contrariasse e dissesse que ele não tinha, eu gritava e falava que sabia o que ele tinha. Eu também sentia tremores e era muito nervosa”, conta.

Certa vez, ela recebeu um convite da sogra para ir conhecer a Universal. Ela relata como a Fé foi fundamental para que enfrentasse o medo e superasse o problema de saúde do filho: “a Fé me trouxe confiança para seguir em frente sem questionar a situação. Enfrentei meus medos e segui em frente, mesmo sem ainda ver a solução”.

Agindo assim, Mariana conseguiu não só reagir aos sentimentos, mas também obter a cura de seu filho. Felipe fez acompanhamento com um neurologista até os 5 anos e meio, mas hoje é uma criança saudável e feliz.

Mariana conta que a mudança não transformou apenas a saúde de seu filho, mas também seu interior. Ela atribui isso ao batismo com o Espírito Santo: “ao receber o Espírito Santo, tudo mudou. Ele mudou meus pensamentos e me mudou completamente. O medo deu lugar à força, à certeza e à coragem”.

Aquela Mariana medrosa deu lugar a uma mulher cheia de certezas de que sua família seria feliz: “me tornei uma mulher forte. Tenho a força que só o Espírito Santo pode dar. Hoje somos uma família feliz, meu filho tem saúde e o privilégio de crescer na Presença de Deus”, afirma.

Como vencer o medo?
É claro que ninguém está imune ao medo e ele bate na porta de todos, como disse recentemente o Bispo Renato Cardoso em seu programa na Rádio Rede Aleluia: “muitas pessoas ricas têm medo da pobreza, assim como muitas pessoas agora têm medo de perder o emprego, de ficar sozinhas, de não se casar ou de ter uma doença porque a mãe teve, o pai teve e o médico falou que é provável que ela tenha também”.

O único jeito de encarar o medo à altura é convidá-lo a se retirar. Sob essa ótica, a Fé passa a ser indispensável, como você leu nas histórias descritas anteriormente. “Se a Fé é a certeza de coisas boas (Hebreus 11.1), de que a Palavra de Deus vai se cumprir, o medo é a certeza de que algo ruim vai acontecer. O medo coloca um ponto de interrogação onde Deus já colocou o ponto final, mas Deus nos deu a Fé para que não nos curvássemos diante do medo. Logo, para que você vença o medo, precisa se aproximar do Autor da Fé, do Autor da coragem”, orienta o Bispo Renato Cardoso.

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Autor

Flavia Francellino / Fotos: Getty Images, Demetrio Koch e Arquivo Pessoal