Seu ouvido é penico?

Achou o título forte? Bem, você pode estar ouvindo coisas muito piores no dia a dia sem se dar conta

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É muito comum, infelizmente, que em grupos de homens surjam assuntos bem pouco recomendáveis. Um deles começa a falar, por exemplo, sobre suas peripécias sexuais e os outros vão na onda, às vezes até tornando público o que fazem com as esposas no leito conjugal, expondo-as a quem não tem nada com isso. Daí vem uma cadeia de comentários sobre os corpos das moças que passam por perto, piadas sujas, palavras abaixo de vulgares e por aí vai, cada vez descendo mais.

O problema não é o “clube do Bolinha” em si, pois tais tipos de comentários também acontecem em grupos de mulheres que não cultivam a vida espiritual, algumas até levando isso a público pela mídia, lamentavelmente. O que faz a diferença é a qualidade do grupo. Quem disse que não é possível haver uma reunião saudável de homens?

Sim, é completamente possível um churrasco com os amigos em que os assuntos não descambem para a vulgaridade e o machismo imaturo. Aquele tradicional futebol de sábado não precisa ter assobios e cantadas baratas para com as mulheres que passam. Mesmo no trabalho, há como conviver com respeito pelas colegas, sem elas virarem comentários errados no banheiro ou no almoço.

Há muitos assuntos comuns ao universo masculino que merecem o nosso escasso tempo: automóveis, motos, esportes, saúde e por aí afora, incluindo a vida espiritual, razão pela qual o IntelliMen existe, refletindo seus efeitos na vida prática e social. Em outras palavras, homens conversando com homens sobre como ser homem de verdade.
Mas e quando nem todos no grupo têm a vida espiritual com Deus como prioridade? Às vezes você pode até ser o único, dependendo de onde estiver, a priorizar isso. Não vamos pôr panos quentes: sabemos que comentários vulgares acontecem em alguns almoços de negócios, por exemplo, e até em algumas reuniões de trabalho nas quais o foco é perdido. Nesses casos, é hora de colocar em ação um ditado bem antigo que diz “palavras loucas, ouvidos moucos (surdos)”, que nada mais é do que selecionar o que se ouve (às vezes não há como evitar) e jogar fora o que não presta.

Ninguém disse que ser homem seria fácil, mas também pode ser muito bom, um prazer mesmo, se isso for bem conduzido. Num papo saudável, pupilos acham mentores, bons amigos aparecem e até um futuro sócio pode ser apresentado sem querer. Você é o que você fala e até o próprio Senhor Jesus atesta isso: “Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” (Mateus 12.34). Essa boa impressão, se o homem tem o Espírito Santo como seu centro, é mais que somente uma impressão, pois mostra como ele é de verdade e isso lhe dá crédito perante os outros do grupo.

O mesmo livro de Mateus permite ver mais longe: “O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo. Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado” (Mateus 12.35-37).

É, meu caro, as consequências de simplesmente abrir a boca e dizer algo vão bem além do que imaginávamos. Mas, para o homem conduzido pelo Espírito de Deus, isso acontece naturalmente e de uma forma boa.

Por falar em Bíblia, ela também traz um conselho que resume tudo o que foi dito aqui: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores” (Salmos 1.1).

Quando há possibilidade de escolha, é melhor evitar as rodinhas daqueles que tornam ridículo ser homem e dar um significado muito melhor a isso.

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Autor

Marcelo Rangel / Foto: Getty Imagens