Pornografia: O mal que afeta a mente, o corpo e os relacionamentos

O aumento no acesso de conteúdos pornográficos durante a pandemia traz um alerta sobre todos os prejuízos que esse hábito pode causar na vida de uma pessoa

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Na tela do computador a propaganda é insistente e chamativa. Na maioria das vezes, mulheres com poucas roupas convidam o internauta para entrar no submundo da pornografia e o acesso é através de um clique. O que começa por curiosidade, desperta sensações físicas e emocionais capazes de deixar uma pessoa dependente daquele conteúdo.

A pornografia é definida pelo dicionário Michaelis On-line como “qualquer coisa que vise explorar o sexo de maneira vulgar e obscena”. E essa exploração das relações e do corpo não é coisa da modernidade. Acredita-se que há 2,5 mil anos os gregos já faziam representações de sexo e nudez, inclusive em forma de estátuas. Contudo, hoje a facilidade de encontrar esse tipo de conteúdo traz prejuízos imensuráveis para a mente e a vida de homens e mulheres.

Um estudo norte-americano desenvolvido pelo Conselho de Pesquisas Familiares apontou que os sites pornográficos são mais acessados do que a Netflix, a Amazon e o Twitter juntos. Durante a pandemia e o isolamento social o cenário se agravou. As plataformas com conteúdo sexual relataram que nesse período viram crescer o número de visitantes, de assinantes e de visualizações.

“A pornografia é um problema solitário e silencioso porque ela é praticada normalmente às escondidas, no isolamento de um quarto, de um banheiro. Mas ela domina toda a vida de uma pessoa”, explicou o Bispo Renato Cardoso no programa Entrelinhas, exibido pela plataforma Univer Video, que tratou sobre o tema.

Impacto da pornografia na mente
Assim como uma droga, a pornografia mexe com a mente e se transforma em um vício, conforme explica a psicóloga Aline Saramago: “o cérebro, quando tem algum tipo de prazer, libera dopamina, que é um hormônio relacionado ao sistema de recompensa. Como qualquer outro vício, a pessoa precisa manter o estímulo frequente e até maior para que esse prazer se mantenha. O problema é que a insatisfação é o fim disso tudo”.

A dependência em pornografia afeta outros aspectos da vida de uma pessoa, como o trabalho e os estudos, pois a capacidade de concentração fica comprometida. “O vício faz com que a pessoa só queira ficar naquilo e assim sofre quando precisa fazer outra coisa, como estudar ou trabalhar. Acrescidos a isso vêm a vergonha, a culpa e, comumente, sentimentos depressivos e ansiosos”, aponta a doutora em Psicologia Social, Sandra Regina Schewinsky.

Mudanças que a pornografia gera no corpo
Uma pesquisa realizada pela Associação Europeia de Urologia indica outro prejuízo do consumo da pornografia: a impotência sexual. O estudo, feito com 3 mil homens, concluiu que 23% dos entrevistados tinham algum nível de disfunção erétil. Eles relataram que assistiam, em média, 70 minutos de pornografia por semana, de cinco a quinze minutos por dia. O que chamou a atenção é que esses homens tinham até 35 anos de idade, ou seja, ainda jovens para apresentar o problema.

Prejuízos nos relacionamentos
A rotina de estímulos visuais dificulta os relacionamentos na vida real, tanto que a mesma pesquisa descobriu que 35% dos entrevistados consideram os conteúdos pornográficos mais estimulantes do que uma relação sexual com outra pessoa. “A pornografia traz prazer imediato, faz com que a pessoa ache que tem o controle do tempo e do seu prazer. Geralmente a masturbação faz parte deste contexto”, pontua a doutora em Psicologia Social, Sandra Regina Schewinsky. Segundo ela, muitos passam a considerar uma relação com outra pessoa como um peso: “consideram que dá trabalho, é cansativo, demorado e precisa ter atenção com o outro, enquanto a masturbação com pornografia é considerada mais fácil. Podemos perceber assim o risco do distanciamento afetivo e dos vínculos causados por
isso”, completa.

É importante ressaltar que a pornografia traz um conteúdo que pode distorcer a visão das pessoas com relação ao sexo, conforme explicou o Bispo Renato Cardoso: “a pornografia normalmente promove a violência contra a mulher, a agressividade. Então, quando a pessoa é apresentada àquilo como sua referência de sexo, você pode imaginar o estrago que isso faz na vida sexual”.

Apesar da maior parte dos consumidores desse tipo de conteúdo ser do sexo masculino, o número de mulheres viciadas em pornografia tem crescido e os prejuízos são os mesmos. Vale pontuar, inclusive, que muitos casais entram nesse mundo juntos na tentativa de melhorar o relacionamento. “Pornografia não é sexo. Casal que assiste pornografia para tentar apimentar a relação fica no fim frustrado, porque está tentando apimentar algo que nunca vai conseguir atingir porque é falsidade. É algo falso”, pontuou o Bispo Renato Cardoso.

Como reverter esse quadro?
O primeiro passo para reverter esse quadro é a pessoa reconhecer que está sendo dominada pela pornografia e buscar ajuda. “Tem que haver uma mudança de pensamento, uma reprogramação da mente e do espírito, para que a pessoa se liberte totalmente e não fique sempre com medo de que vá recair”, esclareceu o Bispo.

Assim como qualquer outro tipo de vício, a solução não vem através de conversas ou medicações, mas sim por meio de uma ação para eliminar a raiz do problema. “A pessoa pode bloquear, colocar filtro no celular e fazer algumas coisas externas, mas a solução principal é arrancar de dentro de você esse espírito de vício, esse mal que está dominando a sua mente e buscar o Espírito Santo, que dá o domínio próprio”, esclareceu o Bispo Renato Cardoso.

Todos os domingos acontece na Universal o Tratamento para a Cura dos Vícios. Durante as palestras é possível entender o que é o vício, como ele age na mente de uma pessoa e ainda aprender o caminho para colocar um ponto final nessa escravidão. Para outras informações, acesse universal.org/vicio-tem-cura.

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Autor

Cinthia Cardoso / Foto: Getty Images