Por que quem tem alguma diversidade funcional é desprezado?
Veja como aumentar a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho
O País tem hoje 17,3 milhões de pessoas acima de 2 anos com deficiências auditivas, visuais, motoras, intelectuais e múltiplas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que corresponde a 8,4% da população. Contudo, do número inicial acima, apenas 28,3% delas em idade de trabalhar estão no mercado de trabalho. Por que isso ocorre?
Para Tabata Contri, de 41 anos, consultora de diversidade, equidade e inclusão na Talento Incluir, entidade que faz a ponte entre as pessoas com deficiência e o mercado de trabalho, embora o número de pessoas com deficiência que trabalham formalmente ainda seja pequeno, é necessário olhar para a carreira delas. “Percebemos uma crescente nas contratações, mas é preciso trabalhar a qualidade dessa inclusão: 57% das pessoas com deficiências inclusivas ainda ocupam cargos de assistentes, 17% de analistas, 12% são técnicos, 5% coordenadores, 4% gerentes e 0,4% diretores.”
Segundo ela, que é cadeirante, infelizmente, vivemos em uma sociedade que coloca em dúvida a capacidade das pessoas com deficiência. “É preciso desconstruir esses rótulos, mas as pessoas com deficiência também precisam se preparar tanto tecnicamente quanto de forma comportamental. Sabemos que nem todo mundo tem oportunidade e, por isso, as empresas também podem fazer grupos de capacitação, contratar aprendizes com deficiência, lembrando que uma cota não engloba a outra: ou a pessoa entra pela cota de aprendiz ou pela cota de pessoas com deficiência”, esclarece.
Para Branca Barão, de 47 anos, escritora, palestrante e especialista em desenvolvimento humano, a lei ajuda, mas não é o suficiente: “quando eu olho simplesmente para o cumprimento da cota que a lei estabelece, eu deixo de aproveitar o talento que essa pessoa tem. Eu não tenho que contratar só para cobrir um protocolo. A lei é legal para nos chamar a atenção para isso e esse olhar merece ser direcionado a todas as pessoas com deficiência. É trazer a deficiência para a normalidade – do contrário, cumpro a lei e essas pessoas continuam excluídas”.
Na opinião de Tabata, a crença que pessoas com deficiência precisam de assistencialismo também atrapalha. “Na verdade, elas precisam de oportunidade. Há também a falta de preparo tanto dos líderes que têm muitas dúvidas na gestão desses profissionais como de algumas pessoas com deficiência que ainda não se encontraram ou não entenderam a importância do seu protagonismo para favorecer a inclusão. As maiores barreiras são atitudinais. A cultura de inclusão precisa de convicção e não de um olhar de obrigação ou da contratação por conveniência”, avalia.
Contudo, de acordo com Branca, nós temos uma relutância cultural em nos comunicarmos com pessoas com deficiência e falar das dificuldades delas. “As empresas precisam orientar os funcionários a conversarem com elas, treinar os colegas para tratá-las de forma adequada e não considerar esse assunto proibido. Dessa forma, será possível construir um clima de mais transparência e em que as pessoas não tenham medo de quem tem deficiência.Senão ela ficará lá, sofrendo aquele preconceito.”
Ela afirma ainda que a inclusão é importante justamente para fazer uma mudança cultural. “Em que ser cadeirante, por exemplo, influencia no trabalho administrativo? Em nada. Olhamos como se a pessoa fosse uma dificuldade e quanto mais a vemos como um problema, menos queremos que ela faça parte da equipe e não enxergamos suas habilidades. Uma pessoa com deficiência visual, por exemplo, tem muito mais sensibilidade para trabalhar em uma fábrica de perfumes do que quem não tem deficiência.”
Para Branca é preciso tornar o mundo, a empresa neste caso, um lugar melhor para o ser humano. “Quando eu crio e preparo o ambiente para que pessoas diferentes possam se sentir indo e vindo igualmente, abro os olhos das pessoas. É preciso olhar o mundo pelo ponto de vista do outro, mas eu não me coloco no lugar dele sem me abrir”, analisa.
Tabata observa que as empresas precisam entender que entre a diversidade e a inclusão consciente existe a palavra equidade: “significa dar suporte para que as pessoas possam chegar até a sua empresa, que elas possam ver no site da empresa que tem representatividade de pessoas com deficiência ali. Se a empresa não for mais ativa na divulgação, se não estiver onde as pessoas com deficiência estão (nas comunidades, nas revistas voltadas para o segmento, etc.), se não trabalhar a sua gestão da marca frente ao público com deficiência, as pessoas não chegarão voluntariamente”, conclui.
Congresso para o Sucesso
Se você está com dificuldades de inclusão no mercado de trabalho, participe do Novo Congresso para o Sucesso às segundas-feiras, em todas os templos da Universal.
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