O perigo da “carentena”

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O período de quarentena para contenção do novo coronavírus aflorou novos sentimentos, sensações e atitudes em muitas mulheres. Em algumas, os talentos vieram à tona; em outras, o controle da fome e das próprias ações se tornou um grande desafio. No entanto, ocorreu outra interferência cruel no caso de muitas delas: a carência afetiva com a qual convivem diariamente por causa do isolamento social. Essa condição se tornou um terreno fértil para instaurar um cenário que ficou conhecido como “carentena” – termo formado pela junção das palavras carência e quarentena.

O assunto foi abordado pela apresentadora Cíntia Cuccato durante o programa The Love School – Escola do Amor, exibido pela Record TV. Para ela, o fato de muitas pessoas não estarem “perto das amigas e das pessoas que amam” está fazendo a “carência bater”. Neste caso, o grupo de risco é composto pelas mulheres, sobretudo as solteiras, que costumavam se apoiar em uma vida social ativa como forma de driblar essa situação.

Carência em dias de vida virtual
A carência afetiva nada mais é do que uma dependência emocional extrema de alguém. Assumir que ela existe e que está em todos os momentos pode soar como exagero para aquelas que não perceberam sequer seus sinais maléficos.

Normalmente, a mulher que é carente peca pela cobrança excessiva de atenção, se torna controladora e até sufoca o parceiro na vida amorosa ou as amizades. No entanto, há muitas carentes enrustidas: aquelas que não percebem que essa necessidade – que beira o desespero – de criar vínculos afetivos faz com que elas não tenham mais bom senso diante de suas escolhas.

É em razão disso que muitas não resistem à tentação de ressuscitar uma velha conversa com um ex (marido ou namorado) ou de procurar um relacionamento pela internet apenas para tentar eliminar a carência. No entanto, assim como um relacionamento pode começar por causa da carência, ele também pode terminar pelo mesmo motivo e, mesmo que seja algo passageiro, as consequências não serão.

“Essa questão da quarentena, de ficar em casa, é um momento também para refletir. Aproveite essa oportunidade para pensar em sua vida amorosa, para analisar onde estava errando e, assim, quando a quarentena acabar, não cometer os mesmos erros”, aconselha Cíntia.

Emoção versus razão
Decisões baseadas em sentimentos tendem a ser precipitadas – pode ser como entregar um cheque em branco a um estranho. A batalha entre o certo e o errado, entre a razão e a emoção, é antiga. Porém, desde sempre, há uma maneira de vencê-la, como podemos ler no livro bíblico de Gênesis 4.7: “Se procerderes bem, não é certo que serás aceito? (…). O seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”. Ou seja, o controle do que sentimos cabe a cada uma de nós. E a única forma de desafiar um sentimento que parece ser grande demais é se considerando maior do que ele.

Esse domínio próprio é consequência de uma vida espiritual bem alimentada. E ela é obtida, neste período de isolamento social, ao se aproximar cada vez mais de Deus. Os que recebem o Espírito dEle também recebem as qualidades e as características que são dEle, como descrito em Gálatas 5.23: “amor, alegria, paz, paciência, delicadeza, bondade, fidelidade, humildade e domínio próprio; contra estas coisas não há lei”. Na verdade, há muitas “carentonas” espirituais que não se deram conta de que tudo o que precisam para preencher o vazio é desenvolver um relacionamento com Deus e não ficar buscando a atenção dos outros como forma de distração.

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Colaborador

Flavia Francellino / Foto: Getty Images