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Notícias | 24 de abril de 2019 - 13:39


O passaporte dela era cheio, mas a alma vazia

Saiba como uma vida à base de antidepressivos foi deixada para trás pela internacionalista Sarah Cypriani, de 25 anos

O Dia Mundial da Saúde é comemorado anualmente em 7 de abril. A data propícia reflexões e debates e, em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu a depressão como o assunto da vez. De acordo com dados da própria instituição, referentes a 2015, a depressão atinge 322 milhões de pessoas no mundo e recebeu o título de “mal do século”. O Brasil figura na lista dos países da América Latina que possuem maior número de pessoas com depressão: as estimativas apontam que cerca de 5,8% da população sofre com a doença.

 

Muitas pessoas relatam que só passando pelo problema é possível conhecê-lo. Sarah Hissa Cypriani, de 25 anos, é uma delas. Filha de profissionais da área de saúde, ela foi diagnosticada com depressão ainda na infância. Ela se lembra de como a doença foi mostrando indícios. “Sempre fui uma criança introvertida e quieta. Me sentia triste, mas não sabia o motivo.”

 

Histórico

Na tentativa de encontrar uma solução, os familiares a ajudavam como podiam. “Minha casa parecia uma loja de brinquedos”, acentua, comentando que atividades esportivas e aulas de música começaram a preencher sua agenda. “Tive aulas de piano, violino, tênis, hipismo, natação”, enumera. Tudo isso aliado à medicação.

 

A partir dos 14 anos, os cuidados passaram a ser intensivos, pois cansaço, tristeza e desânimo se tornaram frequentes. “A recomendação foi fazer terapia, mas conversar com alguém sobre meus problemas só me aliviava na hora”, conta Sarah, que também recebeu acompanhamento dos especialistas da clínica da família.

 

Porta de entrada

A depressão é porta de entrada para outras doenças. Sarah, por exemplo, se deparou com uma delas aos 21 anos. Ela teve fibromialgia, síndrome que causa dores musculares generalizadas. “A sensação que tinha era de que sentia dor desde o fio de cabelo até o dedo do pé. Como analgésicos não faziam efeito, pois as dores são generalizadas, tomava um remédio que agia no sistema nervoso central, pois minhas dores vinham do cérebro, não eram ‘reais’. Só assim conseguia amenizar os sintomas”, conta.

 

Com o passar do tempo, as viagens, que eram um de seus hobbies, virou sua válvula de escape. Ela conheceu Marrocos, Rússia e Estados Unidos. “Sempre gostei de viajar. Aos 21 anos, fui fazer parte da faculdade de Relações Internacionais na Europa e lá, com todos esses problemas, busquei algo que me preenchesse. Foi então que percebi que viajar fazia com que sentisse melhor e comecei a buscar destinos inusitados.”

 

Outra atividade que ela julgava prazerosa era consumir. “Gastava dinheiro com coisas fúteis, achando que iam preencher meu vazio.” Ela começou a cogitar que melhoraria se tivesse o carro dos sonhos. Ele resultou em mais problema. “Como morava longe, pegava estrada todos os dias. Todas as vezes que dirigia sentia muita vontade de bater em uma árvore ou cair em algum barranco. Pensei em bater o carro porque, como ninguém de fora da minha família sabia da minha depressão, não imaginaria que o acidente teria sido intencional.”

 

A dor era na alma

Um dia, Sarah lembrou de um convite feito por sua mãe, em 2017. “Acordei pensando em me matar, pois as dores e a tristeza eram fortes. Mas lembrei de um convite que minha mãe fez para que eu fosse ao Templo de Salomão. Já vi melhora no primeiro dia. Consegui dormir uma noite inteira, o que não acontecia há muito tempo, pois eu sofria de insônia. Em cerca de quatro meses, tive a certeza da cura e resolvi parar de tomar os remédios.”

 

Desde então, ela não teve mais sintomas e conta que os profissionais de saúde consideram seu caso uma incógnita, pois não conseguem explicar como ela alcançou a cura de algo que clinicamente não existe. Só a fé explica. “Hoje sou uma pessoa completa, realizada e feliz. Tudo o que busquei a minha vida toda consegui com o batismo com o Espírito Santo”, diz a jovem, que hoje é voluntária do Grupo da Saúde.

 

O que é depressão?

 

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), a doença é um distúrbio afetivo que afeta o aspecto emocional. A pessoa apresenta tristeza profunda, falta de apetite, de ânimo e perda de interesse. Pode ocorrer também pessimismo, e baixa autoestima, além de grande oscilação de humor e pensamentos que podem culminar em comportamentos e atos suicidas.

 

O detalhamento do MS aponta que ela é causada pelo desequilíbrio na bioquímica cerebral, pois a oferta de neurotransmissores como, por exemplo, a serotonina, relacionada à sensação de bem-estar, está diminuída. O diagnóstico é basicamente clínico e os especialistas recomendam a manutenção de um estilo de vida saudável como parte do tratamento

 

Fonte: Ministério da Saúde


  • Flavia Francellino / Fotos: Demetrio Koch e Arquivo Pessoal 


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