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Notícias | 12 de julho de 2019 - 10:43


O novo estágio da pornografia

Aplicativo cria fotos falsas removendo digitalmente roupa de mulheres

Um aplicativo capaz de criar falsas fotos de mulheres nuas foi tirado do ar apenas quatro dias após seu lançamento. De acordo com o desenvolvedor, “o mundo ainda não está pronto para uma ferramenta como essa”. Será?

O aplicativo é capaz de remover digitalmente a roupa de mulheres em fotografias. Se elas estiverem utilizando roupas curtas ou de banho, o resultado é mais realista. Conforme explicou o criador da ferramenta – que não quer divulgar seu nome – a utilização era destinada apenas para fins particulares. Ou seja: pornografia.

De acordo com a ONG Safernet Brasil, a indústria pornográfica lucra mais de R$ 400 bilhões por ano. Evidentemente, esse dinheiro vai para grandes empresários, não para os consumidores viciados.

Sim, porque pornografia vicia. De fato, esse tipo de conteúdo age no cérebro da mesma maneira que a cocaína e outras drogas mais pesadas. Quanto mais você consome, mais você quer. Até o ponto em que isso atrapalha a vida social, física e psicológica.

Ainda de acordo com a ONG, cresce a cada ano o número de vítimas de vazamento ilegal de fotos e vídeos íntimos. Também cresce o número de pessoas que jamais fizeram fotos ou vídeos desse tipo, mas são alvo de montagens criminosas. Justamente o tipo de montagem oferecido pelo aplicativo citado acima.

Portanto, quando esse recurso foi lançado, o desenvolvedor sabia exatamente o mundo para o qual estava disponibilizando a ferramenta: um mundo doente, onde algumas pessoas lucram milhões com o vício e o sofrimento.

E foi isso o que ele fez

A ferramenta foi lançada gratuitamente para quem aceitava ter marcas d’água* na imagem. Essas marcas poderiam ser retiradas em qualquer programa de edição de imagens. Também houve a versão paga. Por U$ 50 (cerca de R$ 190), os clientes poderiam ter as fotomontagens sem qualquer indício de que fossem falsas.

Foram milhões de downloads desse aplicativo. Tantos que o servidor caiu várias vezes durante os quatro dias em que foi possível baixá-lo.

Após inúmeras críticas, especialmente por parte de mulheres que lutam contra a exploração feminina pela pornografia, o desenvolvedor decidiu bloquear os downloads.

“Apesar das medidas de segurança adotadas, a probabilidade de as pessoas usarem o programa para fins prejudiciais é demasiadamente elevada. Não queremos fazer dinheiro desta forma”, justificou o dono da tecnologia.

Isso, porém, não foi o suficiente para evitar que a “praga” se espalhasse. Quem fez o download ainda pode utilizar o aplicativo e compartilhá-lo com outras pessoas. Por consequência, menos de uma semana após o bloqueio da ferramenta, sites já ofereciam a versão “pirata” do mesmo. Dessa vez, por apenas U$ 20.

Compartilhar também é crime

Produzir ou compartilhar imagens íntimas de alguém, sendo essas imagens verdadeiras ou falsas, é crime na maior parte do mundo. No Brasil, a Lei 2.737/12, criminaliza:

“Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio – inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia”.

Para esse crime, a pena pode chegar a um ano e cinco meses de reclusão.

A maior parte das vítimas são mulheres: cerca de 70%.

Os criminosos também podem ser enquadrados em leis de crimes contra a honra, assédio, importunação e atentado ao pudor.

Portanto, se você recebeu algum conteúdo como esse, denuncie quem compartilhou. Os crimes e o vício só serão combatidos com denúncias e Justiça.

 

* Marca d’água é uma mensagem com grande grau de transparência (geralmente logotipo de uma empresa) sobreposta à imagem


  • Andre Batista / Foto: Getty Images 



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