O chamado de Abrãão

Quando Deus falou com Abraão, ele imediatamente atendeu a Sua voz. Nos dias de hoje, Ele também busca por ouvidos sensíveis e corações dispostos a Lhe obedecer. A nova fase da superprodução Gênesis leva ao público inúmeras lições

Imagem de capa - O chamado de Abrãão

A quinta fase da superprodução Gênesis, que vai ao ar na Record TV de segunda a sexta-feira, às 21 horas, estreou no dia 29 de março. Desde então, o telespectador acompanha de perto a história do Patriarca da Fé, Abraão, que tem sua trajetória esmiuçada. A princípio, o público conheceu um pouco mais a vida de Abrão (Zécarlos Machado) e de sua esposa, Sarai (Adriana Garambone), os dilemas, impasses e as questões que os atingem e pôde enxergar um homem fiel a si e aos princípios aprendidos desde a infância.

Uma das cenas que marcam a trajetória de Abrão é a em que ele não aceita se submeter à fragilidade de deuses esculpidos à mão. Revoltado, ele rejeita o ídolo dado de presente por seu irmão Naor (Jorge Pontual) e destrói as demais estátuas do comércio. Seu pai, Terá (Júlio Braga), não apenas o repreende por sua atitude, mas também aproveita o momento para criticar o fato de ele permanecer sem filhos ao lado de uma esposa estéril. No entanto Abrão se mantém firme na decisão de não ter outra esposa para gerar descendentes, ainda que isso lhe custe seu maior sonho.

Essas qualidades visíveis na conduta de Abrão se destacam em um período em que a poligamia (casamento com mais de uma pessoa) era normal ou aceitável e que o politeísmo (culto a vários deuses) era praticamente inquestionável. Se essa postura salta aos olhos do telespectador, não é difícil entender por que chamou a atenção de Deus.
É nesse cenário que a trama apresenta o chamado de Deus a Abrão, conforme podemos ler em Gênesis 12.1-3: “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra”.

A cena foi ao ar na primeira semana de abril. Abrão, então, dividiu a novidade com Terá e, a partir de então, assumiu a qualidade de sua Fé inabalável.

ANÁLISE

No livro A Fé de Abraão, o Bispo Edir Macedo observou que “sair da sua terra pagã, (…) deixar sua terra natal, suas propriedades, seus costumes, seus amigos, enfim, deixar tudo para trás” foi o primeiro teste da Fé de Abraão e que é “extre­mamente importante notar que, na sua chamada, a primeira palavra usada por Deus foi ‘sai’. Logo, a primeira atitude de Abraão em relação ao Senhor mostra sua obediência irrestrita”, escreveu o Bispo. Ele ainda mencionou que o plano Divino “exigia sua saída daquele lugar para que o Senhor pudesse lapidá-lo e ensiná-lo a viver na dependência da sua fé”.

Vale pontuar que, na altura, não existia sinal de GPS: ele seria guiado por sua confiança na Voz de Deus. “Sair pelo deserto em direção a uma terra indefinida, sem mapa e sem pista, era realmente um desafio à sua crença (…). Abraão teria de aprender a depender do pão nosso de cada dia, dia após dia, pelo deserto”, afirmou o Bispo.

AFINAL, O QUE CHAMA A ATENÇÃO DE DEUS?
Quando Deus chamou Abraão, ele tinha 75 anos e uma esposa estéril. Ele não era um jovem com perfil aventureiro, mas um homem temente a Deus. Para muitos, um lunático, mas, para a Fé, ele já era um herói.

Quando Deus falou com Abraão, ele imediatamente atendeu a Sua voz e, nos dias de hoje, o mesmo Deus ainda busca por ouvidos sensíveis e corações dispostos a Lhe obedecer. Muitos dizem que creem e conhecem a Deus, mas resistem à Sua Voz ao não entregarem seus sentimentos, mágoas ou ideologias. Com essas pessoas, o Senhor fala uma, duas, três, 30 vezes, porém, é em vão, pois elas querem servi-Lo, mas não tanto quanto querem servir a si mesmas primeiro. Querem sair rumo às bênçãos, mas sem abrir mão do próprio mundo, das vaidades e da cobiça. O fato é que o chamado de Abrão diz muito sobre o Patriarca Abraão, sobre o Pai que Deus é e, também, a nosso respeito.

Muitos se apegam às bênçãos e à prosperidade que Abraão teve, mas nem todos miram na Fé sacrificial que ele apresentou muito antes de ver. Essa Fé intrépida, seguida de disposição, continua atraindo a Voz de Deus, prendendo Sua atenção e transformando histórias antes fadadas ao infortúnio. Essa Fé perpetua a descendência espiritual de Abraão, que esperava um filho enquanto o Altíssimo queria lhe dar muito mais.

imagem do author
Autor

Flavinha Francellino / Fotos: Edu Moraes e reprodução