Mulher, você não está sozinha
Milhares de brasileiras sofrem com a violência doméstica todos os anos. A dependência financeira ainda é um obstáculo para denunciar o agressor
A roraimense Dionésia Cordeiro, de 42 anos, (foto abaixo) viveu três anos de terror por causa da violência do ex-marido. Ela foi casada com o agressor por dez anos, mas conta que começou a perceber mudanças no comportamento dele após cinco anos de relacionamento. “Ele se tornou uma pessoa estressada e chegava em casa procurando briga. Eu já não o conhecia mais”, lembra.

Apesar da transformação nas atitudes do marido, Dionésia ainda acreditava que as coisas iriam melhorar. Ela estava enganada. Aos poucos, os gritos deram lugar a tapas e empurrões. “Ele me agredia, me batia. Eu não denunciava porque queria preservar o meu casamento.”
As sucessivas agressões abalaram a autoestima de Dionésia. “Eu estava insegura e com medo. Achava que tinha que aguentar a violência porque meu marido pagava as minhas contas. Eu não via saída”, diz ela, que tem três filhos, hoje já adultos.
“Ele tentou me matar”
Certa noite, Dionésia acordou com um peso no peito. Ela não conseguia respirar. “Eu estava me sentindo sufocada.
Ele estava em cima de mim, apertando uma corda no meu pescoço.” Dionésia tentou lutar, mas não tinha forças.
“Estávamos naquela escuridão quando minha filha caçula apareceu, acendeu a luz do quarto e gritou. Acho que foi o próprio Deus que a tocou”, acredita. “Logo depois meus três filhos estavam no quarto. Meu ex-marido tentou me matar praticamente na frente deles. Eu estava toda machucada e me senti a pior pessoa naquela noite, incapaz de protegê-los.”
Depois do episódio, Dionésia buscou ajuda. Ela frequentava a Universal em Rondônia e pela primeira vez teve coragem de falar sobre o seu sofrimento. “Conheci uma moça que fazia parte do grupo Raabe. Ela me ajudou a desabafar e me levou ao grupo, onde fui bem recebida. Participei do curso da Cura Interior e me fortaleci espiritualmente. Busquei a direção de Deus e Ele me deu coragem para pedir o divórcio.”
Com o apoio do Raabe, ela conquistou a independência financeira. “Comecei a trabalhar com refeições e hoje consigo gerar minha própria renda”, diz ela, que mantém um negócio de sopas ao lado da filha caçula, Thallya Thamires, de 19 anos. “Também sou conselheira do Raabe e ajudo outras mulheres”, finaliza.
O que é?
A violência doméstica faz vítimas em todas as classes sociais e muitas vezes começa com humilhações e chantagem emocional. Alguns companheiros tentam impedir a mulher de sair de casa ou de conversar com amigos e familiares.
Aos poucos, a vítima fica isolada. A mulher também pode sofrer com gritos, empurrões, tapas e espancamento.
Em agosto, a Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 2006) completou 13 anos, mas ainda falta um longo caminho para que o Brasil acabe de vez com a violência. Assim como Dionésia, muitas mulheres se sentem desamparadas e a dependência financeira do companheiro é um agravante.
“O País pode ajudar dando condições mais dignas às mulheres para que elas trabalhem e criem seus filhos. Mas vejo que o trabalho maior está na prevenção para que esses problemas não aconteçam. Isto começa com leis rígidas que funcionem de verdade e com mulheres conscientes de que a escolha de um parceiro mudará sua vida por completo e deve ser feita de maneira minuciosa e consciente”, opina Fernanda Lellis, coordenadora nacional do grupo Raabe, da Universal.
Fé
O Raabe oferece apoio espiritual, emocional e profissional a mulheres em todo o Brasil. “Contamos com uma equipe de conselheiras e voluntárias profissionais, como advogadas, psicólogas e assistentes sociais, para acolher as mulheres. Ministramos um curso chamado Autoconhecimento, que promove o resgate do amor-próprio e do autoconhecimento”, enumera Fernanda.
Ela destaca a importância da fé para superar a violência. “O fortalecimento espiritual faz com que a mulher enxergue que não está sozinha. Ela conseguirá ter amor-próprio e isso a faz resgatar forças para lutar contra qualquer tipo de violência e injustiça”, completa.
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