“Eu via vultos, escutava vozes, tinha complexos”

Rafaela Fonseca sofreu por anos com problemas espirituais e pensamentos de suicídio. Saiba como ela conseguiu vencê-los

Imagem de capa - “Eu via vultos, escutava vozes, tinha complexos”

Todos os anos, aproximadamente 800 mil pessoas tiram suas próprias vidas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Na maioria dos casos, a vítima sofre com algum tipo de transtorno mental, como a depressão. Além dos adultos, muitos jovens, adolescentes e até crianças têm sido afetados pelo desespero
da dor na alma.

Rafaela Fonseca, hoje com 21 anos, sabe bem o que é isso. Desde criança, a assistente de Recursos Humanos já convivia com a infelicidade. “Eu era uma pessoa problemática, via vultos, escutava vozes, tinha complexos e mentia muito. Dentro de mim tinha muito ódio, raiva e mágoa. Também não me dava bem com a minha família, principalmente com minha mãe. Tinha ódio dela a ponto de desejar sua morte.”

A infelicidade era tanta que ela tentou suicídio pela primeira vez aos 12 anos. Com a tentativa frustrada, a dor em seu interior só aumentou e, para esquecê-la, Rafaela tentou se preencher com outras coisas. “Comecei a frequentar muitas baladas, me viciei em narguilé e cheguei a usar maconha algumas vezes. Também tinha vício em pornografia e bebidas. E, com tudo isso, tive muitos relacionamentos frustrados porque eu não dava certo com ninguém.”
A cada início de ano nascia a esperança de uma mudança de vida, mas as frustrações se repetiam. “Cheguei a escrever cartas de suicídio. Nelas eu falava como me sentia, descrevia as situações que me machucavam, me despedia das pessoas que eu gostava e me desculpava por ser um peso na vida delas. Normalmente não tinha remetente, o objetivo era que, após o suicídio, alguém achasse. Em uma delas, inclusive, descrevi como queria ser enterrada”, conta.

Com a mente dominada por pensamentos de morte, ela fez a segunda tentativa de tirar a própria vida aos 16 anos. “Eu já não me reconhecia mais. Tinha muita gente ao meu lado, mas era como se eu sempre estivesse sozinha. Eu não via sentido em continuar no mundo, pensava que aquele vazio só sairia após a morte.” Com uma faca, Rafaela tentou cortar os pulsos, “porém, a todo momento, eu escutava duas vozes, uma de ‘vai, não tem mais jeito’, e outra de que tinha solução”.

O tormento durou mais três anos, até que a jovem não conseguia mais suportá-lo. Foi então que ela buscou um compromisso com Deus por meio das reuniões da Universal. “Eu entendi que só Deus podia mudar minha vida e que o mundo não tinha o que me oferecer. Decidi largar tudo e me batizei nas águas porque não tinha mais o que perder. Logo, aprendi o que era o Espírito Santo e entendi que necessitava muito dEle para viver aqui, ser feliz e, principalmente, conquistar a vida eterna. Fiz tudo o que aprendi para recebê-Lo, até que Ele veio”, afirma.

Assim, a felicidade e a paz passaram a morar dentro da jovem. “Hoje eu sou uma pessoa totalmente transformada: não minto mais, não preciso de baladas para me sentir bem, não tenho mais vícios, sou uma pessoa feliz e não dependo de ninguém para isso. Eu me aceito como sou, me amo e quero viver muito ainda”, finaliza.

imagem do author
Autor

Cinthia Cardoso / Fotos: Cedidas