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Notícias | 24 de abril de 2019 - 13:47


Eles querem despertar atenção?

Por que a mídia pode influenciar adolescentes sobre questões de gênero ao banalizar o assunto

Ser – ou só parecer – diferente da maioria das pessoas é algo que atrai a atenção. Isso ocorre por causa do fenômeno midiático das últimas décadas que permite a qualquer indivíduo se expor ao público. Para fugirem de um enquadramento social padronizado, muitas pessoas estão buscando “novos enquadramentos, considerados mais modernos e plurais”, como disse o médico psiquiatra Alexandre Saadeh em recente entrevista ao blog do jornalista Paulo Sampaio.

 

O psiquiatra revela que na Europa, na América do Norte e no Brasil a maioria dos adolescentes que se define repentinamente como “trans” é de meninas que assumem comportamento aparentemente masculino. “Logo depois da puberdade, elas passam a querer ser meninos, sem nunca antes terem apresentado nenhuma característica do gênero.”

 

Saadeh é coordenador do Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual (Amtigos), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Para ele, a mídia populariza pessoas trans, “mas o fenômeno também atrai pessoas confusas e instáveis que se enquadram nesse novo paradigma como forma de extravasar sua dificuldade em pertencer a um grupo já existente ou para ser uma ‘celebridade midiática’ de pouco tempo”.

 

O médico vê nisso um risco, conforme disse em entrevista ao blog. “Muita gente tenta fazer das diferenças identitárias uma bandeira política ou de engajamento social. Se, por um lado, isso divulga a existência de pessoas transexuais, por outro pode tornar a questão banal e fazer dela uma moda, gerando confusão.”

 

Influências

Obviamente, a necessidade de se enquadrar em grupos é algo que causa conflitos internos na juventude. E a mídia e a internet, muitas vezes, acabam influenciando os jovens a tomar atitudes pouco benéficas e até mesmo arriscadas.
Por mais que propagandas de cigarro, por exemplo, sejam proibidas, não há um controle sobre o que a maioria dos usuários de redes sociais publicam em seus perfis sobre o fumo. A mesma coisa se aplica a bebidas alcoólicas, sexo casual e outros comportamentos destrutivos.

 

Não é raro, por exemplo, saber que algum jovem sofreu um grave acidente depois de ter se inspirado em vídeos e fotos em que imprudentes usuários tiraram selfies pendurados em arranha-céus ou após tentar reproduzir alguma aventura automobilística com carro ou moto em alta velocidade.

 

As influências podem passar, mas, certamente, também podem deixar sequelas para o resto da vida e, por isso, é tão importante manter o diálogo e a comunicação aberta e respeitosa com os filhos em casa.


  • Redação / Foto: Fotolia 



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