Da ferida à cicatriz: como virar o jogo
Na tentativa de silenciar o passado, muitos buscam refúgio em bebidas, jogos e distrações. Saiba como identificar e curar uma dor na alma
É impossível passar por todas as fases da vida e ficar sem nenhuma marca. Inevitavelmente muitas situações acontecem ao longo da história de uma pessoa, ficam registradas em sua memória, algumas são boas e outras tantas ruins, e ocupam um espaço na mente, no coração e até no próprio corpo. A grande questão é que há casos em que o passado está tão presente que chega a atrapalhar o hoje e interferir no amanhã. Quem carrega uma ferida aberta tenta seguir em frente, mas uma hora ou outra retorna ao ponto de partida. Para virar o jogo é preciso que a ferida vire cicatriz.
A psicóloga clínica Nádia Valente explica que, de forma científica, o trauma psicológico é considerado “uma resposta emocional a um evento que deixou feridas na memória e no conceito de identidade de uma pessoa”. Várias situações podem levar alguém a esse estágio, desde uma infância sofrida até abusos sexuais, traição e abandono.
A primeira reação do nosso organismo diante uma situação estressante é a liberação de hormônios, como adrenalina e cortisol, que estimulam o corpo, preparando-o para lutar ou fugir. Depois dessa fase, o indivíduo conta com a memória para trazer à mente o que aconteceu. Algumas lembranças podem, inclusive, gerar sensações físicas, como tensão muscular, taquicardia, náuseas e fadiga. A repetição consistente desse quadro pode caracterizar o trauma.
Enquanto alguns eventos são superados com o reforço de gatilhos positivos, outros persistem. Nestes casos, situações incômodas e traumatizantes ainda são capazes de gerar sentimentos que acrescentam uma dose de sofrimento à vida, como mágoa, aflição e medo. “Eles podem deixar a pessoa mais ansiosa, insegura, alimentar sentimento de desconfiança com familiar, par, amigos e outros. Além disso, o trauma pode ser tão dolorido, como uma sensação de luto, que a pessoa não consegue sair do ambiente no qual se encontra e entra em pânico”, detalha.

Tentativas de mudar
Em geral, para se proteger, a pessoa que convive com a dor de uma ferida aberta tenta se defender como pode. Há quem passe a sensação de felicidade e alegria perto dos outros, na escola ou no trabalho, porém dentro de casa – local onde se sente mais segura – o seu verdadeiro “eu” aparece. Não se trata de fingimento, mas, sim, de ter confiança de se mostrar apenas em determinados lugares ou para pessoas específicas nas quais confia. Contudo, isso a torna refém da aparência.
Quem carrega um trauma busca alternativas, às vezes até de forma inconsciente, para evitar que a situação desconfortável ocorra novamente ou apagar o que aconteceu. “Uma pessoa que sofreu um abuso, por exemplo, pode desenvolver uma mania compulsiva de verificar se as portas e as janelas estão fechadas mesmo ou desenvolver o transtorno de se lavar várias vezes por dia para se sentir limpa”, explica.
O medo de que a situação se repita gera uma verdadeira paralisia em todas as áreas da vida. Além da saúde física e mental, cada trauma acumulado ao longo da vida pode gerar respostas negativas quando se trata de relacionamentos, de trabalho, de família, etc. Assim, é como se a pessoa vivesse em um ciclo infinito: ela tenta se ocupar para esquecer e a vida até avança, mas logo lembra do que ocorreu, retoma sensações e sentimentos que abalam sua rotina e volta à estaca zero. Isso tem uma explicação: o tempo, por si só, não resolve o passado. “A ferida nunca vai se resolver sozinha, mas é possível, sim, superar um trauma. Isso acontece quando a pessoa aprende com o que aconteceu e diminui a frequência da lembrança, para que no futuro consiga viver naturalmente”, finaliza.
Cicatrizando a ferida
Enquanto de um lado os traumas são visíveis e claros, há casos em que o indivíduo nem se dá conta que a raiz das suas atitudes e comportamentos é uma situação do passado que ficou mal resolvida. “Muitas pessoas nem sabem que trazem consigo uma ferida aberta porque há as que consideram coisas que não são normais como normais”, diz o Bispo Adilson Silva, responsável pelo trabalho da Universal no Estado de São Paulo.
Alguém com ciúme exagerado do cônjuge, por exemplo, pode ter desenvolvido essa reação por situações que viu dentro de casa quando era criança ou ainda em razão de uma traição no relacionamento anterior. A dificuldade de acreditar no amor também pode estar relacionada à falta de afeto ao longo da vida ou a inúmeras decepções. “Também há pessoas que têm uma ferida aberta por conta de um acidente que aconteceu no passado e até hoje têm medo de dirigir. Mesmo que os anos tenham passado, (a situação) vem na mente da pessoa como se tivesse acontecido ontem e esse é um dos sinais de que ela está traumatizada. De forma mais ampla, tudo aquilo que a pessoa não consegue esquecer ou que quando lembra dói, podemos dizer que é uma ferida.”
Diferentemente do que muitos pensam, a dor do passado não fica estática, ela cresce à medida que afeta a personalidade daquele que a carrega. “Quem está nessa situação tende a ser uma pessoa amarga e a descontar nos outros o que fizeram com ela. É aquela pessoa que costuma brigar com todo mundo e prejudicar todos os seus relacionamentos”, afirma.
Para colocar um fim definitivo nessa dor e em todo o sofrimento que ela desencadeia, no dia 24 de julho será realizado, no Templo de Salomão e em outras igrejas Universal em todo o Brasil, o evento Da Ferida à Cicatriz – Curando o Passado. Essa é uma oportunidade para identificar a raiz do problema e tratá-la de forma eficiente. “Muitas pessoas até buscam ajuda para se libertar da dor, mas acabam tentando tratar com remédios uma situação que não é física. Quando a ferida é na alma, não existe química para tratá-la. Nenhum médico ou psicólogo pode tratar a alma. Só Deus pode curá-la”, diz o Bispo.
Pode até ser que ninguém saiba o que se passa em seu interior, mas o disfarce que funciona com todos ao seu redor não engana o Criador. Portanto, Ele está a postos para estender as mãos e colocar um fim no seu sofrimento. Se você acha que já tentou de tudo para resolver essa questão interna, dê uma chance a si mesmo e participe desse evento que vai curar suas feridas de dentro para fora.
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