A mensagem e o mensageiro

Suponhamos que alguém ganhe um presente ou um cartão de felicitações pelos Correios. Ao receber a encomenda, a pessoa enche o carteiro de agradecimentos e elogios. Não há nada de errado em ser grato a esses profissionais tão importantes, mas onde fica o agradecimento àquele que mandou o presente ou o cartão?

Da mesma forma há aquela analogia bem conhecida de um reino que estava em guerra e perdeu uma batalha. Quando a derrota foi informada ao seu rei por um mensageiro, o monarca mandou enforcar o rapaz por não ter gostado do que ouviu. Daí vem a expressão “punir o mensageiro”.

Nos dois casos o erro é o mesmo: creditar a mensagem ao mensageiro e não ao autor.

No dia a dia dos cristãos esse erro também acontece. Todos os Pastores, Bispos, evangelistas e vários outros que trabalham com a Fé pregam a Palavra de Deus. São mensageiros, anunciadores da Palavra que compartilham o que o Altíssimo falou.

Muitos incautos, porém, acabam associando a Palavra ao mensageiro e não ao Autor. “É natural que você seja muito grato a quem lhe anunciou a Palavra de Deus, mas o fiel mensageiro sempre vai dirigir a atenção do ouvinte ao Autor da Palavra e não a si mesmo”, disse o Bispo Renato Cardoso na Rádio Rede Aleluia.

O problema de associar o mensageiro à mensagem e não ao Autor é que o primeiro é humano, falho. Caso o mensageiro cometa um erro, o ouvinte associa a Palavra a ele e a rejeita, passa a ter um “ranço” – como dizem muito hoje em dia – em relação à Bíblia, à Igreja, à cristandade e até a Deus, o que é infinitamente pior.

“O foco sempre deve ser o Criador, pois só Ele é a perfeição em pessoa. O Único que cumpre nossas expectativas, sem nos decepcionar. Por essas e outras, o mensageiro não deve angariar para si atenção, fama, fãs e simpatizantes, pois essa evidência será dada para a criatura e não para o Criador. A maior glória de um pregador é ser usado por Deus, confiado a um papel que Ele designou”, diz o Bispo Renato.

A pessoa que ouve a mensagem deve apoiar-se nela e não em quem a comunicou, o que é difícil, segundo o Bispo, “pois o mundo prega o ‘faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço’, um mundo de aparências. A grande vitória do homem de Deus é como Paulo falou em várias de suas epístolas, que procurou chegar ao fim do combate intacto e chegou. Essa era a glória dele e não a de obter o reconhecimento de alguém. Ele cruzou a linha de chegada mantendo a fé em Deus.

Se um Pastor pregou e as pessoas foram curadas, glória para a Palavra de Deus, não para ele. Se evangelizou e mais uma alma foi salva, se levantou uma comunidade inteira a agir pela fé inteligente e ela conseguiu sair da injustiça, do sofrimento, do comportamento destrutivo, do desrespeito ao próximo, das garras do inferno, que ele não seja tido como um “santo” canonizado – um erro que já ocorre há milênios pelas mãos da igreja romana, que evidencia um suposto mensageiro, “eternizando-o” na propaganda da falsa cristandade, tirando o foco do Criador.

É por causa disso que pessoas creditam bênçãos a “santos” e agradecem a eles por milagres e bênçãos, mas essas pessoas – que já morreram – nem têm como dar ou fazer nada, pois não têm poder nenhum.

Paulo, por exemplo, costumava ser o que mostrou em suas epístolas. Anulava-se e mostrava Deus nele. Por isso o apóstolo nunca pensou que um dia teria um título de “santo”, que fundariam cidades com seu nome e que ergueriam catedrais em homenagem a ele. Se ele tivesse como escolher, obviamente rejeitaria isso, coerente com seu papel e sua entrega ao Senhor Jesus.

“A prova da fé não está nos milagres e nas bênçãos que aconteceram quando o mensageiro pregou. Ela está na fidelidade dele para com Deus. Milagres são resultado da fé das pessoas que creram em Deus, não da fé do mensageiro. A mensagem é, sempre foi e sempre será maior do que o mensageiro. Graças a Deus pelos mensageiros, mas devemos ser muito mais gratos e fiéis à mensagem”, finaliza o Bispo.

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Autor

Nubia Almeida