A grande guerra
O ano era 1943. Restavam 2 anos para a guerra terminar, mas ainda faltava muito a acontecer.
Tom e Vincent eram amigos de infância. Viviam na Polônia, porém, apenas Vincent era judeu. A amizade deles era forte e saudável.
O tempo foi passando, e Vincent montou sua fábrica de meias. Conheceu Mary, que foi apresentada a ele por uma amiga, e logo se viram apaixonados. Os dois se casaram em 1938, 1 ano antes da Segunda Grande Guerra. Apesar disso, todos ainda mantinham a expectativa de que aquela sangria iria acabar logo e assim passariam a reconstruir suas vidas.
A perseguição
Mas não foi bem isso o que aconteceu. A Alemanha de Hitler, cada vez mais poderosa, invadiu a Polônia, baixando um decreto de que todos os judeus deveriam se apresentar para se ‘cadastrarem’. Vincent e Mary, juntamente com milhares de judeus poloneses, obedeceram à ordem.
No estádio, lotado de pessoas que não sabiam o que iria acontecer com o seu futuro, os oficiais dividiam em grupos:
– Quem tem família numerosa passa para a direita. – muitas pessoas passaram para este lado. Vincent e sua esposa passaram para o outro.
No lado da família numerosa estava Peter, sua esposa e quatro filhos. Eles também eram amigos de Vincent e Tom. Horas depois, Vincent e Mary receberam documentos de identidade e foram encaminhados para algumas fábricas para trabalhar.
A essa altura, a empresa de Vincent fora tomada de suas mãos, e sua casa, grande e confortável, invadida e apreendida pelos nazistas. Praticamente todos os judeus foram obrigados a viver em guetos minúsculos e miseráveis. Era a perseguição aos judeus, nua e crua, provocada pelo Terceiro Reich. Todos tiveram de abandonar seus bens, suas coisas de valor, suas casas e vidas estabilizadas.
Tom, no entanto, por não ser judeu, não foi prejudicado. Continuou com sua loja de doces e com a vida intacta, apesar de sua grande tristeza pelo fato do amigo estar correndo grandes riscos de morte.
Depois de um tempo, alguns caminhões chegaram ao estádio, e os judeus de família numerosa, entre eles a de Peter, entraram e nunca mais puderam retornar para as suas residências. Ninguém sabia para onde tinham sido levados, mas havia muitos rumores de que os caminhões levavam as pessoas para campos de concentração distantes dali.
Essas conversas causavam receio entre os judeus, que não sabiam ao certo se aquilo era de fato verdade, afinal, ninguém havia voltado de lá para dar mais informações.
Um dia, porém, Tom fora convocado para trabalhar em um desses campos. Ele viu de perto o que os judeus eram obrigados a passar, por isso não podia deixar de pensar no amigo Vincent e sua família.
As mulheres eram separadas dos homens, e os homens, divididos em pavilhões, realizavam trabalhos diversos. Os que tinham alguma habilidade faziam serviços específicos de sapateiro, funileiro e cozinheiro, por exemplo. Outros iam para os serviços mais pesados, como carregar pedras. Todos trabalhavam muitas horas por dia e recebiam um pedaço de pão duro e uma sopa rala de nabo à noite. Por isso, a cada dia tornavam-se mais raquíticos e famintos. No final de alguns meses, depois que chegavam ordens superiores, muitos deles iam parar nas câmaras de gás, em seguida nos imensos fornos crematórios.edificam:
Tom havia sido convocado pelos nazistas para ajudar em algumas tarefas terceirizadas. Muitos poloneses não judeus trabalhavam nesses serviços por um tempo, mas depois retornavam para suas casas normalmente.
Vincent soube de tudo o que acontecia nos campos pelo amigo, o que o fez arquitetar um plano de fuga para não ter o mesmo fim. Com ajuda de Tom, Vincent construiu uma espécie de bunker, um abrigo subterrâneo, que improvisou em baixo da casa onde passou a viver no gueto. Porque, aos poucos, os moradores eram obrigados a deixar esses guetos e a adentrar nos trens rumo aos campos. Não havia escapatória.
A cada semana, esses lugares espalhados pelo país diminuíam mais e mais. A cada dia, perdiam seus moradores para os campos. Havia quem se matasse, quem desistisse de lutar pela sua antiga vida, e quem enfrentasse a morte iminente escondendo-se. Esses últimos eram poucos. Vincent era um deles.
Continua…
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