Você ainda consegue se maravilhar?
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Quem mora perto do mar, das montanhas ou diante de uma paisagem deslumbrante, muitas vezes se acostuma à beleza.
O lugar que turistas cruzam oceanos e atravessam países para contemplar torna-se apenas parte da rotina.
Aquilo que um dia despertou admiração, aos poucos, passou a ser visto sem encanto, sem atenção.
Da mesma forma acontece na vida.
Um dos maiores riscos dos relacionamentos é a familiaridade excessiva.
Acostumamo-nos tanto ao casamento, à família, aos amigos, que deixamos de perceber a beleza do que temos. A comunhão vira rotina, as conversas ficam superficiais e a presença, que antes era um presente, passa a ser tratada como algo garantido.
Na vida espiritual acontece o mesmo.
Deus está sempre presente, sempre disponível.
Então pensamos que podemos orar depois.
A Bíblia pode ser lida a qualquer momento.
Há cultos todos os dias e até transmissões online.
Os milagres transformam-se em expectativas comuns.
E até a cruz, o maior ato de amor da história, às vezes, passa despercebida.
Então, quando o extraordinário deixa de ser contemplado, a admiração desaparece.
E, quando a admiração desaparece, a gratidão também se perde.
Por isso, não nos acostumemos à beleza do que temos.
Não percamos a sensibilidade diante do que é sagrado.
Não tratemos como comum aquilo que é profundamente maravilhoso.
Que lutemos para manter o coração desperto, os olhos atentos e a alma sensível.
Porque há uma grande diferença entre olhar e enxergar.
E a verdadeira beleza da vida continua sendo revelada àqueles que nunca perdem a capacidade de se maravilhar.
Você ainda se maravilha com o que tem?
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