Onde a nossa jornada começou
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Onde a nossa jornada começou…
O sol de Tel Aviv havia recém acordado quando chegamos diante da Torre da Fé. Ali, entre prédios modernos e antigos e muito trânsito, a Torre surgiu como um pronto-socorro espiritual, lembrando que a perseverança de quase 30 anos foi recompensada com o primeiro prédio próprio.
Na reunião de boas-vindas, cada rosto trazia histórias diferentes, mas o mesmo desejo: caminhar por onde Deus falou e ainda fala com o mundo.
Partimos rumo a Beer Sheva, onde Abraão viveu como peregrino, ergueu o altar e cavou o poço como quem cava promessas. Ali, o patriarca invocou o Nome do Senhor com ânimo e observou cada movimento à sua volta para não perder nada da comunhão com Ele.
Tratou bem os seus vizinhos, como quem sabe que Deus observa cada ato.
Em Beer Sheva, o chão quente parecia guardar memórias antigas dos passos dos patriarcas, pactos feitos à sombra de tamargueiras, orações, casamentos, encontros…
Vimos o deserto onde Hagar e Ismael andaram errantes. O vento seco parecia repetir a pergunta da mulher aflita: “Será que Deus me vê?”
E do deserto silencioso, ela e todos que clamam são respondidos.
Eu Sou o Deus que vê.
O Deus que encontra.
O Deus que abre fontes onde só há areia.
E que abre os nossos olhos para as dádivas que estão diante de nós.
O hotel no deserto era simples, mas cheio de detalhes ancestrais. Aprendemos com os beduínos a hospitalidade que acolhe até inimigos.
Eles nos ensinaram que abrir a tenda é abrir o coração, e que quem recebe estrangeiros recebe Deus sem saber.
Foi tão bom! Também tivemos coragem de subir nos camelos e caminhar pelo deserto ao pôr do sol.
Quando a noite caiu, o deserto ficou tão escuro que parecia sem fim. Como o velho Abraão, saímos das tendas para contemplar o vasto céu estrelado. Como Jacó, ungimos a pedra com o nosso azeite e fizemos um voto confirmando a decisão de viver como peregrinos da fé neste mundo para sempre.
No fim da noite, a fogueira acendeu-se como um pequeno sol no meio da areia.
Quem ainda tinha forças sentou-se ao redor, partilhando histórias, risos, memórias e marshmallows queimados com gosto da infância.
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