Cresci vendo isso
Leia e medite na mensagem de hoje
Cresci vendo mamãe carregar o mundo nas costas. E não era exagero, não. Era vida real; realidade nua e crua. Se ela soltasse, ninguém segurava. Caía tudo e até nós mesmos.
Não tinha pra onde correr, não tinha pausa, não tinha esse “luxo” de escolher o próprio tempo. Era trabalhar. E trabalhar. E trabalhar mais um pouco.
Acordava cedo, dormia tarde, e ainda sorria no meio do caos, fazendo crochê, caminhando com as linhas do ponto de cruz e trançando os cordões do macramê. Cinco filhos, dois trabalhos e um casamento difícil.
E ela ali, firme, carregando a dor dobrada, amassada, escondida no bolso. Porque a luta era tanta que não dava tempo de sentir, chorar, ou reclamar.
A esperança de dias melhores sempre esteve guardada no peito, acesa, resistente, viva. E essa esperança foi a chama que não apagou. E foi o que não deixou mamãe desistir.
A realidade de muitas mulheres é dura. Não é poesia bonita, não. É sobrevivência. É levantar mesmo quando o corpo pede repouso e a cabeça pede um ombro. Mas, vi desde muito cedo que a mulher carrega tanto nas costas não porque nasceu pra isso, nem porque gosta da pressão.
É porque, no fundo, ela não tem alternativa. Precisou virar força, pilar e chão da família. E agora eu entendo que as mamães não carregam o mundo nas costas porque querem ou gostam.
Elas carregam porque, se não carregarem, o mundo desaba. Não é? Quem cresceu vendo isso, entende bem.
English
Espanhol
Italiano
Haiti
Francês
Russo