Você sabe qual o momento de dar uma pausa?

Por Katherine Rivas / Fotos: Fotolia

Anos atrás, apenas os executivos e pessoas com altos cargos, agendas lotadas e desgastes na vida corporativa chegavam ao limite da disposição – e da energia – por conta da grande quantidade de afazeres diários. Atualmente, com as transformações sociais e a tecnologia, as cobranças deixaram de ser apenas presenciais e migraram para os grupos de WhatsApp e e-mails corporativos, que podem ser acessados dos celulares. Dessa forma, a separação entre a vida profissional e a pessoal ficou confusa.


Hoje, os consultórios estão lotados de pacientes jovens, com idade entre 20 e 30 anos, vítimas da Síndrome de Burnout. Você sabe o que é isso? Ela ocorre quando há uma grande exaustão capaz de afetar a produtividade e a saúde.

A palavra burnout significa “queimar até o fim”, ou seja, a pessoa chega ao total desgaste físico e mental.

O aspecto profissional sofre grandes impactos. A psicóloga Érika Nakano, mestre em psicologia social pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que a síndrome possui três dimensões: exaustão, esgotamento de recursos e despersonalização – que ocorre quando o profissional se distancia e trata com frieza o cliente e os colegas, além da baixa autoestima e da autoavaliação negativa do trabalhador.

No Brasil

Uma pesquisa feita pela International Stress Management Association do Brasil (Isma-BR) aponta que 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem esta síndrome. No entanto, ela é rotineiramente confundida com outras patologias, entre elas a depressão.

Fabíola Luciano, psicóloga e especialista em terapia cognitiva-comportamental pela USP, explica que o profissional workaholic (viciado em trabalho) vai na contramão do profissional que sofre com o burnout. “O workaholic busca e deseja trabalhar. No caso do burnout, a pessoa não quer mais ficar naquele trabalho, mas há várias questões pelas quais ainda permanece na situação de exaustão e não consegue sair”, esclarece.

Em busca de destaque profissional, muitos funcionários mascaram seus sintomas para não afetar a produtividade. Em casos crônicos, a exaustão pode levar ao afastamento do serviço ou até mesmo à demissão. “A pessoa está transtornada e continua trabalhando, mas um dia ela pode não conseguir nem levantar para trabalhar ou ter uma crise de choro. Nessas horas, o afastamento é necessário”, acrescenta Fabíola.

Segundo Erika, as mulheres apresentam índices elevados de exaustão emocional, enquanto os homens apresentam a despersonalização.

Já a terapeuta Fabíola Luciano acredita que as mulheres são mais vulneráveis pela dupla jornada: trabalho e lar.

As especialistas dizem que o grupo com maior risco é o formado por profissionais que têm contato direto com as pessoas: médicos, enfermeiros, professores, assistentes sociais, policiais, bombeiros, jornalistas e vendedores. A vulnerabilidade aumenta pelo desgaste no cuidado com o outro. No entanto, o crescimento da síndrome também ocorre em outros setores de atuação.

Os sintomas vão desde o esgotamento físico e emocional até agressividade, isolamento, problemas de concentração e memória, ansiedade, baixa autoestima e tristeza.

Ela pode causar, ainda, dor de cabeça, sudorese, palpitação, insônia, crises de asma e distúrbios gastrointestinais. A diferença com a depressão é que a Síndrome de Burnout apresenta exaustão no seu diagnóstico.

Identificar o problema a tempo é importante para evitar despersonalização ou abandono da profissão.

Para Erika, o grande desafio em tempos de crise no Brasil, em que as pessoas dividem o tempo entre dois ou três empregos, é saber a hora certa para parar e repousar. “Percebo erros de limitação entre o tempo de trabalho e o de descanso. Conheço profissionais que trabalham muitas horas, mas não conseguem se desligar na hora de descansar. Precisamos parar de levar trabalho para casa”, defende

Fabíola conclui que é necessário entender as prioridades e repensar as consequências do excesso de carga profissional. “Avalie o quão importante o trabalho é para você, como está se sentindo, como acorda para ir trabalhar todo dia. Esteja atento e não seja o tipo de pessoa que se reduz a acordar, trabalhar e dormir. Isso é prejudicial.” Por último, ela recomenda que se abra espaço para outras atividades que proporcionem prazer, como passar tempo com a família e os amigos, e atentar para realmente estar focado nessas atividades quando acontecerem e não pensando no trabalho.

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