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Você já ouviu falar em “deep fake news”?

Por Daniel Cruz / Foto: Reprodução

O termo fake news (notícias falsas) - utilizado para designar informações falsificadas que são espalhadas pelas redes sociais e por parte da mídia – é recente, mas a prática ocorre desde o começo da história da humanidade.

E nos dias atuais, toma formas cada vez mais elaboradas, tornando difícil descobrir o que é verdade e o que é mentira de imediato.

As fake news ocorrem por diversos motivos: podem ser utilizadas para prejudicar a imagem de alguém ou de alguma instituição, há casos em que elas ocorrem por causa de uma má apuração da mídia ou de pessoas sobre o assunto. Algumas notícias falsas também são produzidas para influenciar cenários políticos-financeiros. E esses boatos ganham força quanto mais as pessoas os compartilham e os aceitam como “verdades”.

Deep fake news

Mas, com o desenvolvimento da inteligência artificial em computadores, agora, não somente textos podem espalhar as fake news, como também, vídeos, fotos e áudios. É a chamada deep fake news (falsificação profunda de notícias).

Melhor do que descrever como isso funciona, é mostrar. No vídeo abaixo, por exemplo, pesquisadores da Universidade de Washington mostram um aplicativo que mapeou as expressões faciais do ex-presidente dos Estados Unidos, Barak Obama. Depois do mapeamento, ele conseguiu reproduzir o mesmo discurso de Obama em um outro vídeo gerado por computador. Do lado esquerdo da tela, está o vídeo original, do lado direito o falso. Confira:


O falso poderia se passar como “verdadeiro” com muita facilidade, não é mesmo? Pode parecer algo de ficção científica ou de um futuro muito longínquo, mas não é. Há aplicativos similares a esse que podem ser facilmente adquiridos por pessoas comuns.

A própria ex-primeira dama, Michelle Obama, também se tornou alvo de um vídeo similar a esse, produzido por outra pessoa. Entretanto, no caso dela, a situação foi lamentável: nas imagens ela aparecia se despindo. O vídeo foi publicado no Reddit, um famoso fórum online onde os usuários compartilham os mais diversos tipos de informação.

Problemas para um futuro próximo

Talvez, você já deve estar pensando nos problemas que isso pode gerar na sociedade. Por meio dessa tecnologia, em um futuro próximo, poderão surgir notícias falsas não mais em forma de meros textos espalhados pelas redes sociais, mas sim no formato de vídeos e fotos.

Imagens geradas por computador poderão criar situações - no mínimo – constrangedoras para políticos, celebridades e até instituições, por exemplo.

À procura de uma solução

É por esse motivo que o tema tem preocupado autoridades, especialistas e figuras públicas ao redor do mundo.

Por exemplo, cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) estão estudando a propagação das notícias falsas pela internet.

Segundo uma apuração da BBC Brasil, o meio político daqui possui, pelo menos, 8 anos de experiência no uso de redes de comunicação entre "usuários fantasmas" do Facebook e do Twitter. O trabalho desses personagens criados já nas eleições de 2010 era fazer oposição política, compartilhar opiniões partidárias e até gerar fake news caso fosse necessário. Um dos entrevistados, que teve a identidade preservada pela reportagem, explicou que a principal técnica é falar de coisas que não podem ou são difíceis de serem apuradas por terceiros.

No dia 6 de março desse ano, o especialista em segurança do Centro de Análise de Política Europeia (CEPA, da sigla em inglês), Edward Lucas, se pronunciou aos políticos da Grã-Bretanha, no continente europeu, alegando que atualmente não há um preparo para lidar com as deep fake news no Governo.

Como lidar?

Assim, o cenário futuro para a disseminação de informações na internet se torna cada vez mais nebuloso para todos. A orientação de especialistas ainda é que as pessoas não compartilhem informações pelas redes sociais de maneira impulsiva e que conheçam melhor as fontes dessas informações e seus interesses.

Sobre esse tema, em seu blog, o Bispo Renato Cardoso escreve: "Pessoas que usam sua inteligência mais plenamente procuram compreender e não são rápidas para julgar. Rotular alguém por uma coisa que ouviu sobre ele, nunca figura em suas mentes. Elas não acreditam em rumores, principalmente nesta era de fake news, grupos de interesse e juízes graduados em redes sociais. Quando querem formar uma opinião, elas têm um olhar de 360 graus. Procuram conhecer o máximo possível sobre este alguém — sua história, suas escolhas e motivações. E se isso não for possível, suspendem seu juízo e aguardam o tempo mostrar. Elas não procuram apenas aquelas informações que confirmem seus preconceitos."

Por isso, faça um filtro das informações que você encontra espalhadas por aí. Uma história possui dois lados, cuidado para não dar ouvidos apenas para o lado que deseja enganar.

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