Você conhece os riscos dos sabonetes antibacterianos?
Empresas americanas terão um ano para se adequar aos componentes. No Brasil, a Anvisa avalia possível revisão da regulamentação
Ir ao supermercado e escolher um sabonete antibacteriano, com o objetivo de proteger a saúde da família, pode não ser tão seguro quanto parece. Pelo menos é o que alerta a Agência Americana de Medicamentos e Alimentos (Food and Drug Administration, a FDA, em inglês), que proibiu a utilização de 19 componentes encontrados nesse tipo de produto.
O órgão alega que substâncias como o triclosan, comum em sabonetes líquidos, e o triclocarban, encontrado em sabonetes em barra, podem prejudicar a saúde, pois estão vinculadas ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer e problemas no sistema imunológico. Os fabricantes terão até um ano para se adequar às novas regras.
Para Janet Woodcok, diretora da divisão de drogas da FDA, “alguns dados sugerem que os ingredientes antibacterianos podem fazer mais mal do que bem a longo prazo”. Ela acrescenta: “os consumidores pensam que os sabonetes antibacterianos são mais eficientes para evitar os germes, mas não existe evidência científica de que sejam melhores do que água e sabão comum.”
De acordo com a Anvisa, no Brasil, existem 215 produtos com triclosan e 110 com triclocarban. Com relação à decisão da FDA, o órgão destacou que tomou conhecimento dos recentes dados e está estudando a necessidade de revisão da regulamentação.
Diante dos riscos que as substâncias podem trazer, a a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) orienta o consumidor a não adquirir produtos com essas substâncias.
Procedência duvidosa
Em 2012, a própria Proteste avaliou 12 sabonetes antibacterianos no intuito de eliminar quatro bactérias. Entre as vilãs, estavam a Pseudomonas aeruginosa, que provoca infecção hospitalar, a Serratia marcescens, que prejudica o sistema respiratório e urinário, Staphylococcus aureus, causadora de infecções de pele, e a Escherichia coli, presente no intestino e nas fezes humanas. Quanto aos resultados, quatro não tinham ação bactericida e pelo menos cinco continham os elementos agora proibidos em território norte-americano.
Eliminação
A questão que envolve o uso de sabonetes antibacterianos é que, além da eficácia ser colocada em xeque, o uso frequente induz à substituição da flora bacteriana normal por uma população mais resistente. No entanto, o uso pode ser recomendando em tratamentos específicos.
No geral, lavar as mãos com água e sabão dá conta do recado. A própria FDA avaliou o hábito como relevante, pois esse é um dos passos mais importantes que um consumidor pode tomar para evitar doenças e prevenir a transmissão de germes a outras pessoas.
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