Vítima de boato na internet tem medo de sair de casa
Uma foto com uma acusação falsa recebeu milhares de compartilhamentos e prejudicou a vida de toda uma família. Entenda a importância de apurar a veracidade das informaçõe
Ao mesmo tempo que a tecnologia avança e deixa as pessoas mais informadas, ela também pode virar uma arma perigosa na mão daqueles que querem propagar a mentira. Há algumas semanas, uma foto de um homem viralizou nas redes sociais com a declaração de que ele seria estuprador e sequestrador de crianças. Por conta disso, o acusado, o serralheiro Carlos Luiz Batista, de 39 anos, e sua família passaram a ser perseguidos.
Na descrição da imagem, que teve milhares de compartilhamentos no WhatsApp e Facebook, não aparece o nome de Carlos, apenas sua imagem e o falso alerta dizendo que a pessoa da foto é um estuprador, mora em uma mesquita, na Baixada Fluminense, e tem um carro Fox preto.
Revoltado e com medo, o rapaz ficou semanas sem sair de casa. “Isso tudo é uma farsa, estão acabando com a minha vida. Minha família toda está sendo ameaçada. Não posso mais sair de casa por causa de uma mentira”, afirmou a vítima em vídeo em que publicou e no qual aparece com toda sua família ao fundo.
Apavorado com as ameaças, ele registrou uma queixa na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). “Está aqui a ocorrência que fiz na polícia. Sou um homem de bem, não sei nem que mesquita é essa que falam. Eu sou trabalhador, tenho família, estou impedido de viver por causa de calúnias de pessoas sem responsabilidade, que compartilham esse tipo de coisas”, acrescentou na gravação.
Após a veiculação desse material, aconteceu o que o serralheiro chama de “divulgação do bem”. Outros milhares de pessoas compartilharam o vídeo e, agora, Carlos tenta voltar à sua vida normal.
Casos semelhantes
Infelizmente, ele não é a única vítima de mentiras que são propagadas nas redes. Muitas pessoas têm sido alvo de boatos on-line, que prejudicam não só a imagem pessoal como também pode levar a tragédias. Em 2014, a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, foi agredida até a morte por dezenas de moradores de uma comunidade no Guarujá, litoral de São Paulo.
Ela foi linchada após divulgarem um retrato falado em uma página do Facebook com acusações de magia negra e sequestro de crianças. A acusação se referia a outra mulher, que morava no Rio de Janeiro. Os participantes do linchamento foram condenados, mas nada vai tirar a dor da família que perdeu Fabiane de forma cruel e injusta.
Por isso, é preciso tomar muito cuidado com tudo o que se lê nas redes sociais. Antes de acreditar ou espalhar informações que podem ser falsas, é necessário apurar e checar os fatos, ou seja, saber quem escreveu aquilo, se realmente é verdade, se há interesses pessoais naquela informação e qual a procedência da fonte.
Não se permita ser enganado, use a internet com consciência e inteligência.
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