Uma igreja sonhada e desejada

Antes da fundação da Universal, o Bispo Edir Macedo precisou decidir até onde estava disposto a ir para cumprir o propósito de ganhar almas

Imagem de capa - Uma igreja sonhada e desejada

Antes de existir a Igreja Universal do Reino de Deus, o Bispo Edir Macedo era um jovem com planos para o futuro. Depois do batismo com o Espírito Santo, porém, suas prioridades mudaram. Cresceu nele o desejo de evangelizar e levar a outras pessoas a mensagem da salvação. Conheça detalhes dessa história.

Onze anos e uma negativa

O chamado de Deus era claro, mas a oportunidade não vinha. Edir Macedo era desacreditado e não recebia espaço para evangelizar. “Não me consideravam com ‘unção’ nem para abrir e fechar portas na hora dos cultos”, escreveu no livro Nada a Perder 1. Casado com Ester, pai de Cristiane e funcionário público, ele tinha uma vida encaminhada, mas não conseguia exercer aquilo que acreditava ter sido chamado a fazer.

Durante 11 anos na Igreja Nova Vida, no Rio de Janeiro (RJ), onde iniciou sua caminhada cristã, ele esperou por uma chance. Em 1975, procurou o bispo responsável. A resposta foi negativa. Ele, então, decidiu sair.

Falta de oportunidade e revolta

Edir Macedo seguiu nas missões ao lado de seu cunhado Romildo Soares, que também havia saído da Nova Vida antes, e de Samuel Coutinho, acompanhando-os à Casa da Bênção, na expectativa de que lá receberia a oportunidade de pregar o Evangelho. Os dois foram consagrados pastores; ele, não.

Nesse período, sua segunda filha, Viviane, nasceu com uma má-formação congênita. Essa experiência deu outra dimensão à sua revolta e aproximou-o ainda mais da dor de quem enfrentava doenças e dificuldades, reforçando sua convicção de dedicar a vida ao Evangelho.

Onde houvesse alguém para ouvir

No fim de 1975, o Bispo Edir Macedo se juntou a Soares e Coutinho, que tinham aberto a igreja Cruzada do Caminho Eterno. Ainda funcionário público, ele evangelizava nas folgas e fins de semana, em cinemas alugados e no Coreto do Méier. Com Bíblia, caixa de som, louvor e oração, ele viu o público crescer. Entre os que chegaram para ouvir a Palavra no Coreto estava seu Albino, que, após ver sua esposa ser curada, se tornaria parceiro naquele trabalho.

De um coreto a um endereço

Com o crescimento das reuniões, surgiu a necessidade de um espaço fixo. Seu Albino encontrou, na Abolição, um imóvel onde funcionara uma funerária. “É exatamente isto o que eu quero!”, afirmou o Bispo Edir Macedo. Sua mãe, dona Geninha, ofereceu o apartamento como fiança, e ele deixou 16 anos de funcionalismo público para se dedicar integralmente à evangelização. Ali, em 1978, foi consagrado pastor, aos 33 anos. Dois anos depois, diferenças sobre os rumos da Igreja levaram a uma votação entre 15 pastores: o Bispo Edir Macedo recebeu 12 votos e Soares, três. A parceria terminou, e cada um seguiu seu caminho.

Aquele jovem que durante anos buscara uma oportunidade para pregar tinha, enfim, um lugar para cumprir seu propósito: ganhar almas.

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Autor

Núbia Onara / Fotos: Arquivo e Cedidas