Sua oração não tem tido resultado? Um detalhe pode estar faltando

Para muitos, a oração não passa de um costume religioso, mas, na verdade, ela é o alicerce e as colunas que sustentam um relacionamento profundo e vivo com Deus. Entenda

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Responda sinceramente: quando você enfrenta uma situação difícil, recorre imediatamente a Deus por meio de uma oração ou apela a alguma pessoa? Quando deseja uma bênção, você ora a Ele ou pede que orem por você? Ao buscar o batismo com o Espírito Santo, você O procura diariamente ou apenas quando está na igreja? E, ao lutar pela conversão de alguém que ama, você apresenta essa pessoa a Deus ou coloca sua fé apenas em fotos e peças de roupa para que outros orem em seu lugar? Infelizmente, muita gente confia apenas na oração dos outros e, dessa forma, perde a oportunidade de desenvolver sua própria vida de oração.

O que é orar?

Antes, vamos ao que ela não é: a oração não é um ritual religioso, nem a repetição de palavras comoventes ou um monólogo em que você fala bastante e não obtém nenhum retorno. Muitos dizem que não sabem orar, mas a oração nada mais é do que uma conversa racional e intencional entre o ser humano e Deus. E, além disso, é algo pessoal e intransferível.

Na Bíblia Sagrada com as Anotações de Fé do Bispo Edir Macedo, há uma explicação, com base em Tiago 5:13: “Nos momentos de aflição, necessitamos buscar forças para suportá-la sem esmorecer na fé. As Escrituras Sagradas nos ensinam a orar ao Todo-Poderoso. A oração que realizamos no Nome do Senhor Jesus nos faz chegar a Deus, pois é a demonstração da nossa fé. Quando a pessoa apresenta suas queixas e suas aflições por meio de uma oração sincera, as suas palavras se elevam aos Céus trazendo a resposta divina (1 Tessalonicenses 5:17)”. Por isso somos instruídos, em Filipenses 4:6-7, a não permitir que a inquietação por alguma coisa nos aflija:

“(…) antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus”.

Por que parece difícil?

A oração é um canal direto de comunicação com Deus sem intermediários, sem espera e sem barreiras. Ainda assim, muitos deixam de orar: existem aqueles que acreditam que Ele já sabe de tudo; há quem ache que Deus ouvirá mais a oração de outra pessoa do que a sua; alguns consideram o assunto pequeno demais para levá-lo a Ele; outros se apoiam na correria para encobrir a preguiça; e há ainda quem já tenha se cansado de orar e acredite que suas orações nunca são respondidas. Isso, no entanto, não é verdade, pois não há oração sem resposta. Quando oramos, Deus sempre nos responde: com o “sim”, quando recebemos o que pedimos; com o “não”, que também é uma resposta, pois Ele sabe o que é melhor para nós; e com o “ainda não”, que significa que a resposta positiva virá no tempo certo.

Todavia a falta de uma vida de oração revela muito mais do que parece: pode ser sinal de orgulho, prepotência, fé enfraquecida, falta de confiança em Deus, medo de mudar, desânimo, esfriamento espiritual ou negligência com a própria alma e até com a vida cotidiana. Também pode ser reflexo da sensação de autossuficiência, da incredulidade ou das distrações do mundo. Esses sinais mostram o quanto alguém está distante de Deus e vivendo como se não precisasse d’Ele para nada. E há apenas um caminho para vencer tudo isso: orando.

Como orar

Para obtermos o resultado para o que buscamos, devemos pedir da forma correta (Tiago 4:3). Na oração do Pai Nosso o Senhor Jesus nos deixou um modelo. Não se trata de um texto a ser decorado e repetido, mas um exemplo de como conduzir nossas orações (veja mais na página 19). Assim, a oração pode ser dividida em três partes:

Adoração: é o reconhecimento da grandeza de Deus e uma atitude que expressa reverência e humildade (Mateus 6:9).

Pedido: é o motivo de iniciar a conversa, como desabafar, pedir algo, compartilhar planos, buscar direção ou agradecer uma bênção recebida (Mateus 6:10-12).

Agradecimento: por crer que Ele responderá a oração cumprindo à vontade d’Ele (Mateus 6:13).

Sabe quando você conversa com alguém e um assunto vai levando a outro tão naturalmente que, quando você se dá conta, já passaram muitas horas? Isso também acontece quando temos prazer na oração e entendemos o papel dela no relacionamento com Deus. Por isso, a sinceridade, a entrega, a intencionalidade, a verbalização e a racionalidade também são fundamentais nesse momento.

E, como foi dito anteriormente, a oração não é um monólogo em que você fala e ninguém ouve: ela é uma conversa. Por isso aprendemos em Provérbios 28:9 que “o que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável”. A oração requer troca: você ouve a Deus e Ele ouve a sua prece. Até porque orar é confiar que Deus está ouvindo e pode atender. Essa confiança só é possível quando se conhece a Palavra d’Ele.

Priorize a sinceridade

“As orações sinceras são tão preciosas diante de Deus que são colocadas em taças de ouro (Apocalipse 5:8). O Senhor Jesus mostrou a importância da oração quando disse que devemos orar sempre e nunca esmorecer (Lucas 18:1). É impossível receber as respostas de Deus quanto às Suas promessas e, sobretudo, manter a Salvação, sem uma vida de oração.”

Trecho contido na Bíblia Sagrada com as Anotações de Fé do Bispo Edir Macedo sobre o versículo de 1 Tessalonicenses 5:17.

Quando recorrer à oração

A oração é para todas as pessoas e para todos os momentos. Orar é contar para Deus seus medos, o que o está deixando ansioso e suas preocupações. É pedir direção, livramento e proteção. É agradecer pelas bênçãos, pelas oportunidades e até mesmo pelas situações difíceis cujo propósito você ainda não entende. Afinal, “a oração de um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago 5:16).

Por isso Daniel escolheu pagar o preço de ser jogado na cova dos leões, em vez de deixar de orar (Daniel 6:6-23). Ele sabia que nada, nem mesmo uma lei, poderia estar acima da comunhão com o Senhor. Ele poderia murmurar, brigar ou se esconder, mas escolheu orar por reconhecer que a oração é o melhor recurso ao viver um momento de incerteza. Assim, ele deixou o problema nas mãos do Único que poderia resolver aquela situação e Deus resolveu e o protegeu na cova dos leões.

Isso reforça que a oração não é uma prática religiosa, mas um relacionamento. Ao orar não buscamos apenas soluções para os nossos problemas, mas buscamos, acima de tudo, intimidade com o Pai. Quando o apóstolo Paulo ensinou que a verdade, a justiça, a preparação do evangelho da paz, a fé, a salvação e a Palavra de Deus compõem a armadura do Senhor (Efésios 6:11-17), ele também mostrou como nos revestirmos dessa armadura:
“Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica” (Efésios 6:18).

O seu poder

Quando lemos em Marcos 11:24 que “todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis”, não significa que a resposta virá logo depois que dissermos “Amém”. Pelo contrário: na maioria das vezes, a oração não muda a situação como num passe de mágica, mas muda você!
Por exemplo: se a tristeza pela perda de um ente querido tem lhe consumido, a oração lhe trará consolo (Mateus 5:4). Se a angústia diante das incertezas do futuro pesa na alma, a oração lhe concederá paz e o lembrará de que “basta a cada dia o seu mal” (Mateus 6:34). Se existe falta de direção, a oração o ajudará a discernir o caminho que deve ser seguido (Provérbios 16:1-3). A oração tem o poder de tornar milagres reais, mas, antes, ela traz paz, força e direção, mudando primeiro nossa perspectiva antes de
mudar a circunstância.

Só posso orar sozinho?

A oração é comunhão. Estar na igreja, com aqueles que também abraçaram a fé ensinada pelo Senhor Jesus, é fundamental e uma prática cristã desde a igreja primitiva (Atos 1:14). E não há nenhum problema em ter alguém se unindo a você em oração em momentos específicos. A Bíblia mostra exemplos disso: Abraão intercedeu por seu sobrinho Ló e por Sodoma e Gomorra (Gênesis 18:20-33); Isaque orou por Rebeca, que era estéril (Gênesis 25:21); Moisés intercedeu pelo povo por seu pecado (Êxodo 32:11-14); Ester se uniu aos judeus em jejum e oração para interceder por suas vidas (Ester 4:16); Jó orou por seus amigos (Jó 42:10); e o próprio Senhor Jesus intercedeu por nós no passado (João 17:9-26) e continua sendo nosso Intercessor (Romanos 8:34 e Hebreus 7:25).

Orar pela família, pela nação, pelos amigos e pela igreja é importante, assim como receber orações. Afinal, somos instruídos a orar até por quem nos persegue (Mateus 5:44). Mas ter alguém intercedendo por nós é ter alguém somando forças à nossa oração e não um aval para negligenciar essa responsabilidade. Nada substitui o poder da oração que você faz por si mesmo e o seu relacionamento pessoal com Deus.

Orar sem cessar

Portanto não deixe de falar diretamente com Deus. E, mesmo que pareça que a situação não muda, continue orando. Em Colossenses 4:2 encontramos a orientação de perseverar em oração e, na Bíblia Sagrada com as Anotações de Fé do Bispo Edir Macedo, ele explica que “Paulo exorta os convertidos a se aplicarem continuamente à oração, pois nela há muito poder e eficácia. (…). Com certeza, por causa da oração, Deus já nos livrou de muitas situações de perigo, assim como livrou nossos familiares. Por isso, nunca devemos subestimar o poder da oração, pelo contrário, ela deve fazer parte do nosso dia a dia”.

Acompanhe a seguinte comparação: a respiração é tão natural que quase nunca percebemos quando inspiramos e expiramos. Mas basta deixarmos de respirar por alguns segundos, seja por prender o ar, seja por alguma obstrução, para sentirmos imediatamente a falta de ar. E há quem carregue sequelas por ter ficado apenas alguns minutos sem respirar. Assim também é com a oração: ela não deve ser tratada como uma simples tarefa diária, mas como algo essencial para nossa sobrevivência.

Orar sem cessar é manter um diálogo contínuo com Deus, sobre qualquer assunto e em qualquer momento. Seja de joelhos ou em pé, com os olhos fechados ou enquanto trabalha, dirige ou caminha. Orar é assumir a responsabilidade de falar diretamente com Deus sem intermediários e sem formalidades. É ir ao Pai com confiança, certo de que Ele tem poder para agir em toda e qualquer situação.

A verdadeira espiritualidade

Enquanto a religião valoriza a prática externa da piedade, o Evangelho considera valiosos atos feitos em secreto para Deus. Veja abaixo alguns ensinamentos que mostram a verdadeira espiritualidade:

• A oração coletiva ou pública não substitui a oração particular. Aliás, se orar não é um hábito no dia a dia, é pura hipocrisia realizar esse ato somente diante das pessoas (Mateus 6:5-8);
• A prática da justiça precisa ser feita diariamente, mas não com o propósito de aparecer para as pessoas (Mateus 6:1);
• As ofertas para Deus e as contribuições para o próximo devem ser feitas de forma discreta, sem atrair o reconhecimento dos outros (Mateus 6:2-3); e
• O jejum não pode ser uma oportunidade para exibir sacrifício pessoal e santidade. Aquele que jejua deve evitar que o seu ato transpareça aos demais (Mateus 6:16-18).

Comentário descrito na Bíblia Sagrada com as Anotações de Fé do Bispo Edir Macedo sobre o versículo de João 1:48.

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Colaborador

Laís Klaiber / Foto: ChristianChan/getty images