“Somos alinhados com o governo em tudo o que é bom para o Brasil”

Marcos Pereira, deputado federal e vice-presidente da Câmara dos Deputados, fala à Folha Universal sobre seu trabalho em prol do povo brasileiro

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Atualmente primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados e do Congresso Nacional, em Brasília, o deputado federal Marcos Pereira assumiu a presidência nacional do Republicanos (ex-PRB) em maio de 2011, na qual permanece, reeleito pela segunda vez e vai exercer o cargo pelos próximos quatro anos. Ele conduziu as eleições em 2012, coordenando a campanha de Celso Russomano para a Prefeitura de São Paulo.

É também advogado e Bispo licenciado da Universal. Em maio de 2016, foi nomeado ministro da Indústria e Comércio Exterior e exerceu o cargo por quase dois anos e saiu em janeiro de 2018 para coordenar as eleições daquele ano, no exercício de presidente do partido do qual é filiado, e se dedicar à candidatura para deputado federal, sendo eleito. Ele conta com exclusividade à Folha Universal sobre seu trabalho na política e o que o levou a representar o povo junto ao Parlamento.

Como é exercer um cargo político?
Eu gosto muito de duas frases sobre isso. A primeira é de Platão: “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, mas eles serão governados por aqueles que gostam”. A segunda, de Martin Luther King Jr.: “O que me preocupa não é o grito dos maus; é o silêncio dos bons”. Então, se você não está nos debates para influenciar as decisões políticas, vai cumprir as decisões de outros.

Fui estimulado por membros do partido a me candidatar. Em 2014, eu tinha a impressão de que ainda não era o momento, mas estava equivocado. Além do mandato, que está em seu primeiro ano, tive o apoio para ser eleito primeiro vice-presidente da Câmara e do Congresso, o que me permite debater temas maiores e mais profundos. Como presidente de partido você tem força e influência para participar dos debates sobre o que é necessário para o País, mas elas são limitadas. Como deputado, a participação é feita de dentro.

O fato de ser ministro antes lhe deu mais noção disso?
Sem dúvida. Me abriu muitas portas para debates sobre comércio exterior tanto no Brasil quanto fora (16 países), onde estive com agentes de governo dessas nações e dirigentes de multinacionais que investem no Brasil, buscando recuperar a economia, gerar empregos e renda. Isso, além do preparo, me deu a exata dimensão da importância de ter um mandato e assim me coloquei à disposição e aqui estou.

Pode falar de algumas realizações neste primeiro ano?
Propusemos um projeto de lei em setembro de 2019 que moderniza a Lei de Informática, que permitiu ao Brasil ser hoje o segundo maior fabricante de celulares do planeta. O Brasil precisava adequá-la aos padrões mundiais. O presidente da República abraçou o projeto que apresentamos, viu que era benéfico ao País e o sancionou. Com isso, poderemos manter as empresas multinacionais do ramo no País, gerando empregos e tributos. Elas poderiam ir embora, caso a lei não recebesse adequações.

Outros projetos foram apresentados e estão em fase de análise para aprovação, como um para agilizar o registro de patentes, hoje muito lento, o que colocará o Brasil em igualdade com outros países nesse sentido.

Além da área econômica, outras são contempladas?
A família, por exemplo. Hoje, um casal declaradamente pobre tem direito à gratuidade do casamento em cartório, que costuma ser bem caro. Isso é, de certa forma, constrangedor para muitos, que deixam de oficializar seus casamentos. Assim, propusemos que seja gratuito para todos. Outra área é a dos pequenos e médios municípios. Conseguimos liberar recursos para várias prefeituras, principalmente para educação, saúde e infraestrutura.

AS PAUTAS QUE O GOVERNO DEFENDE ESTÃO EM HARMONIA COM AS QUE  O SENHOR DEFENDE ATÉ QUE PONTO?
Elas estão alinhadas até 80%. Nos 20% restantes há algumas divergências, mas são discutíveis, pois isso faz parte da democracia. Alinhamento não significa subserviência, dizer “amém” a tudo que o governo diz, mas convergir, avançar e debater sobre o que discorda para, assim, chegar a um acordo. Numa família, por exemplo, não há concordância em 100% das ideias, mas elas precisam ser discutidas de forma madura para se chegar a um meio-termo e todos avançarem juntos, senão vira uma grande confusão e ninguém sai do lugar.

Com um país acontece o mesmo.

Então o Republicanos apoia o governo Bolsonaro?
Eu diria que somos alinhados com o governo em tudo o que é bom para o Brasil. Não precisamos concordar com tudo, mas apoiar as pautas que são essenciais, fazer as críticas construtivas necessárias é uma forma de estar ajudando a fazer o Brasil avançar. O governo acerta em muitas questões, mas erra em outras. Imagine que você tem um irmão ou um grande amigo que apoia muito. Quando vê que ele está se desviando um pouco, você não o adverte? Claro, adverte sim.

O SENHOR DISSE QUE EM AO MENOS 20% HÁ ALGUMAS DIVERGÊNCIAS. PODE SER MAIS ESPECÍFICO?
Algumas declarações de membros do governo causam inquietação a nós e aos brasileiros. Quando um deles, em tom de crítica, comenta sobre a ida de empregadas domésticas à Disney, por exemplo, isso vem até contra a nossa fé, a dos leitores da Folha Universal – a de que as pessoas podem melhorar de vida, se superar em todos os sentidos, ir à Disney e aonde mais quiserem. Foi uma fala infeliz do ministro Guedes, que inclusive pediu desculpas. O papel do Congresso é fiscalizar o Poder Executivo, é uma exigência da democracia. O vereador fiscaliza o prefeito, o deputado estadual faz o mesmo com o governador e o federal com o presidente, mesmo aliados.

NA SUA AVALIAÇÃO ESSE PARLAMENTO É O MAIS REFORMISTA DA HISTÓRIA?
Não sei se da História, mas é reformista. Aprovamos com um número surpreendente de votos a reforma da Previdência em 2019, extremamente necessária, a mais ampla que já existiu na história do Brasil. Nela é contemplada, entre outras questões, a idade mínima para a aposentadoria, que antes não existia. Poucos países no mundo não a têm. Debatemos agora a reforma tributária – que afirmo que vamos realizar – e uma administrativa. Além disso, há três Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que estão no Senado e irão para a Câmara – PECs dos Fundos, do Pacto Federativo e a Emergencial, fundamentais para o equilíbrio fiscal das contas públicas e o desenvolvimento econômico do País. O clima que percebo entre líderes dos partidos e deputados de todas as matizes políticas é bem favorável a essas propostas.

JUIZ das GARANTIAS E PRISÃO APÓS CONDENAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. QUAL A POSIÇÃO do SENHOR?
O juiz das garantias é uma função que já existe em muitos países e, no Brasil, na cidade de São Paulo, há mais de 30 anos. O juiz que atua no inquérito policial não pode atuar no julgamento, no processo propriamente dito. Isso dá mais garantias ao cidadão, tanto que o presidente, que é, como nós, um defensor do combate à corrupção, sancionou. Vamos acompanhar agora como isso será implantado.

Sobre a prisão após condenação em segunda instância: o Republicanos concorda plenamente com ela, mas não que fosse aprovada como projeto de lei, o que seria inconstitucional – e posso dizer isso com minha experiência de advogado. Mas, da forma como está sendo feito, uma proposta de mudança na Constituição, é correta. Estamos avançando bem nesta pauta.

O senhor diz que “um país grande tem que dar passos grandes”. O Brasil está fazendo isso?
O Brasil é um País complexo. Queiramos ou não, gostemos ou não, está polarizado, o que dificulta um pouco esses passos. Aprovamos, como eu já disse, reformas extremamente necessárias, entre outras que aprovaremos. São passos em um ritmo razoável, mas que
pode melhorar.

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Redação / Foto: Wilson Dias/Agência Brasil e divulgação