Sem internação, sem remédio e de graça

Tratamento para a Cura dos Vícios, que acontece todos os domingos na Universal, já beneficiou mais de 3 milhões de pessoas. Saiba mais

De acordo com o mais recente relatório mundial sobre drogas emitido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) em 2022, cerca de 284 milhões de pessoas na faixa etária entre 15 e 64 anos usaram drogas em 2020, 26% a mais do que em 2010. Por se tratar de um problema de saúde pública de nível internacional, as ações de combate parecem ser insuficientes. Ainda segundo o relatório, mesmo com a elevação do número de apreensões de drogas pelas autoridades, há um crescente aumento na produção de entorpecentes.

O problema é ainda mais sério do que parece, uma vez que afeta não apenas o adicto (a pessoa viciada), mas também as que convivem diretamente com ele e que acabam se tornando codependentes. Em busca de soluções, elas investem valores altos e até vendem bens para custear um tratamento em clínicas de reabilitação, mas, por se tratar de uma doença definida como crônica, progressiva e fatal, o resultado, na maioria das vezes, dura pouco ou nunca é obtido.

Você já pensou se fosse possível fazer um tratamento que não exigisse internação nem medicamentos, fosse totalmente gratuito e aberto a todos que sofrem direta ou indiretamente por causa dos vícios e ainda garantisse que o vício tem cura? Esse tratamento existe e acontece todos os domingos, às 15 horas, nas sedes estaduais da Universal nos 26 Estados do Brasil, no Distrito Federal e em mais 50 países.

O Pastor Adriano Moraes, que é responsável-geral pelo Tratamento para Cura dos Vícios na Universal e realiza a reunião na capital mineira, destaca que a Universal trabalha contra os vícios desde sua fundação. Desde 2012, porém, os trabalhos foram intensificados e mais de 3 milhões de pessoas já se libertaram dos vícios no Brasil e em outros 50 países.

Moraes explica que o foco desse tratamento não é a substância, mas o que está por trás da dependência: o “espírito do vício”, que estimula na pessoa o desejo e a dependência em algo. Como exemplo, Moraes cita uma pessoa com dependência em jogos, que, mesmo não inalando nem injetando uma droga, tem os mesmos sintomas da pessoa viciada em cocaína ou crack. “Por isso nós trabalhamos para arrancar o causador, que chamamos de espírito do vício, e defendemos a tese de que o vício tem cura”, reforça.

Independentemente do tempo que a pessoa esteja no vício ou do tipo dele, Moraes diz que a cura só pode ser alcançada com uma decisão: fazer o tratamento e seguir a disciplina, que requer obediência. “Uma vez que a pessoa recorra à Palavra de Deus, o resultado é eficaz e transformador”, garante.

Em um cabo de guerra
Durante a reunião da Cura dos Vícios realizada em 26 de março na Catedral da João Dias, na zona sul de São Paulo, o Pastor João Oliveira, responsável pelo trabalho no local, destacou que a perseverança é uma qualidade imprescindível quando se luta contra o vício. Ele afirmou que “quando a pessoa persevera, ela não se intimida” se, por exemplo, o problema apresentar uma piora enquanto ela luta contra ele, pois entende que isso acontece para fazê-la desistir do objetivo de ver uma mudança. Por outro lado, quando a pessoa perseverante está vendo bons resultados, ela não se conforma só com melhoras e quer a transformação total. Por isso, ela não desiste nem fica reclamando da situação.

O Pastor Oliveira disse que a pessoa que luta contra os vícios é como aquela que está em uma disputa do tipo cabo de guerra: de um lado está a força do vício e do outro está a força de Deus. “Vai vencer quem você obedecer mais. Se você desobedece a Deus, então a força do vício vai ganhar e Deus abre até mão porque Ele não pode intervir, afinal, é uma questão de decisão, de escolha sua, mas, no momento que você decide obedecer a Deus, o vício é amarrado e Deus (a força da cura) ganha”.

Credibilidade resgatada
Desde a primeira vez que participou da reunião do Vício Tem Cura, o engenheiro e empreendedor Renan Nascimento dos Santos, (foto abaixo) de 38 anos, conta que teve a certeza de que estava ali a possibilidade de se livrar completamente dos vícios. Por dez anos, ele foi viciado em maconha, haxixe, mesclado, cocaína, ecstasy, cola, lança-perfume, tiner, bebidas e cigarro. As drogas entraram em sua vida quando ele tinha apenas 19 anos e, na época, funcionaram como uma válvula de escape. “Com as drogas, eu tinha uma falsa sensação de bem-estar, mas era tudo falso, inclusive eu, que sempre me apresentava nos ambientes profissionais, familiares e acadêmicos sorrindo, mas era tudo hipocrisia, porque eu estava sempre sob o efeito de alguma substância. Eu era um poço de tristeza por dentro e isso só me deixava cada vez mais descredibilizado em tudo que fazia e com todos com os quais convivia”, diz.

Renan conta que se libertou do vício logo na primeira semana que participou da reunião. Para ele, o resultado rápido é fruto de sua disposição em obedecer às orientações passadas pelo pastor quanto aos comportamentos diários que ele deveria adotar para ter uma vida que agradasse a Deus.

Há nove anos sem vícios, Renan relata que recuperou a credibilidade que tinha perdido por causa da dependência em drogas. “Hoje eu tenho paz, alegria, um casamento e filhos abençoados. Meus familiares presenciaram um antes e um depois na minha vida”, comemora.

O Tratamento para Cura dos Vícios é aberto a todos, independentemente de religião ou crença. Encontre o endereço mais próximo de você em seu Estado na página 32.

imagem do author
Autor

Núbia Onara / Fotos: Guilherme Branco e cedida