Saudosismo Global da Corrupção Petista
Ganhou destaque nas mídias sociais a fala de um comentarista de um canal de televisão que pauta seu jornalismo no ataque sistemático ao governo federal. O jornalista fala com saudosismo da época em que, nos governos do Partido dos Trabalhadores (PT), a corrupção tinha um padrão mais elevado. As estatais eram saqueadas por grandes empresas, empreiteiras com transações internacionais.
Hoje, segundo o infeliz comentário, não temos mais a corrupção glamourosa nos padrões hollywoodianos. Voltamos ao padrão tradicional de corrupção. Para o jornalista da Globo News, representa o “fundo do poço”. Na ocasião, ele fez um comparativo dos escândalos de corrupção da época em que éramos governados pelo PT com uma investigação que apura supostos funcionários fantasmas no gabinete de um vereador.
A corrupção no Brasil é uma erva daninha plantada quando ainda éramos uma colônia político-econômica de Portugal. A história relata que, em 1808, d. João aceitou como “presente” de um traficante de escravos uma mansão ao desembarcar nas terras tupiniquins. O objetivo era muito claro: conseguir vantagens da Coroa portuguesa. A plantação foi fecunda e a colheita, no dizer de Demétrio Magnoli, foi glamourosa. O Império instalado na Colônia distribuiu muito mais títulos de nobreza do que a monarquia portuguesa.
Quem não conhece a famosa “Carta do Achamento do Brasil”, a carta de Pero Vaz de Caminha? O documento fora dirigido ao rei de Portugal, d. Manuel I. Para proteger as informações nele contidas, ele foi classificado como secreto. Com as notícias que tratava das terras, que mais tarde seriam chamadas de Brasil, o escritor pediu um emprego para o próprio sobrinho.
Portanto, suborno, nepotismo, sonegação de impostos e falsificação de documentos não são coisas novas na nossa história. Segundo o Fórum Econômico de 2017, o Brasil é o quarto país mais corrupto do mundo, perdendo apenas para a Venezuela, a Bolívia e o Chade. Até quando seremos conhecidos como um país onde a corrupção domina e prevalece? Não temos capacidade de reescrever nossa história?
Qual o caminho e quais atitudes devemos adotar para mudarmos esse rótulo?
Nenhum ato corrupto pode ser aceitável ou tolerado. A corrução sempre deve ser evitada, penalizada e reprimida. Um canal de televisão que deixa ecoar saudades de um período em que grandes episódios de desvio de verbas públicas eram a pauta cotidiana colabora com a construção de um novo capítulo da história? Estamos caminhando para o fundo do poço por que o novo governo não dá mais o desprazer desse tipo de notícia?
A impressão que fica é de que as notíciais hollywoodianas de corrupção beneficiavam de alguma forma este canal de televisão. Seria o repasse de dólares em espécie ocorrido dentro de uma emissora de televisão uma boa notícia para elevar o padrão? A probidade e a ética que o atual governo estão desenvolvendo incomoda alguns grupos de comunicação? São reflexões como essas que todos que querem mudar o perfil do Brasil devem se fazer.
Por que não projetamos uma nova era? Desvios e falcatruas de recursos públicos devem ser evitados e punidos tanto quanto “furar a fila”, estacionar em fila dupla ou aceitar algum dinheiro em troca de voto. Todo ato que viola a honestidade, provocando uma vantagem em cima de outra pessoa, constitui um ato de corrupção. Um governo que combate a corrupção, a evita ou tenta fazer o que é o certo deve receber o nosso apoio. O Estado, o setor privado e toda a sociedade devem ter como princípio de conduta a honestidade e não a vantagem sobre o próximo.
O Brasil tem um dos piores índices de educação no mundo. Um dos caminhos para nos livrarmos de todos os padrões de corrupção é a educação. Sem instrução de qualidade, que ensine e crie nas pessoas o hábito de pensar e refletir, não conseguiremos chegar à sociedade justa e honesta que desejamos.
Denis Farias é advogado, consultor jurídico e membro da OAB do Pará
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