Saúde mental no trabalho e a influência por trás de crimes em sequência

Casos registrados em empresas paulistas reacendem o debate sobre como a violência pode influenciar pessoas emocionalmente vulneráveis e reforçam a importância da saúde mental e da prevenção de conflitos no ambiente de trabalho

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A saúde mental está entre os principais desafios da atualidade. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2025, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais no Brasil, o maior número já registrado.

Em meio a esse cenário, dois ataques em ambientes de trabalho, registrados com apenas dois dias de diferença, chamaram a atenção pela semelhança dos casos e despertaram um debate que vai além da violência.

No dia 1º de agosto, um funcionário terceirizado matou três colegas em uma fábrica de produtos de limpeza, em São Bernardo do Campo. Dois dias depois, um açougueiro atacou colegas de trabalho em um supermercado de Jundiaí, deixando três pessoas feridas.

  • Confira abaixo a reportagem do caso em Jundiaí:

O segundo caso ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de que o suspeito teria afirmado, em depoimento à polícia, que ganhou coragem para colocar seu plano em prática depois de acompanhar o ataque ocorrido na fábrica em São Bernardo. Embora as investigações ainda estejam em andamento, a declaração levou muitos internautas a levantar a mesma pergunta: um crime pode influenciar outro?

A influência também pode ser negativa

Assim como atitudes positivas inspiram outras pessoas, comportamentos violentos também podem exercer influência. Esse fenômeno é conhecido como efeito de imitação (copycat effect)¹ e vem sendo estudado há décadas por pesquisadores da Psicologia e da Criminologia.

Isso não significa que uma notícia provoque novos crimes. No entanto, especialistas explicam que pessoas emocionalmente fragilizadas podem interpretar episódios de grande repercussão como uma validação para pensamentos agressivos que já existiam.

Um dos exemplos mais conhecidos são os ataques em escolas. Ao longo dos anos, estudos apontaram que a exposição constante dos autores poderia estimular novos episódios. Por isso, muitos veículos de comunicação passaram a reduzir o destaque dado aos agressores e priorizar informações sobre prevenção, apoio às vítimas e conscientização.

Um ambiente saudável faz diferença

Independentemente das conclusões das investigações, os episódios também reforçam a importância de construir ambientes de trabalho mais saudáveis.

Essa preocupação ganhou ainda mais força com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir que as empresas identifiquem, avaliem e gerenciem os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho, como parte do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

Com isso, respeito, diálogo e canais de escuta ajudam a prevenir conflitos e incentivam colaboradores a buscar ajuda antes que problemas emocionais se agravem. Além disso, empresas que investem em conscientização e apoio psicológico fortalecem uma cultura de cuidado e acolhimento.

Prevenir também é cuidar

Levar informação é uma das formas de incentivar esse cuidado. Com esse objetivo, o Grupo Depressão Tem Cura (DTC) realiza um trabalho voluntário em empresas e instituições por meio de palestras sobre saúde mental.

  • Com duração aproximada de 50 minutos, os encontros abordam temas como depressão, ansiedade, estresse, prevenção dos transtornos emocionais e a importância de buscar ajuda.

A iniciativa busca conscientizar colaboradores e gestores, incentivar o diálogo e contribuir para ambientes de trabalho mais equilibrados e acolhedores.

Confira como são realizadas as palestras nas empresas:

Além das palestras, o grupo disponibiliza o SOS Depressão Tem Cura, um canal gratuito de acolhimento e orientação para pessoas que enfrentam sofrimento emocional.

Os atendimentos e o agendamento de palestras podem ser feitos pelo telefone (11) 3573-3662 (ligações como mensagens, através do WhatsApp).

¹ Towers S, Gomez-Lievano A, Khan M, Mubayi A, Castillo-Chavez C (2015) Contágio em Massacres e Tiroteios em Escolas. PLoS ONE 10(7): e0117259. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0117259
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Colaborador

Ester Lima | Foto: iStock