Reclamação: um veneno que destrói a sua vida
A murmuração não é apenas um desabafo. Quem reclama de tudo pode frustar planos pessoais e prejudicar o seu futuro
Muitas pessoas acreditam que reclamar de tudo é um hábito inofensivo e, por isso, elas se lamentam em relação ao clima, ao trânsito, à economia e a qualquer coisa que lhes ocorrer.
Pesquisas recentes, contudo, acendem um alerta quanto a essa prática: um estudo da Universidade de Harvard, publicado no periódico JAMA Psychiatry, revelou que a gratidão não é só um sentimento nobre, mas um fator de longevidade.
O levantamento mostra que mulheres que cultivam o hábito de serem gratas têm 9% menos chances de morrer por diversas causas, quando comparadas às pessimistas. Essa avaliação científica confirma o que a Bíblia ensina há milênios. Lemos em Provérbios 17:22: “O coração alegre é como o bom remédio, mas o espírito abatido seca até os ossos.”
Os males da murmuração
Além dos danos físicos, a murmuração é, acima de tudo, uma afronta à autoridade de Deus. O Bispo Renato Cardoso salienta que esse hábito pode ser uma maldição silenciosa que muitos nutrem dentro de si mesmos e nem percebem. “Os murmuradores serão passíveis de juízo da parte de Deus porque a murmuração é uma afronta a Deus. É como dizer que Deus está fazendo um péssimo trabalho, que Deus não é bom e que as palavras d’Ele não são verdadeiras. Tudo isso está embutido nas murmurações: que Deus não é justo e que Deus não vê”, explica.
O Bispo destaca que a forma ainda mais perigosa desse pecado é a murmuração silenciosa, ou seja, aquela que acontece só no tribunal do pensamento. “O murmurador fica se queixando internamente e tendo pensamentos contra as pessoas que ele acha que lhe fizeram mal. Ele não pensa que é ele o principal responsável por sua sorte”, afirma.
O exemplo do deserto: fale o que é bom ou se cale
A história bíblica do povo hebreu no deserto é o maior exemplo de como a reclamação gera estagnação. A viagem que deveria durar pouco tempo tornou-se uma peregrinação de 40 anos. Enquanto Moisés olhava para as promessas com olhos espirituais, o povo reagia ao que era visível e focava só na escassez.
Como ensina o Bispo Renato, a murmuração é o oposto da fé: “Se você vai falar, fale algo bom. Se não tem nada de bom para falar, fique calado. Se você vai pensar, pense algo bom. Não traga maldição para si mesmo. Um dia você vai dar conta de todas essas palavras que falou e pensou”.
Vício que impacta a saúde e as ações
A psicóloga Camila Galhego explica por que o ser humano tem essa inclinação quase “viciante” para o aspecto negativo. Segundo ela, o cérebro humano está moldado no sistema neuronal primitivo, focado na sobrevivência e na reação a riscos. “O homem primitivo precisou viver em estado de alerta para se proteger. Hoje não vivemos mais em selvas, mas o cérebro aprendeu a enxergar sempre o pior como medida de proteção”, diz.
Esse mecanismo cria um “filtro mental”. Quando a pessoa se vicia em reclamar, ela avisa seu sistema biológico que está em perigo constante. O resultado é um desequilíbrio químico: o corpo ativa altos níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e isso derruba o sistema imunológico e abre portas para doenças como depressão e até dores crônicas, como a fibromialgia. “A negatividade molda nossos sentimentos e a forma como agimos. Uma pessoa que pensa negativamente sempre vai agir de forma autodestrutiva”, ressalta Camila.
O atraso comportamental
Somada ao desenvolvimento do adoecimento, a murmuração trava a vida prática. No ambiente profissional, a pessoa reclamona dificilmente é mantida em cargos de confiança; já no círculo familiar, o mau humor é contagioso e afasta
as pessoas.
Analisando o exemplo bíblico da saída dos hebreus do Egito, Camila observa que a diferença de comportamento entre Moisés e o povo ilustra bem essa questão: “Moisés alimentava crenças positivas nas promessas de Deus, enquanto o povo carregava a herança carnal de traumas e negatividade”.
Ela reforça que a gratidão é um exercício diário de “flexibilidade cognitiva”, ou seja, da capacidade de aceitar outros tipos de pensamentos. Ela se apoia nos relatos bíblicos para exemplificar essa tese: “Jesus nos convida a viver em novidade de vida se decidirmos girar a roda da nossa mente, independentemente do que vivemos lá atrás”.
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