Quem cuida de quem cuidou? Os desafios da solidão na terceira idade

Entenda a importância da convivência, da divisão de responsabilidades e das redes de apoio para o bem-estar da pessoa idosa

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O envelhecimento da população traz consigo novos desafios para as famílias e para a sociedade. Entre eles estão a organização dos cuidados necessários à pessoa idosa e a manutenção de vínculos sociais que contribuam para uma vida mais ativa e participativa.

Embora envelhecer seja um processo natural, a solidão e o isolamento social atingem uma parcela significativa da população idosa. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 11,8% das pessoas idosas vivenciam a solidão, enquanto aproximadamente uma em cada quatro enfrenta isolamento social.

O problema merece atenção não apenas pelo sofrimento emocional que pode provocar. A falta de conexões sociais também está associada a consequências para a saúde física e mental. Ao mesmo tempo, muitas famílias precisam organizar a rotina para conciliar diferentes responsabilidades com os cuidados necessários aos pais, avós ou outros familiares idosos.

Quando a solidão afeta a saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a solidão e o isolamento social como importantes questões de saúde pública. Evidências reunidas pela entidade associam a falta de conexão social a maiores riscos de problemas cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC), depressão, ansiedade, demência e morte prematura.

Mudanças que merecem atenção

Alterações no comportamento e na rotina da pessoa idosa podem indicar que ela precisa de mais atenção ou até de avaliação profissional. Entre elas estão o afastamento do convívio social, a perda de interesse por atividades que antes apreciava, tristeza persistente e mudanças importantes no sono ou no apetite.

Quem faz o quê?

Organizar as responsabilidades é uma etapa importante quando uma pessoa idosa necessita de auxílio no dia a dia. A participação de familiares, cuidadores, profissionais de saúde e da própria comunidade pode contribuir para que o cuidado não fique concentrado em apenas uma pessoa.

O Guia Prático do Cuidador, do Ministério da Saúde, destaca a importância do envolvimento da família, da equipe de saúde e da comunidade. O documento também ressalta que o cuidador deve auxiliar naquilo que a pessoa não consegue realizar sozinha, preservando e estimulando sua autonomia sempre que possível.

Família

  • participar da organização da rotina de cuidados;
  • manter vínculos, convivência e apoio emocional;
  • auxiliar em questões práticas quando necessário, respeitando a autonomia e a capacidade de decisão da pessoa idosa.

Cuidador

  • auxiliar nos cuidados de higiene, alimentação e mobilidade, conforme a necessidade;
  • ajudar na administração dos medicamentos conforme prescrição e orientação da equipe de saúde;
  • observar alterações no estado da pessoa cuidada e comunicá-las à família ou à equipe de saúde;
  • estimular atividades de lazer e a autonomia nas tarefas que a pessoa ainda consegue realizar.

Acompanhante

  • oferecer companhia e incentivar a convivência social;
  • acompanhar a pessoa idosa em compromissos e atividades do cotidiano;
  • incentivar, quando apropriado, a participação em atividades culturais, físicas e de lazer.

Serviços de companhia

Também existem serviços particulares de companhia para pessoas idosas, algumas vezes divulgados com nomes como “filha de aluguel”. Eles podem incluir acompanhamento em consultas, compras, passeios e outras atividades do cotidiano.

Independentemente da forma de organização escolhida pela família, o cuidado deve considerar as necessidades da pessoa idosa, sua autonomia e a importância de preservar vínculos e oportunidades de convivência.

 O desafio de conciliar trabalho e cuidado

Para muitas famílias, os cuidados com uma pessoa idosa precisam ser conciliados com trabalho, tarefas domésticas e outras responsabilidades. Dependendo do grau de assistência necessário, organizar consultas, medicamentos e atividades do cotidiano pode exigir tempo e provocar sobrecarga em quem concentra essas funções.

Quando possível, distribuir as responsabilidades entre familiares e contar com redes de apoio pode evitar que todas as tarefas fiquem concentradas em uma única pessoa. Nos casos em que há necessidades específicas de saúde, a orientação de profissionais também é importante.

A organização pode incluir desde o acompanhamento em consultas e compras até momentos de conversa, lazer e convivência. O mais importante é que a rotina considere não apenas as necessidades práticas, mas também a participação da própria pessoa idosa nas decisões e a preservação de seus vínculos sociais.

Redes de apoio que fazem a diferença

Além da participação da família, iniciativas comunitárias podem ampliar as oportunidades de convivência da pessoa idosa. Igrejas, centros comunitários, serviços públicos e projetos sociais estão entre os espaços que podem favorecer novos vínculos e atividades em grupo.

Grupos de convivência, oficinas, atividades físicas, corais e iniciativas de inclusão digital, por exemplo, podem criar oportunidades de interação e favorecer a construção de novos vínculos.

Promover um envelhecimento saudável e participativo exige o envolvimento da família, da comunidade e da sociedade. Mais do que oferecer ajuda nas tarefas do cotidiano, é importante criar condições para que a pessoa idosa mantenha vínculos, autonomia e participação social.

Convivência e acolhimento no Grupo Calebe

Entre as iniciativas voltadas à população idosa está o Grupo Calebe Universal, que promove ações de convivência, fé e acolhimento. O trabalho inclui visitas a residências, hospitais, instituições de acolhimento e comunidades.

O grupo também realiza reuniões, passeios, oficinas, atividades físicas e encontros que proporcionam momentos de interação entre os participantes e incentivam o fortalecimento da fé.

Quem deseja conhecer o trabalho do Grupo Calebe pode procurar uma Universal mais próxima ou entrar em contato com uma das Centrais do grupo para obter informações sobre as atividades disponíveis.

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Autor

 Michele Lima/ Fotos: iStock