Quando o “irrelevante” se torna essencial

Letícia Ribeiro se afastou da igreja ainda jovem, mas descobriu, após crises e frustrações, que ignorar a fé não a livrou do vazio interno

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A infância da analista de recursos humanos Letícia Ribeiro, de 29 anos, foi tranquila. No entanto, na pré-adolescência, ela deixou de frequentar a Igreja por considerar que era algo irrelevante e, consequentemente, não guardou o que aprendeu naquele período.

Aos 18 anos, a separação dos pais e a depressão profunda da mãe abalaram sua estrutura e despertaram questionamentos sobre Deus. Ela relembra como reagiu: “O que mais doía era ver o estado em que minha mãe ficou com a depressão. Ela era uma mulher esforçada e trabalhadora e, de uma hora para a outra, estava acamada e sem vontade de fazer nada”.

A partir dali, Letícia decidiu conhecer o que o “mundo” tinha a oferecer. Ao ingressar na universidade, em 2015, ela começou a buscar respostas em novas experiências. Ela diz que frequentava raves e festas praticamente toda semana, consumia bebidas alcoólicas e, ocasionalmente, drogas. Embora tudo parecesse divertido naquele momento, depois ela constatava que seus problemas e o vazio interno persistiam.

Outra dura constatação

Um episódio marcou o começo de uma virada. Ela entrou em coma alcoólico e acordou na casa de uma amiga, mas não se lembrava do que havia acontecido. Foi aí que percebeu que estava se autodestruindo.

Nesse período, com a recuperação de sua mãe, Letícia enxergou um fio de esperança. Em 2017, ela trancou a faculdade, conseguiu um emprego que, segundo ela, lhe deu identidade, conheceu o futuro marido e iniciou um relacionamento saudável e estável.

Ainda assim, o vazio permanecia, como relata: “Eu já tinha tentado preenchê-lo com festas, drogas, amizades ou até o atribuído à doença da minha mãe e, apesar de ter trabalho, amigos, relacionamento e estabilidade, eu não me sentia totalmente completa”.

Tristeza às vésperas de um dia feliz

Às vésperas do seu casamento, o que deveria ser um dos dias mais felizes de sua vida tornou-se um momento desesperador. Ela teve crises severas de ansiedade, foi levada duas vezes ao pronto-socorro e precisou ser internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Ela conta o que ouviu naquela ocasião: “Os médicos disseram que eu estava ansiosa por causa do casamento e da lua de mel, mas não parecia ansiedade de alegria. Eu sentia uma opressão dentro de mim”.

No terceiro dia de internação, recebeu a visita da irmã e de duas obreiras e reproduz qual foi a mensagem que elas lhe transmitiram: “Elas me disseram que Deus estava mais próximo de mim do que a roupa do meu próprio corpo. Aquilo me fez entender que Deus nunca esteve distante. Eu é que precisava aceitar o convite para me aproximar d’Ele e receber as promessas que Ele tinha para a minha vida. Ali já nasceu em mim o desejo de me batizar nas águas”.

Depois de receber alta médica, Letícia decidiu voltar à Igreja e estava determinada a não continuar vivendo com aquela angústia interior.

O Espírito que ela não conhecia

O retorno significou uma oportunidade de recomeço para Letícia. Ela abandonou a mentira, as mágoas, os rancores, não proferiu mais palavrões e, ao mesmo tempo, passou a orar, a ler a Bíblia e a jejuar.

Em seguida, algo começou a chamar sua atenção: o Espírito Santo. Ela detalha como surgiu esse interesse: “Comecei a ouvir falar do Espírito Santo e isso despertou em mim uma grande curiosidade. Perguntei à minha irmã o que era o Espírito Santo e ela se espantou. Eu realmente não sabia. Como nunca tinha me interessado profundamente pelas coisas de Deus, não me lembrava dos ensinamentos da Escola Bíblica Infantil nem das reuniões de domingo”.

Quando lhe explicaram que o Espírito Santo foi enviado pelo Senhor Jesus para que o Próprio Deus habitasse no ser humano, concedendo força, sabedoria e discernimento, e que, ao recebê-Lo, a felicidade seria de dentro para fora, independentemente das circunstâncias, ela entendeu que era exatamente o que buscava.

Ela passou a se dedicar a recebê-Lo com mais obstinação e lia e investia tempo na fé. Em 2020, durante a pandemia, ela participou de uma reunião online e, em um momento de busca, teve a certeza de que estava no Reino dos Céus. Ela sentiu uma paz profunda, uma alegria genuína e o desejo de compartilhar a fé com todos.

Agora ela sabe quem ele é e o tem

Hoje, Letícia afirma que vive uma paz constante, independentemente das situações, e compartilha sua mudança com o leitor: “Antes, tudo estava ruim do lado de fora e por dentro também. E, mesmo quando tudo se resolvia do lado de fora, eu continuava vazia. Hoje é diferente: eu tenho paz e alegria dentro de mim. Mesmo que algo não esteja dando certo, por dentro está tudo bem, porque eu tenho o Espírito Santo comigo”.

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Colaborador

Núbia Onara / Foto: Demetrio Koch