Qual a sua culpa para o fracasso da sua relação?

A falta de cuidado com o próprio interior causa a destruição de muitos relacionamentos. Saiba o segredo de casais que transformaram a vida a dois

Imagem de capa - Qual a sua culpa para o fracasso da sua relação?

Diariamente, os noticiários estampam tristes informações sobre relacionamentos que terminaram em tragédia. Seja por meio da mídia, seja por meio das pessoas do nosso convívio, ouvimos histórias de namoros, noivados e casamentos que são destruídos por abusos, agressões e violência doméstica. Muitas vezes ainda terminam da pior maneira possível: com o assassinato de um dos membros do casal pelo outro, por exemplo.

Mesmo que a vida a dois já tenha sido arruinada por qualquer motivo, muitos são os ex-cônjuges que ainda continuam a agredir de alguma forma aquele que fez parte de sua vida por tantos anos.

Mas será que essas pessoas encontram problemas nas outras apenas para poder justificar suas terríveis atitudes? Quase nunca. Na maioria das vezes são os conflitos internos do próprio agressor os responsáveis por seus atos violentos e até mesmo por sua autodestruição, como vimos em vários casos que se tornaram públicos no Brasil.

Recentemente, uma das tragédias familiares que mais chocaram o País foi a de Sidnei Ramis de Araújo, de 46 anos, que cometeu uma chacina durante a confraternização da virada do ano em Campinas, São Paulo. Ele matou a ex-mulher, Isamara Filier, de 41 anos, o filho, de 8 anos, e mais dez pessoas. E, em seguida, se matou.

Durante as investigações, foi encontrada uma carta em que ele registrava sua vontade de assassinar a ex-mulher por não aceitar o fato de não conviver com seu filho: “Morto também já estou, porque não posso ficar contigo, ver você crescer (…) Filho te amo muito e agora vou vingar o mal que ela nos fez”, escreveu.

Em alguns trechos, o autor do crime demonstrava a raiva que sentia pela ex-mulher e como agiria para consumar o plano: “Toda mulher tem medo de morrer nova, ela irá por minhas mãos! (…) Vou levar o máximo de pessoas daquela família comigo, pra isso não acontecer mais com outro trabalhador honesto.”

Outro caso comentado pela mídia no início do ano foi o do lutador de MMA Jéferson Diego Caetano, de 26 anos, que incendiou a ex-companheira, Renata Rodrigues Aureliano, de 29 anos, em Campestre, Minas Gerais.

Eles teriam discutido horas antes de Jéferson entrar na casa dela com um galão de gasolina e atear fogo em seu corpo. Perturbado pelo sentimento de possessividade, nem ao menos se preocupou com os dois filhos do casal que estavam na casa. Um deles, de 9 anos, assistiu toda a cena.

De acordo com os familiares, a atitude de Jéferson havia sido motivada pelo fato de ele não aceitar a separação que havia ocorrido há cerca de quatro meses. Fora da arena de lutas, ele já tinha histórico de ocorrências policias, como tráfico de drogas. Após confessar o crime, ele foi preso.

Poucos dias antes aconteceu outra situação trágica que mostra as consequências de não estar bem resolvido consigo mesmo. Em Presidente Prudente, São Paulo, uma mulher de 20 anos, que conduzia um Honda Civic, atropelou o marido, de 29 anos, que estava em uma moto com outra mulher na garupa.

Durante o depoimento, a autora admitiu que perseguiu seu marido com o Honda Civic até que a moto dele colidisse em um muro. Para ela, ele mantinha um relacionamento amoroso com a outra jovem e, por isso, agiu motivada por impulso.

Em quem está o problema?

A psicoterapeuta e life coach Eliana Barbosa explica que a agressividade é uma característica típica no comportamento de pessoas que não controlam suas emoções. “Indivíduos inseguros, ciumentos, egoístas, além dos ansiosos e preocupados, precisam observar seus atos impulsivos, sua impaciência e intolerância que podem se manifestar por palavras ou atos ofensivos”, avalia.

Isso acontece porque o agressor acaba sempre penalizando a outra pessoa por não conseguir enxergar seus próprios problemas. “Ela tem dificuldade em lidar com as objeções, não aceita um não como resposta e enfrenta as adversidades com revolta e acusações. Para ela, a culpa é sempre do outro”, argumenta.

A especialista ressalta que as estruturas pessoais e internas, quando estão abaladas por características negativas, como ciúme, medo, insegurança ou qualquer outra instabilidade emocional, trazem consequências trágicas tanto à pessoa agredida quanto ao próprio agressor.

“Todo tipo de violência que é exteriorizada demonstra um grande sentimento de inadequação e de baixa autoestima por parte de quem agride. Ele desconta naqueles à sua volta suas frustrações ou seus problemas existenciais mal resolvidos como se os outros tivessem obrigação de aceitar seus ataques”, diz a especialista.

A psicoterapeuta destaca que a vida a dois é reflexo do relacionamento que a pessoa tem consigo mesma. Por isso, é preciso se preocupar com o próprio bem-estar para garantir a felicidade no casamento. “O primeiro passo é reconhecer suas dores emocionais e buscar apoio para tratá-las. Tudo começa de dentro para fora. Quem se ama, se respeita e se valoriza não cobra amor, respeito e admiração dos outros. O relacionamento passa a ser uma troca de amor e carinho, um compartilhamento de sonhos e realizações, com cumplicidade e amizade.”

Agindo dessa forma, o relacionamento será saudável e ambos terão capacidade para cuidar do outro porque sabem cuidar de si mesmo. “A partir do momento que você volta sua atenção para si mesmo, você se fortalece, se ilumina e se torna carismático e autoconfiante. Você se sente inteiro e começa a atrair para seu convívio alguém também inteiro, um parceiro que seja realmente amigo, merecedor de você”, informa Eliana.

Ciúme

O que fazer para evitar que sua relação termine por causa de problemas interiores? O casal Reginaldo da Silva, de 34 anos, e Josy Santos, de 37 anos (foto ao lado), viram que isso estava para acontecer e procuraram ajuda antes que a vida a dois fosse comprometida.

Reginaldo fazia parte de um grupo de samba e trabalhava nas madrugadas. Por causa das inseguranças da sua esposa com a sua profissão, o casamento seguia em direção à ruína. “Eu não aceitava os assédios que ele recebia nos shows e achava que ele estava ali no palco à procura de outras mulheres”, diz Josy.

A falta de autoestima de Josy fez com que seu ciúme se tornasse excessivo. E, por isso, eles se agrediam física e verbalmente. “Teve um show dele em que eu bebi muito e depois fui tirar satisfação com ele, mas não tive sua atenção por conta da minha embriaguez. Não satisfeita com a atitude dele, dei um tapa em seu rosto e comecei a arranhá-lo com as unhas. Ele me deu um soco no rosto que cortou minha boca e me deixou com o olho roxo”, lembra.

Os problemas interiores de Josy desestruturavam a família e suas atitudes provocavam o marido que também não tinha uma base interna sólida. Por isso, ele acabava agredindo-a.

O casal viveu dez anos de tormentos até que começaram a participar das palestras da “Terapia do Amor”. “Nas palestras fomos aprendendo que tínhamos que mudar, primeiro o ciúme dela teve um fim. Depois eu enxerguei o que eu tinha que mudar, pois eu dava motivos para que ela tivesse ciúme. Então, procurei agir diferente”, conta Reginaldo.

Traumas do passado

Assim como aconteceu com este casal, a “Terapia do Amor” ajuda muitas pessoas a reconstruírem seus relacionamentos destruídos. Os jovens Fernando e Thaiane Midina (foto ao lado), de 24 e 20 anos, respectivamente, passaram por um começo de casamento problemático que os destinou ao fracasso. Eles se casaram bem jovens e imaturos e trouxeram bagagens ruins do passado para a relação.

“No início, eu não sabia lidar com as questões financeiras e desconhecia meu papel de marido. Além disso, eu era impaciente. Não sentávamos para conversar e, quando ela queria dialogar, eu a agredia verbalmente e achava que o maior problema era ela”, diz Fernando. A falta de estabilidade e segurança da parte dele faziam com que os problemas que a sua esposa tinha só aumentassem.

Thaiane entrou no relacionamento ainda adolescente, em busca de segurança para sanar tudo o que ela não teve na infância, pois seus pais eram separados. A jovem sentia a ausência do pai e, como é comum em crianças que crescem sem a figura de um dos pais, isso lhe trouxe insegurança. “Após alguns meses de casados, as brigas em casa eram constantes.

Uma vez ele tentou jogar uma televisão de 29 polegadas em mim. Eu queria matá-lo, pensava em jogar óleo quente no ouvido dele enquanto dormia, tinha muito ódio. Com um ano de casados eu vi uma conversa boba dele com uma mulher nas redes sociais e o coloquei para fora de casa”, lembra Thaiane.

Com a separação, Fernando procurou ajuda nas palestras. “Eu comecei a ouvir e a praticar aquilo que aprendia na ‘Terapia do Amor’ Descobri que o problema não era minha esposa. Vi que eu tinha atitudes erradas. Eu comecei a investir em mim e a mudança no meu relacionamento foi apenas uma consequência. Mesmo de longe a Thaiane começou a me observar, a ver a mudança e me pediu ajuda”, lembra. O casal restaurou o casamento e hoje vive em harmonia.

Referências ruins

Muitas pessoas estão fadadas ao fracasso nos relacionamentos porque trazem consigo pensamentos e atitudes ruins que aprenderam com seus pais. Luis Possa (foto ao lado), de 50 anos, cresceu vendo seu pai ser violento com sua mãe. Ele guardou isso dentro de si e sempre agredia as pessoas com quem se relacionava.

“Eu sabia que era o causador de todas aquelas agressões. Eu era angustiado, depressivo e nunca queria diálogo”, conta Luis. Quando se casou com Elzeni Possa, de 45 anos, tudo se repetiu. As brigas eram ouvidas pelos vizinhos.

Luis saía do controle e dava socos na cabeça e nas costelas da esposa, além de quebrar as coisas em casa. “Cheguei a arrastá-la para fora de casa. Após uma briga, quebrei o braço dela e a deixei passar a noite no frio e na chuva”, diz Luis.

“Todas as vezes que eu batia nela eu ficava transtornado. Ia beber, queria sair daquela situação, mas não tinha forças para isso”, lembra. Esse tormento o levou a tentar o suicídio várias vezes.

Sua esposa já frequentava as palestras da “Terapia do Amor”, então certo dia Luis quis acompanhá-la e começou a enxergar que ele era o causador de tudo aquilo.

Ele identificou que as marcas do seu passado tinham que ser demolidas de dentro de si e começou a mudar seu interior. Hoje, o relacionamento deles está transformado, há diálogo e compreensão entre o casal.

Por onde recomeçar?

No anseio de não fracassar na vida amorosa e mudar o seu destino, muitas pessoas têm procurado ajuda nas palestras da “Terapia do Amor”. “A reconstrução do ‘eu’ significa você se tornar uma nova pessoa inabalável. Uma pessoa que vai ter um casamento, uma família, uma casa sólida”, afirma o palestrante Renato Cardoso.

Imagine que o seu relacionamento é um prédio ou uma casa. Segundo Renato, não se faz uma construção do chão para cima simplesmente. “Primeiro se cava e se lançam os fundamentos. Quanto mais alto os prédios, maiores os fundamentos.

Mas por que isso é necessário? Porque toda construção está sujeita às intempéries, às tempestades e até aos abalos e tremores. Por exemplo, se um prédio tem uma rachadura grande, isso quer dizer que o terreno mexeu e a estrutura não aguentou e a construção ficou comprometida. Por isso, é necessário a reconstrução do ‘eu’ para uma nova vida. Você precisa construir esse ‘eu’ sobre uma base sólida, para que você não seja abalado por nenhuma tempestade da vida”, conclui.

Se você reconhece que há pedras e muralhas impedindo você de se tornar uma nova pessoa, peça ajuda a Deus. Mas lembre-se: Ele vai ajudá-lo naquilo que você não consegue sozinho, contudo, seu esforço é necessário nesse processo. A fé e a força interior são capazes de ajudá-lo a reconstruir o seu interior e lhe dar a base para um relacionamento feliz.

Aprenda mais

Saiba quais os cuidados que você precisa ter com sua vida amorosa nas palestras da “Terapia do Amor”, que acontecem às quintas-feiras em todos os templos da Universal. Encontre o endereço mais próximo em localhost/enderecos

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Colaborador

Por Janaina Medeiros e Michele Francisco / Fotos: Fotolia, Demetrio Koch, Bruno Zanoni e Marcelo Alves / Arte: Eder Santos