Provar que é homem? Como assim?

Por concepções erradas do que significa a verdadeira masculinidade, muitos se sentem pressionados socialmente a ponto de pôr suas vidas em risco por bobagens

Uma pesquisa recente feita em 62 países constatou que a pressão para provar a masculinidade faz muitos homens caírem na armadilha do (desnecessário) comportamento de risco.

O estudo, conduzido por especialistas multidisciplinares da Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, mostrou que essa conduta, que está mais para “macho” do que para “homem”, leva indivíduos de várias idades a tolices como ser mais agressivos, assumir grandes riscos (às vezes sem um motivo justificável), fumar, beber demais, cuidar menos (ou nada) da saúde, usar substâncias ilícitas e nocivas para aumentar os músculos, entrar em brigas fúteis, praticar sexo inseguro e promíscuo, alimentar-se mal, dirigir perigosamente no cotidiano, entre outras práticas ainda menos recomendáveis. Tal conduta pode subtrair seis anos e meio da expectativa de vida da pessoa, segundo os autores.

O mito do “macho man” é tão antigo quanto andar para a frente. Um de seus maiores expoentes foi o escritor norte-americano Ernest Hemingway (1899-1961), famoso adepto de brigas homéricas e sem motivo certo em bares, de beber quantidades industriais de álcool diariamente, de trair suas companheiras, de enfiar-se em conflito armados sem nem mesmo ter sido chamado para eles, de praticar boxe sem um apego real ao esporte e ao exercício e pela disputa em si. Claro, sempre divulgando ao mundo inteiro suas peripécias em seus livros no lamentável estilo “olhem como sou machão”, em uma espécie de antecessor das redes sociais de hoje, nas quais parece ser obrigatório provar algo (mesmo sendo mentira e só para conquistar seguidores).

Enquanto muitos admiram Hemingway até hoje por boa parte de sua realmente ótima literatura (essa, sim, digna de admiração), outros preferem ancorar sua devoção ao mito do pugilista sem causa, do brigão por brigar, do “pegador” que nunca respeitou mulher nenhuma, do beberrão inveterado, etc. Bem, seu narcisismo e o vazio que ele tentava preencher sem sucesso eram tão grandes que o “admirável” machão se matou com um tiro na boca, um patético modo de acabar com uma caminhada que nunca o levou a lugar algum. A imagem do eterno aventureiro caiu para ele mesmo.

Quantos nem mesmo chegam a envelhecer como Hemingway e, ainda jovens, perdem suas vidas tentando provar “macheza” em rachas automobilísticos, imprudências com motos, ingestão de álcool para se exibir ou por pressão dos “amigos” ou outras bobagens como as já descritas neste texto?

Muito se diz que, se o homem seguisse os preceitos dAquele por quem foi criado à Sua imagem e semelhança, teria o verdadeiro sucesso nesta vida e em seu porvir. O rei Davi já falava disso em conselho a seu filho Salomão: “esforça-te, pois, e sê homem. E guarda a ordenança do Senhor teu Deus, para andares nos seus caminhos, e para guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus testemunhos, como está escrito na lei de Moisés; para que prosperes em tudo quanto fizeres, e para onde quer que fores” (1 Reis 2.2-3).

Davi é bem claro: o esforço deve ser para ser homem segundo Deus e não segundo os outros homens em suas concepções “hemingwayanas” que produzem moleques de qualquer idade. A “fórmula” do rei de Israel que venceu Golias é bem simples e acessível: mais foco em Deus e menos no mundo traz como resultado ser um homem de verdade, à semelhança de seu Criador.

Pelo jeito, a masculinidade só é frágil quando a inteligência também é.

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Autor

Redação / Ilustração: Eder Santos