Prevenção ao suicídio também começa com uma conversa

Em 2024, mais de 16 mil pessoas morreram por suicídio no Brasil. Durante o mês de setembro, os números reforçam a importância de reconhecer o sofrimento, quebrar o silêncio e saber onde buscar ajuda

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Nem sempre quem sofre demonstra o que está vivendo. A pessoa trabalha, estuda, conversa e até sorri. Por dentro, porém, pode estar enfrentando uma dor que ninguém percebe, não aparece por fora.

O Setembro Amarelo amplia essa conversa. Além disso, o dia 10 de setembro marca o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Os números acendem um alerta

Os dados mais recentes mostram a dimensão do problema:

  • 16.751 pessoas morreram por suicídio no Brasil em 2024 — o equivalente a cerca de 46 por dia, segundo o SIM/DATASUS.
  • Quase 78% das vítimas eram homens, com 13.047 mortes.
  • Nas Américas, as mortes por suicídio cresceram 17% desde 2000. Segundo a OPAS, essa é a única região do mundo que registrou aumento no período.

Por trás desses números, porém, existem histórias e dores muito diferentes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há uma causa única para o suicídio. Depressão, ansiedade e outros problemas de saúde mental podem fazer parte desse cenário. Além disso, perdas, solidão, conflitos, dificuldades financeiras, doenças, violência e momentos de crise também podem aumentar a vulnerabilidade.

Por isso, é importante prestar atenção ao que muda.

Quando alguém começa a dar sinais

Isolamento, desesperança, mudanças importantes de comportamento e falas sobre morte ou sobre não aguentar mais merecem atenção.

Ainda assim, nem todo mundo consegue dizer claramente que precisa de ajuda. Às vezes, a pessoa teme o julgamento. Em outros casos, não quer preocupar ninguém ou acredita que precisa suportar tudo sozinha.

Por isso, se perceber que alguém não está bem, aproxime-se, pergunte e, principalmente, escute sem julgar. Além disso, incentive a procura por ajuda. Se houver risco imediato de suicídio, não deixe a pessoa sozinha e procure rapidamente um serviço de emergência.

Há onde buscar ajuda

Quem está sofrendo não precisa esperar chegar ao limite. Existem diferentes formas de encontrar acolhimento:

  • UBS e CAPS: oferecem atendimento em saúde mental pelo SUS e podem ser procurados sem agendamento para o primeiro acolhimento;
  • CVV – 188: oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia;
  • UPA, pronto-socorro e hospitais: atendem situações de urgência;
  • SAMU – 192: pode ser acionado em situações de emergência.

Além do atendimento profissional, quem deseja também pode buscar acolhimento emocional e espiritual.

  • Pastor Online: oferece atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, com pastores disponíveis para ouvir, aconselhar e orientar com base na fé. O acesso acontece pelo site universal.org/pastor-online ou pelo aplicativo Portal Universal;
  • Projeto Help: com o lema “Não te julgo, te ajudo”, oferece escuta e apoio emocional, principalmente aos jovens. Além das ações em escolas e espaços públicos, o projeto atende diariamente pelo WhatsApp (11) 2392-6910;
  • Depressão Tem Cura: oferece apoio emocional e espiritual a quem enfrenta depressão, ansiedade e outros sofrimentos. Também é possível solicitar atendimento ou uma visita pelo WhatsApp (11) 3573-3662.

A fé também pode fazer parte do recomeço

Angela Mantovani enfrentou uma depressão profunda e, durante a pandemia, chegou a pensar em tirar a própria vida. Em um dos momentos mais difíceis, porém, lembrou-se de Deus e pediu ajuda.

Depois, ela decidiu buscar um novo caminho e encontrou na fé forças para recomeçar.

A história de Angela mostra que, mesmo quando parece não existir saída, pedir ajuda e se permitir recomeçar pode mudar o rumo de uma vida.

Para quem crê, a fé também pode trazer força e esperança para atravessar os dias mais difíceis. E, muitas vezes, esse recomeço começa quando a pessoa rompe o silêncio e encontra alguém disposto a ouvi-la.

Confira o relato completo abaixo:

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Autor

Ester Lima | Foto: iStock