"Prazer, valor e atenção: quanto mais busquei, menos tive"

Marcada pela rejeição, pelos vícios e por relacionamentos frustrados, Eliana de Souza passou anos tentando preencher o vazio emocional, até ter o encontro que mudou sua história

Imagem de capa - "Prazer, valor e atenção: quanto mais busquei, menos tive"

Por muito tempo, Eliana de Souza, de 49 anos, cabeleireira, tentou encontrar nos relacionamentos o que faltava dentro de si. Ela buscava atenção, valor e acolhimento, mas colecionava frustrações.

“Sempre fui uma pessoa que carregava dentro de mim muito sofrimento e, então, buscava isso nos relacionamentos. Eu me envolvia com as pessoas sempre esperando algo delas, mas isso nunca deu certo, porque era como se ninguém me quisesse. Eu sempre tentava ficar com alguém, mas a pessoa vinha, ficava um tempo e logo me descartava, como se eu fosse um objeto”, conta.

A raiz dessa dor, segundo ela, começou na infância. Aos 9 anos, viu os pais se separarem e passou a conviver com o abandono afetivo da mãe.

Marcas da infância

Ainda menina, Eliana já manifestava a carência em atitudes destrutivas. “Aos 10 anos, já comecei a me relacionar, tive um namoradinho e já tinha experimentado bebida alcoólica; aos 12, fumei cigarro; e, aos 15 anos, experimentei a maconha. Posteriormente, ao longo da juventude, experimentei cocaína e até mesmo, por uma única vez, o crack”, revela.

A necessidade de aceitação passou a comandar seus passos. “Eu acreditava que, para ter amizades, eu precisava agradar. Então, eu fazia de tudo. Tudo o que eu podia fazer pelas pessoas eu fazia para poder ter atenção, para ser reconhecida de alguma maneira.”

Em busca de amor

A mesma carência atravessou sua vida amorosa. De relacionamentos diferentes nasceram seus dois primeiros filhos, quando ela tinha 15 e 19 anos. Mais tarde, ela ainda viveu com o pai do terceiro filho.

“Durante toda a minha vida, eu apostava nisso. Eu queria ter alguém de todas as maneiras. Eu queria ser feliz, só isso. Então vinham as decepções. Só que, como a felicidade não acontecia, fui buscando em outras coisas. Quanto mais eu busquei prazer, valor e atenção, menos eu tive”, relata.

Nesse processo, o álcool se tornou um falso refúgio, pois “quando passava o efeito da bebida, eu me sentia mal, porque, na verdade, achava que aquilo ia acabar com a dor. Mas, quando voltava a mim, continuava com aquela frustração, porque não conseguia resolver o problema. E o vazio continuava”, explica.

No limite da dor

Com dois filhos, Eliana tentou o suicídio pela primeira vez ao ingerir remédios. “Juntei todos aqueles remédios e tomei, porque queria dar cabo da minha vida. Mas, no meio do processo, eu me arrependi, porque, na verdade, eu não queria morrer; eu só queria acabar com aquela
dor”, admite.

Ela foi socorrida a tempo. Porém, em outro relacionamento frustrado, repetiu a tentativa, desta vez por meio da bebida. Bebeu até entrar em coma alcoólico e voltou ao hospital. “Eu só queria terminar com tudo, mas não resolveu nada, não mudou nada”, resume.

A dor também afetava sua relação com os filhos, a quem tratava com frieza. “Eu me tornei, na verdade, uma pessoa muito nervosa e agressiva dentro de casa.”

Um encontro que mudou tudo

A virada começou quando seu filho caçula, aos 4 anos, passou a dizer que via vultos em casa. Assustada, ela aceitou um convite para ir à Igreja Universal, embora resistisse à ideia. “De primeira, eu resisti, eu não gostava da igreja. Mas logo mudei de ideia e pensei: ‘Vou até a Igreja Universal, recebo uma oração e está tudo resolvido’”, recorda.

Naquela noite, porém, algo aconteceu além do que esperava: “Digo que Deus marcou um encontro comigo naquela noite. Eu, que estava tão resistente a chegar ali, naquela mesma noite tive um encontro com Ele. Participei da reunião e já tive paz, coisa que eu nunca havia tido antes”.

Depois disso, o filho nunca mais viu vultos e seu interior começou a mudar. “Cheguei em casa e já não queria mais a bebida, nem fazer mais as coisas erradas que fazia. Tomei uma decisão e falei: ‘Eu quero conhecer mais desse Deus’.”

O fim da carência

Eliana passou a participar de todas as reuniões, especialmente das de libertação, às sextas-feiras, justamente as que, no início, enfrentou maior resistência para frequentar.

Cinco meses depois, ela se batizou nas águas e, algum tempo depois, foi batizada com o Espírito Santo. Desde então, declara ter encontrado o que jamais achou em homens, vícios ou aprovações. “Toda vontade de morrer, de não querer mais viver, todo o desejo pelas drogas, e as coisas ruins que eu carregava do passado, Deus tirou de dentro de mim”, garante.

Ela afirma que, atualmente, sua relação com os filhos é completamente diferente e que a dependência emocional ficou para trás. Mesmo sozinha, já não sente a carência que a consumia. “Hoje eu consigo estar bem, independentemente de ter alguém ou não, porque hoje eu tenho o principal”, afirma.

A mulher que se via descartada resume sua nova condição em uma frase: “Agora eu sou rica, pois tenho a maior riqueza dentro de mim, que é o Espírito Santo”, comemora.

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Colaborador

Núbia Onara / Foto: Cedida