“Por que nasci? por que existo?”
Órfã de pai e mãe desde os 2 anos, Fernanda Viana sofreu maus-tratos, abusos, se tornou alcoólatra aos 10 anos e, aos 14, fez a primeira das seis tentativas de suicídio. Confira a seguir como foi a sua transformação de vida
Aos 2 anos, Fernanda Viana, de 26 anos, ficou órfã de pai e mãe. “No início, fui criada pela família do meu pai, mas fui maltratada. Eu estava no processo de desfraldar. Meu primo, de 10 anos, urinava na cama e não apanhava, mas eu, com 3 anos, sim. Minha mão foi queimada com ferro de passar roupa propositalmente. Eu ficava trancada em um quarto escuro e era rejeitada. Fui morar na Bahia com meus avós, mas eles já eram idosos. Quando eu estava com 4 anos, uma senhora que desejava ser mãe e não conseguia me pegou para criar. Porém, como eu não aceitava ser criada por ela, passei a maltratá-la na frente das outras pessoas”, recorda.
As reações dela eram pautadas pela dor e pela revolta por se sentir rejeitada. “Essa revolta era contra Deus também. Não acreditava que Ele existia. Eu tinha ódio de Deus.”

VÍCIOS E PROSTITUIÇÃO
Aos 7 anos, Fernanda acompanhava os pais adotivos em festas. “Foi quando tomei o primeiro gole de cachaça. Com 8, 9 anos, comecei a fumar cigarro escondido e passei a mentir. Aos 10 anos, eu falava que ia para a casa das amigas estudar, mas ia beber até cair. Aos 14, entrei para o mundo dos vícios em cocaína, maconha, lança-perfume e na prostituição. Fui apreendida cinco vezes porque me envolvia com traficantes. Tinha uma frase que eu dizia com frequência: ‘é hoje que só volto amanhã. Vou beber e usar droga até morrer’. Os vícios foram uma espécie de refúgio. No início, foi uma curiosidade e depois virou uma fuga.”
SEIS TENTATIVAS DE SUICÍDIO
Fernanda começou a “flertar” com a morte: “com 14 anos, peguei uma corda para me enforcar no quarto, porém, minha mãe chegou na hora. Aos 19 anos, engravidei e, quando o pai da minha filha se recusou a me dar um abraço, fechei janelas, portas e tomei todos os remédios da casa.”
Na terceira tentativa ela estava drogada. Suas amigas saíram da casa dela e ela amarrou com força a mangueira do chuveiro no pescoço e apertou tanto que desmaiou. Aos 23, se jogou na frente de um carro em uma avenida. Aos 24, se cortou profundamente com uma garrafa depois de quebrar toda a casa. A última tentativa foi com gás. Ela desmaiou todas as vezes. Nesse meio tempo, sofreu um abuso. “Meu sofrimento não era externo, mas interno. Pensava ‘quero ir embora. Não quero ficar aqui.’ Cheguei a perguntar a mim mesma na frente do espelho: ‘por que você nasceu? Por que você existe?’ Dizia a mim mesma que me odiava. Eu me mordia e me cortava porque não me aceitava.”

CINCO ANOS OU CINCO MESES
Há cinco anos, a mãe de Fernanda a levou para a Universal. “Quando cheguei, o caminho da Fé foi apresentado a mim, mas eu desviava dele. Por isso falo que pior do que viver no mundo é viver o mundo dentro da Igreja. Sempre fui muito sincera com Deus, mas não era séria. Ele quer sinceridade, mas também quer seriedade para que trilhemos o caminho da Fé. Fiquei cerca de cinco anos na Igreja sem pegar firme com Deus. Casamento exige entrega, sacrifício, disposição, interesse e tempo, mas tinha um pé no mundo e outro na Igreja. Ia lá só para resolver problemas”, relata.
Apesar de continuar pecando, mesmo conhecendo a Palavra de Deus, era à Igreja que ela sempre recorria. “A Universal foi a porta que Deus abriu para os sofridos e esta porta sempre esteve aberta para mim. Quando cheguei, estava drogada, maltratava obreiros e pastores. Eu era ignorante, mas a porta sempre esteve aberta para mim, independentemente de quem eu era. Quando vi as portas da Igreja se fechando por conta da pandemia, comecei a me aterrorizar. Não tinha certeza da minha Salvação. Me batizei 12 vezes, ou melhor, tomei 11 banhos, porque só no último me arrependi.” Ela conta que a ficha caiu só há cinco meses, com o início da pandemia.
TRANSFORMAÇÃO
“Essa pandemia foi um alerta para a minha Salvação. Aconteceu um estalo na minha mente. Em 30 de março, me batizei e pus no papel o que precisava entregar a Deus para me casar com Ele. No dia 14 de junho, ouvi um bispo explicar que Deus não exige que sejamos perfeitos, mas exige que a nossa entrega seja perfeita. Fui à frente do Altar me entregar verdadeiramente a Ele. Depois desse dia, tudo mudou. Foi justamente na pandemia que recebi o Espírito Santo e, se não fosse Ele, não teria suportado. Eu estava nervosa e oprimida.”
English
Espanhol
Italiano
Haiti
Francês
Russo