Por que é tão difícil perdoar?
Dias, meses e até anos passam, mas a mágoa continua ocupando espaço no coração. Até quando carregar uma dor que afeta mais você do que a pessoa que a causou?
Falar sobre perdão gera desconforto em muita gente. Muitos não entendem a necessidade de perdoar quando são as vítimas da história. Afinal, qual é o sentido de beneficiar, com o perdão, justamente quem causou a dor?
Esse é um dos questionamentos mais comuns sobre o tema. No entanto, a resistência em perdoar não é racional; ela é guiada pela força dos sentimentos. Quando a dor e a sensação de injustiça assumem o controle, surge a falsa ilusão de que manter o ressentimento vivo é uma forma de punir o ofensor.
O problema é que a mágoa não afeta quem cometeu o erro. Ela age como um peso que aprisiona apenas quem a alimenta. O perdão, por outro lado, funciona como um passaporte para a liberdade, gerando paz e muitos outros benefícios a quem o pratica.
O efeito dominó do perdão
Um estudo publicado em janeiro deste ano na revista científica Nature acompanhou, ao longo de um ano, cerca de 200 mil pessoas em 23 países para identificar o impacto da disposição para perdoar. A pesquisa concluiu que o perdão não é apenas um alívio temporário, mas uma experiência capaz de influenciar diversas áreas da vida:
• Saúde psicológica:
Pessoas mais propensas a perdoar apresentam níveis mais elevados de otimismo, senso de propósito, clareza mental e paz interior.
• Bem-estar social:
O perdão está relacionado a maior satisfação nos relacionamentos, ao aumento da rede de apoio social e a um sentimento de pertencimento.
• Caráter e ações pró-sociais:
A prática do perdão incentiva gratidão, paciência, esperança e disposição para ajudar o próximo.
• Saúde financeira e física:
Ainda que em menor grau, pessoas que perdoam relatam uma percepção mais positiva da saúde física e maior sensação de segurança material.
Diante de um impacto tão amplo, os pesquisadores chegaram a uma conclusão surpreendente: o estímulo ao perdão tem potencial para se tornar uma política de saúde pública.
O preço da mágoa: a estagnação
Quem não perdoa age de maneira contrária ao que Deus orienta. É um prisioneiro do ódio e não conseguirá se reerguer enquanto insistir em se dedicar aos pensamentos vingativos em relação aos seus detratores.
Trecho do livro O Prazer da Vingança, do Bispo Edir Macedo
Se faz tão bem, por que é tão difícil?
A dificuldade de perdoar nasce, principalmente, no coração. Ele se apega à dor e leva a pessoa a focar na ofensa recebida. A cena do que aconteceu passa a se repetir na mente, como um aviso constante de que aquela ferida não deve ser esquecida.
É nesse ciclo que surge o ressentimento, que, como a própria palavra sugere, significa “sentir de novo”. A cada lembrança do que sofreu, a pessoa revive a mesma dor na mente e no coração. Com isso, entra em uma verdadeira montanha-russa emocional: ora sente culpa e tristeza; ora, é engolida pela raiva e pela vontade de dar o troco.
Enquanto isso, à medida que o tempo passa, esses sentimentos vão ganhando força, e o ato de perdoar vai perdendo o sentido. Surge, então, a sensação enganosa de que o perdão é um sinal de fraqueza ou de que o ofensor saiu vencedor da situação.
Mas quem perdoa nunca perde
Para pôr fim a essa prisão invisível, é preciso entender o que o perdão realmente significa na prática. Perdoar não é fingir que nada aconteceu, justificar a atitude do outro nem voltar a conviver com quem lhe machucou, caso não queira. É, na verdade, abrir mão da dor para olhar para frente, como explicou o Bispo Edir Macedo no livro O Prazer da Vingança:
“Perdoar é cancelar a dívida que alguém tem conosco e jamais cobrá-la novamente. Portanto, quem perdoa não se ofende mais e, mesmo tendo oportunidade, não se vinga do seu ofensor”.
Para dar esse passo, é preciso contrariar a própria natureza. O perdão verdadeiro não nasce do coração, mas sim da razão e da firme decisão de obedecer a Deus. Na prática, a salvação da alma humana está condicionada à nossa capacidade de perdoar. Inclusive, o Senhor Jesus ensinou sobre isso na oração mais conhecida da Bíblia:
“Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6:12).
Ou seja, para receber o perdão de Deus, é preciso perdoar aqueles que erram contra nós. Há muitos que estão na igreja, já se arrependeram de muitos erros, mas ainda alimentam a mágoa dentro de si. É exatamente isso que os impede de avançar em todas as áreas da vida, principalmente na espiritual. Muitos ainda não receberam o Espírito Santo porque Ele não pode habitar onde há mágoa, orgulho e ódio.
“Eu quero, mas não consigo”
Para quem decidiu perdoar, mas ainda esbarra na dor, buscar a ajuda de Deus é fundamental. É Ele quem nos capacita a ir além das nossas próprias forças. Contudo, além desse auxílio espiritual, a escolha pelo perdão precisa ser acompanhada de atitudes concretas:
Ore pela pessoa:
A essência do que Jesus ensina em Mateus 5:44 é que devemos amar os nossos inimigos e orar por aqueles que nos perseguem. Colocar quem nos feriu em nossas orações é a primeira atitude para quebrar o orgulho.
Peça perdão:
Se for possível, vá até a pessoa e peça perdão por ter guardado mágoa. Aproveite o momento e diga também que a perdoou pelo ocorrido.
Respeite a rejeição:
Se o seu pedido de perdão for recusado, não há necessidade de se depreciar ou se humilhar para obter a aceitação da outra pessoa. Você fez a sua parte diante de Deus e da sua consciência. Respeite a decisão dela e siga o seu caminho em paz.
Vigie o seu interior:
Fique sempre atento ao seu coração. É preciso blindar a mente para que as lembranças do passado não retornem sorrateiramente e contaminem novamente o seu coração.
Guarde o seu coração
É importante ter em mente que a natureza humana é falha. As pessoas erram umas com as outras e, inevitavelmente, surgirão situações injustas, constrangedoras ou desagradáveis ao longo da vida. Porém, como a Palavra de Deus ensina, é preciso guardar o coração e não permitir que sentimentos ruins se instalem nele.
A verdade é que o perdão deve ser um exercício diário. Assim como o ser humano precisa constantemente da misericórdia de Deus, também deve estar disposto a perdoar quem o fere, tendo em mente que o perdão é o maior bem que podemos proporcionar a nós mesmos.
“Meu desejo era de matar e morrer”

A mágoa virou a vida da professora Denise Souza Farias, de 42 anos, de cabeça para baixo, mas uma decisão a libertou
Início difícil

Conheci a fé em Deus aos 18 anos em um dos momentos mais difíceis da minha vida. Apesar de muito jovem, já carregava muitas marcas, frustrações, decepções, conflitos espirituais e problemas familiares.
Falsa segurança
Ao chegar à Igreja Universal, me senti acolhida, e isso me fez sentir melhor. Essa sensação de bem-estar me levou a acreditar que estava tudo bem e o meu foco passou a ser a área financeira. Eu acreditava que, ao alcançar estabilidade, encontraria segurança e felicidade.
Dependência emocional
Eu era uma pessoa extremamente emotiva e insegura. Não conhecia o meu valor e era dependente das pessoas. Quando conheci meu marido, Fábio, coloquei-o em primeiro lugar. Eu acreditava que minha vida só tinha sentido com ele ao meu lado, e isso me fez muito mal.
Dor da traição
Após 15 anos de casamento, descobri que estava sendo traída. A decepção foi devastadora. Meu coração foi tomado pela frustração, pelo rancor e pela mágoa, o que me levou à depressão profunda, às crises de pânico, à angústia e a um intenso sentimento de culpa.
Desejo de vingança

Fiquei aprisionada por esses sentimentos. Parecia que eu não conseguia enxergar uma saída. Com o passar do tempo, fui alimentando o ódio pelo meu marido e a sede de vingança, com desejo de matar e morrer. Eu chegava a sentir gosto de sangue na boca. Nessa condição, eu fazia terapia e tomava remédios, mas nada resolvia.
O poder do perdão
Nesse período, eu já não orava mais, nem lia a Bíblia ou jejuava. Dois anos depois, quando despertei para minha condição, percebi que precisava de libertação, e ela começou quando decidi perdoar. O perdão não apagou o que aconteceu, mas me libertou das correntes que prendiam o meu coração.
Transformação interior
Ao liberar o perdão, as coisas começaram a mudar. Priorizei o meu relacionamento com Deus e recebi o Espírito Santo. Com Ele em meu interior, passei a ter novos pensamentos, novas atitudes e uma nova maneira de enxergar a vida.
Vida restaurada

Deus me deu uma nova identidade e direção para lutar pelas áreas da minha vida. Meu marido também se converteu e nosso casamento foi restaurado. Deus colocou dentro de mim uma alegria profunda, que não depende das circunstâncias, mas que vem d’Ele.
A dor se transformou em testemunho


Hoje, Denise Souza Farias e seu marido, o engenheiro civil Fábio Souza Farias, de 47 anos, fazem parte do grupo Vício Tem Cura e servem a Deus na Universal João Dias, localizada na Av. João Dias, 1800, Santo Amaro, zona sul de São Paulo, SP.
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