Para onde o orgulho tem levado você?
Esse sentimento é capaz de atrasar o futuro inteiro sem que a pessoa perceba e talvez ele esteja conduzindo você. Descubra
Há sentimentos que aparecem com estrondo no interior da pessoa, como medo, raiva e indignação, e há outros que se instalam em silêncio e criam raízes sem que seu estrago seja percebido. O orgulho pertence a esta última categoria. Ele pode ser identificado por meio de frases como “Eu estou certo”, “Eu não preciso mudar” ou “O problema é o outro” e, enquanto elas são usadas como desculpa, a vida está travada.
O orgulho impede que a pessoa enxergue seus próprios erros, que os reconheça e que se arrependa e, por isso, ele gera atrasos na vida. Pessoas orgulhosas insistem no que não funciona, ficam presas às próprias justificativas e recusam qualquer sugestão de mudança.
Muitas atribuem seus problemas ao azar ou até a Deus, quando, na verdade, o bloqueio está dentro delas: um coração altivo, que não aceita correção. E, quando o orgulho governa, a queda é inevitável. A pessoa está no fundo do poço, e, apesar disso, mantém a aparência de que está de pé. Essa é a verdadeira catástrofe.
Como o orgulho nasce e por que ele é tão perigoso
O orgulho faz parte da natureza humana e não surge de repente. Ele cresce devagar e quase sempre é imperceptível. Às vezes, ele nasce da comparação com os outros, da necessidade de se proteger, de traumas antigos nunca tratados, de elogios que incham a alma ou até do fato de a pessoa se colocar em um pedestal por conta de conquistas legítimas que obteve.
Reconhecer o próprio valor não é um problema. O aspecto negativo é quando ele ultrapassa os limites. É nesse ponto que o orgulho cega. Ele convence a pessoa de que pedir perdão é humilhação e de que reconhecer falhas significa perder poder.
A pessoa não percebe que a aparente força é, na verdade, uma prisão e o que parece proteção se torna isolamento. Ela passa a construir muralhas nos relacionamentos, se arma de argumentos para se defender e, no fim, acaba sozinha, distante dos outros e até de Deus. A Bíblia descreve essa distância com precisão: “Ainda que o Senhor é excelso, atenta todavia para o humilde; mas ao soberbo conhece-o de longe” (Salmos 138:6).
A origem espiritual
O primeiro personagem da história a cair por causa do orgulho não foi humano: foi Lúcifer, que era um anjo. O texto bíblico descreve que seu coração se elevou e o desejo de ser maior do que Deus o levou à queda. A lição é clara: se o orgulho destruiu quem vivia nas alturas, imagine o que faz com quem vive na Terra.
O orgulho tem esse efeito devastador: compromete talentos, destrói oportunidades e traz fracasso às decisões. Ele distorce a capacidade de julgamento, afasta a pessoa de seus princípios e a coloca numa situação da qual dificilmente consegue sair sozinha.
Você se identifica?
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Dificuldade em admitir erros;
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Constante sensação de estar certo;
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Resistência à correção;
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Comparações internas (“Sou melhor do que…”);
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Falta de empatia;
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Incômodo com o sucesso alheio;
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Falta de perdão;
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Sensação de superioridade moral;
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Autossuficiência espiritual; e
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Dureza emocional.
O orgulho que impede a festa
A parábola do filho pródigo, descrita em Lucas 15, é lembrada como a história da restauração do filho caçula rebelde, mas há outro protagonista ali: o filho mais velho, destruído por dentro, embora nunca tivesse saído de casa.
Ele fazia tudo certo, mas nutria ressentimento. Quando o irmão retornou arrependido para casa, ele se recusou a entrar na festa. A festa era de reconciliação, mas ele preferiu ficar do lado de fora – não porque foi excluído, mas porque seu orgulho não o deixava participar.
Ele disse ao pai “esse teu filho”, pois foi incapaz de usar a expressão “meu irmão” e é isso que o orgulho faz: rompe laços e faz a pessoa nutrir mágoas como se fossem troféus.
O mesmo padrão descrito por Jesus em outra passagem se aplica a esse irmão orgulhoso: “E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho?” (Mateus 7:3).
No fim da história, o filho pródigo está restaurado, dentro de casa e com novas chances, ao passo que o mais velho continua do lado de fora, aprisionado pelos sentimentos do próprio coração. A tragédia não foi a rebeldia do mais novo, mas a incapacidade do mais velho de abrir mão do orgulho, ceder e perdoar.
Atualmente, muitas pessoas religiosas caem nessa mesma armadilha: tornam-se juízes dos outros, enquanto vivem de olhos altivos diante de Deus. Mas não à toa está escrito: “Estas seis coisas o Senhor odeia (…) olhos altivos (…)” (Provérbios 6:16-17).
A capa que o orgulho nos obriga a vestir
No cotidiano das relações humanas, o orgulhoso raramente mostra como realmente é. Para não expor fragilidades, ele constrói um personagem: uma capa de segurança, de superioridade ou de autossuficiência. A aparência parece firme, mas o “alicerce” é frágil. Por trás do personagem, há medo de parecer fraco, de admitir falhas, de ser rejeitado, de perder o controle, etc. Por isso, o orgulho usa máscaras. O problema é que elas não curam, apenas escondem feridas. E, quanto mais tempo a pessoa sustenta o personagem, mais longe fica de receber ajuda, de encarar a verdade e de ter acesso ao que poderia transformá-la.
A equação é simples: o orgulho parece proteger, mas só nos aprisiona.
Quando o orgulho se torna maior do que o problema
A história de Naamã (2 Reis 5) confirma essa mesma verdade. Ele era comandante do Exército da Síria, poderoso e respeitado, mas, por trás da armadura brilhante, havia uma chaga silenciosa: a lepra. Seu maior obstáculo, porém, não era a doença que consumia o seu corpo, mas o orgulho que corroía sua alma.
Quando o profeta Eliseu o orientou a mergulhar sete vezes no rio Jordão, Naamã se sentiu humilhado. Ele julgou que essa atitude seria indigna para alguém da sua posição e queria um ritual complexo, algo que combinasse com a sua importância.
Só que Deus não trabalha no pedestal do homem. Naamã precisou descer (do cavalo, do título, do ego e da altivez) e, quando finalmente mergulhou no Jordão, obedecendo à direção divina, algo extraordinário aconteceu: ele foi curado por fora, mas principalmente por dentro. O milagre mais profundo não foi a restauração da pele, mas a queda do orgulho.
A lição permanece atual: muitas vezes, o maior milagre não é a cura física, emocional ou financeira, mas vencer o orgulho. A vida da pessoa começa a se mover quando ela, finalmente, se rende a Deus.
Consequências desse sentimento:
• A sensibilidade espiritual desaparece;
• Deus parece distante, embora tenha sido a pessoa que se afastou d’Ele;
• Relacionamentos se rompem por pequenas ou grandes razões;
• A mágoa se acumula;
• A vida estagna: nada avança, nada prospera;
• O perdão não flui e a reconciliação se torna impossível;
• O isolamento emocional vira rotina; e
• A justiça própria substitui a humildade diante de Deus.
A mudança: humildade
A Escritura Sagrada é categórica: “… Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tiago 4:6). Em outras palavras, onde o orgulho domina, Deus não encontra espaço para agir.
Mas há outra verdade igualmente poderosa: Deus não resiste a um coração que se humilha. O quebrantamento abre portas que a altivez mantém trancadas e é justamente aí que a mudança real começa.
Reconhecer falhas não é humilhação, é libertação. Quando o orgulho perde espaço, a visão muda. A pessoa passa a enxergar o que antes negava e a admitir o que antes justificava. E, nesse processo, ela finalmente consegue:
• Pedir perdão a quem feriu;
• Perdoar quem a feriu; e
• Perdoar a si mesma, pois deixa de se punir pelo passado.
A verdade é que ninguém perdoa enquanto estiver no pedestal, mas, quando a humildade entra, abre-se espaço para algo maior do que a dor: a cura.
A lógica é clara: quem se humilha diante de Deus encontra a liberdade que o orgulho jamais lhe deu e, dessa forma, sua vida começa a fluir.
O Senhor Jesus resumiu isso em uma sentença que desmonta qualquer narrativa de grandeza humana: “Pois todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado” (Lucas 14:11 – NVI).
A fonte do mal
“O orgulho é a fonte de todos os pecados. Não há pecado ou erro humano que possa ser pior ou mais nocivo. E ele aparece nos lugares mais insuspeitos.
Muitos conhecimentos podem tornar uma pessoa orgulhosa e até a ignorância pode ser a fonte de orgulho para a pessoa. Alguém pode ser orgulhoso de ser orgulhoso e outra pessoa ser orgulhosa de não ser orgulhosa. Enquanto um pode se orgulhar de ser ateu, outro pode se orgulhar de sua devoção a Deus.
Há duas curas para o orgulho: humildade e humilhação. A segunda normalmente surge depois que você se recusa adotar a primeira.
A humildade é uma escolha. Você pode aprendê-la e praticá-la. A humilhação não é uma escolha, mas uma consequência. Ela eventualmente acontece com o orgulhoso como resultado de suas próprias atitudes.”
Bispo Renato Cardoso

O orgulho o deixou à beira da morte
Mesmo com uma carreira admirável, o cirurgião traumatologista Renerson Gomes, de 36 anos, vivia sem alegria, sem paz e não via sentido em nada
Cheguei à Universal com meus pais, quando tinha três anos. Cresci ouvindo a Palavra de Deus, mas, quando entrei na juventude, comecei a acreditar que poderia conquistar tudo sozinho. Passei a confiar demais em mim mesmo. Eu achava que minha inteligência e minha capacidade me bastavam. Eu me convenci de que tinha o controle absoluto da minha vida e foi assim que o orgulho começou a tomar espaço dentro de mim, de maneira lenta, silenciosa e destrutiva.
Com as conquistas que eu obtinha, o orgulho foi se manifestando cada vez mais dentro de mim. Eu passei a acreditar que tudo era mérito meu e que pedir ajuda – inclusive a Deus – era sinal de fraqueza. Aos poucos, deixei de frequentar as reuniões da Universal e ia apenas esporadicamente aos encontros da Prosperidade com Deus (às segundas-feiras) ou em períodos de Fogueira Santa. Eu ofertava, via resultados, avanços e reconhecimento, mas, ainda assim, atribuía tudo isso a mim mesmo.
Uma vida de conquistas, mas também de fingimento
Tive várias conquistas: o casamento, um currículo extenso, o reconhecimento profissional, uma casa, um carro, as clínicas e os funcionários. Isso tudo, porém, era apenas sinal de status. Eu queria mostrar que estava bem, mas não dava atenção à minha família e não havia diálogo no meu casamento. A aparência de sucesso escondia o caos em que eu vivia.
Apesar de tantas conquistas, eu não era feliz. Nada me satisfazia e entrei em depressão profunda. O vazio interior passou a refletir no exterior e engordei 80 quilos. Nas redes sociais, minha vida parecia perfeita, mas era mentira. Eu chorava sozinho, não tinha paz para dormir e me ocupava o tempo todo para tentar abafar a infelicidade.
Cheguei a ponto de comprar um carro apenas para ter um motivo de alegria, apesar de não precisar dele. O descuido com a saúde e o consumo excessivo de álcool me levaram a um infarto. O médico foi claro: se não mudasse, eu morreria.
Busquei os melhores especialistas, mas meu estado piorou e, em janeiro de 2024, perdi os movimentos das pernas. Meu corpo, minha alma e meu espírito estavam doentes.
Naquele mesmo mês, saí de Goiás e fui a São Paulo para participar do maior congresso da minha profissão e planejei a minha morte. No hotel, pedi um quarto no último andar. Contudo, às 2h da manhã, sem conseguir dormir, liguei a TV, comecei a mudar os canais e parei em um programa transmitido do Templo de Salomão.
Veio à minha mente tudo que ouvi na juventude e que havia rejeitado por anos. Decidi voltar depois de nove anos afastado da presença de Deus.
Reconhecimento e recomeço
No dia seguinte, não fui ao congresso, mas ao Templo de Salomão. Ali eu me rendi e pedi a Deus uma chance de recomeçar. Entendi que eu não era nada e que minhas conquistas não significavam nada se eu não tivesse Deus comigo.
Voltei para Goiás, me batizei nas águas e passei a buscar a vontade de Deus todos os dias. Então, recebi o Espírito Santo. Essa foi a maior vitória da minha vida. Nenhum prêmio ou reconhecimento se compara à paz e à alegria que senti naquele momento, pois fui reconhecido por Deus.
O orgulho me levou ao vazio, à solidão e ao sofrimento. Ele também me afastou de Deus, das pessoas e de mim mesmo. Hoje tenho paz, direção e um novo sentido para viver. Os problemas não desapareceram, mas aprendi que a verdadeira força está em depender de Deus.
A resistência e a aproximação
A Bíblia ensina que Deus resiste ao orgulhoso, mas não ao humilde: onde há soberba, há barreira; onde há humildade, há acesso.
Nas relações humanas não é diferente: evitamos quem é orgulhoso, mas basta que alguém se apresente com humildade para que algo mude: a resistência enfraquece, a distância diminui e até conflitos antes intransponíveis são superados, porque o quebrantamento aproxima.
Como abrir mão do orgulho?
A humildade não nasce espontaneamente. Ela é cultivada e começa com atitudes simples:
• Assuma seus erros;
• Ouça mais do que fala;
• Permita que o corrijam;
• Aceite que você não é perfeito;
• Peça perdão com sinceridade e perdoe;
• Pare de competir;
• Reconheça sua dependência de Deus; e
• Peça sempre a ajuda d’Ele.
A pergunta final
Não importa onde você esteja hoje: se está no fundo do poço ou no topo da montanha. Existe uma questão que determina seus próximos passos: para onde o orgulho continua levando você? Se a resposta for ao isolamento, à estagnação, à frieza ou a ter mágoa, é hora de parar e se humilhar diante de Deus.
Sua vida vai começar a fluir quando o orgulho deixar de comandá-la. E a festa que você está perdendo – como aconteceu com o irmão mais velho do filho pródigo – ainda está acontecendo. Se você quiser, ainda dá tempo de entrar.
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*Colaborou: Camila Dantas
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