Pandemia coloca em risco a vida profissional de jovens
A crise causada pelo novo coronavírus prejudicou o emprego e a renda de muitos deles. Descubra como não se abater com a situação e ainda fazer a diferença
Os jovens fazem parte do público mais prejudicado pelos impactos da pandemia na vida profissional. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que um em cada cinco jovens no mundo todo teve que parar de trabalhar por culpa da crise do novo coronavírus.
Entre os que conseguiram se manter empregados, cerca de 23% tiveram a jornada reduzida.
Segundo relatório da OIT, a pandemia está impondo um “choque triplo” aos jovens: além da perda do emprego, ela também está levando à interrupção na educação e colocando obstáculos aos que estão tentando entrar no mercado de trabalho ou trocar de emprego.
Telma Abreu, especialista em gestão de carreira, educação e CEO do Método Pertenser, explica que os jovens historicamente são os mais prejudicados em cenários de crise econômica. “Quando acontece uma crise que gera perda de empregos, a primeira coisa que conta é a experiência de mercado e, no caso dos jovens, ela não é tão sólida. Além disso, há o tempo de casa, que geralmente é menor e a rescisão fica menos onerosa para as empresas. Outro ponto é que muitos jovens atuam em setores que têm flexibilidade de horários, pois eles precisam estudar, e esses setores costumam ser afetados por crises, como turismo, lazer e varejo”, diz.
No Brasil, a taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos ficou em 27,1% no primeiro trimestre de 2020, bem acima da média geral de 12,2% do País no período, segundo dados da Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A especialista afirma que os próximos meses vão exigir esforço e resiliência dos jovens: “com a diminuição no número de vagas, a concorrência vai aumentar e os jovens precisam estar mais capacitados. Neste momento, é importante manter conexões com outros profissionais da área de atuação, conhecer plataformas de recrutamento e continuar os estudos”.
Telma acrescenta que as competências comportamentais serão mais valorizadas. “A capacidade de se adaptar será um diferencial importante, assim como a criatividade e a flexibilidade. Os jovens precisam estar mais abertos para desafios e ter uma visão mais sistêmica, mais ampla”, sugere.
Ela virou o jogo
Anna Diniz, (foto abaixo) de 24 anos, começou 2020 sem renda e sem saber o que fazer. A jovem de Sorocaba, no interior de São Paulo, explica que tinha vendido móveis e equipamentos de seu antigo salão de beleza em dezembro de 2019. “Comecei 2020 sem saber o que aconteceria, mas confiando em Deus”, diz.

Ela conta que ia até a Catedral da Universal que frequenta caminhando, pois não podia gastar dinheiro com o transporte. No trajeto, surgiu uma inspiração. “Como em casa nós já fazíamos doces, eu comecei a preparar trufas e sorvetes para vender na rua. O negócio começou bem, só que veio a pandemia e ninguém mais queria comprar doces na rua”, lembra.
Fé
Anna afirma que ficou preocupada com a chegada do novo coronavírus, pois sabia que seria mais difícil gerar renda e ela não tinha perspectiva de conseguir um emprego. Naquele momento, a jovem recorreu à Fé para aplacar sua angústia. “Eu falei com Deus e pedi para que Ele me mostrasse uma direção, pois eu não aceitava ficar em casa sem fazer nada. Eu tinha juventude e disposição para seguir em frente”, detalha.
Então, ela teve a ideia de produzir ovos de Páscoa e divulgar por meio de aplicativos e redes sociais. “Todo ano minha mãe faz ovos para a família. Aprendi as receitas, procurei informações e fiz alguns ovos. Depois, tirei fotos e enviei aos meus contatos no WhatsApp.”
Anna conseguiu as primeiras encomendas e depois começou a oferecer os produtos em grupos no Facebook. “Muitas pessoas que não me conheciam fizeram encomendas. Passei a pedir 50% do valor antecipado, para garantir que não teria desistência. Começou a dar muito certo.”
Criatividade
Aos poucos, ela foi incluindo mais produtos em sua lista de opções. “Deus foi me dando novas ideias. Peguei encomendas de bolo e no Dia das Mães produzi chocolates e brigadeiros. Trabalho o dia inteiro, às vezes vou dormir de madrugada. Não fico parada!”, diz.
A jovem passou a contar com colaboradores para a entrega dos produtos. “Aqui em Sorocaba tem uma plataforma on-line com 200 entregadores cadastrados. Todo dia um deles retira as encomendas na minha casa e leva para os meus clientes.”
Além do exercício diário da Fé, Anna destaca a importância do apoio que recebeu de outros jovens no grupo Força Jovem Universal (FJU).
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