Pais perdidos, filhos em conflito

São inúmeros os problemas que afastam pais e filhos, mas apenas um caminho proporciona a restauração de um lar dividido

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O desejo de ter uma família está naturalmente presente no ser humano. Mesmo aqueles que passaram por traumas dentro de casa ainda sonham em construir o próprio lar. Muito além de uma convenção social, a família saudável representa apoio, proteção e acolhimento. É nesse ambiente que são aprendidos os primeiros valores, formada a visão de mundo e construídas as bases da própria identidade.

A família é também onde temos o primeiro contato com o amor. Na prática, os familiares são as pessoas que mais amamos e, justamente por isso, também têm o maior poder tanto de nos fazer profundamente felizes quanto de nos entristecer. Afinal, assim como a alegria de um se reflete nos demais, quando alguém enfrenta um problema, toda a família sente as consequências.

A destruição dentro dos lares

Na infância, é mais fácil manter o controle sobre os filhos, mas, com a chegada da adolescência, as referências externas passam a influenciar o comportamento dentro e fora de casa. A dificuldade de pais e filhos em lidar com essas mudanças pode abrir um abismo entre eles, criando um distanciamento silencioso, no qual cada um passa a viver no próprio mundo.

Nesse contexto, as propostas de fora costumam parecer mais atraentes do que a orientação familiar. Muitos pais veem os filhos se tornarem como desconhecidos: não ouvem, não obedecem e não demonstram respeito pelo que lhes foi ensinado. E, na tentativa de impor limites, alguns pais acabam reagindo pela emoção, com palavras duras e atitudes impulsivas.

O resultado é um ciclo de conflitos. De um lado, filhos que se sentem incompreendidos; do outro, pais que se veem frustrados e impotentes. Sem diálogo e sem equilíbrio, o amor que deveria unir acaba sendo sufocado por orgulho e mágoa, formando, assim, feridas profundas dos dois lados.

A dor da culpa

Na dinâmica familiar, os filhos, de certa forma, representam os pais. Por isso, quando se desviam do que aprenderam ao longo da vida e escolhem um caminho errado, a dor que isso provoca no pai e na mãe é profunda. Da mesma forma, é devastador vê-los sofrer com problemas de saúde, depressão, vícios, ansiedade ou tantos outros males presentes no mundo. Surge então uma sensação de impotência: o desejo de ajudar, mas sem encontrar meios para isso.

Diante disso, é inevitável que surja o questionamento: “Onde foi que eu errei?”. Em busca de uma resposta, muitos pais passam a se culpar, revendo decisões antigas: se trabalharam demais, se foram permissivos em alguns momentos ou até se a forma de educar influenciou no desfecho atual.

O que poucos percebem é que essa culpa também é destrutiva e consome aos poucos, deixando os pais exaustos, desorientados e sem saber como agir.

Mudando a perspectiva

Por mais sincero que seja o desejo dos pais de ver os filhos bem, ninguém consegue mudar o outro à força. Quando a tentativa de transformação vem acompanhada de imposições, críticas constantes ou cobranças excessivas, o efeito costuma ser o oposto: resistência e afastamento.

Mudanças verdadeiras não nascem da pressão, mas da perseverança. Elas acontecem por meio do diálogo, do exemplo e do tempo. E, nesse processo, a fé se torna um alicerce indispensável. Quando os pais reconhecem que há situações que fogem do seu controle e entregam seus filhos nas mãos de Deus, encontram força para agir com equilíbrio e sabedoria.

Também é preciso ajustar as próprias perspectivas. Muitas vezes, o olhar fica concentrado no que o filho precisa mudar e se perde de vista a importância de rever as próprias atitudes. Antes de cobrar transformação, é necessário olhar para dentro e avaliar palavras, comportamentos e
posturas dentro de casa.

Quantos pais acabam projetando nos filhos sonhos que eles não conseguiram realizar? Expectativas frustradas, planos que não deram certo, desejos que ficaram no passado. Sem perceber, depositam esse peso sobre quem ainda está construindo a própria história.

Dando ouvidos ao exemplo

“Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo” (Colossenses 3:20-21).

Muitas situações ruins poderiam ser evitadas se os filhos considerassem as palavras daqueles que lhes querem bem. No entanto, muitos preferem ignorar, por isso sofrem as consequências. (…) Os pais recebem do Altíssimo autoridade sobre os filhos, mas devem saber exercê-la com sabedoria e temor.

Trecho retirado do comentário sobre Efésios 6:2-4 na Bíblia com as anotações de fé do Bispo Edir Macedo

Atitudes que afastam seu filho de você:

Ser o crítico de plantão:

Muitos pensam que a crítica constante ajuda a corrigir, mas, ela pode gerar revolta. Na tentativa de afirmar sua identidade, o filho pode reagir contra a orientação recebida. Em vez de criticar, oriente, sem fazê-lo sentir-se inferior.

Falta de interesse:

A negligência emocional (não conhecer os amigos, não participar da rotina, das dificuldades e dos sonhos do filho) faz com que ele busque acolhimento fora de casa. O interesse precisa ser genuíno, para compreender suas ações.

Prender demais ou não o suficiente:

Tanto o excesso de controle quanto a liberdade sem limites afastam. O amadurecimento acontece quando há equilíbrio: diálogo, limites e confiança.

Tentar forçar o filho a ser sua cópia:

Comparar o passado dos pais com as atitudes atuais dos filhos pode gerar frustração e sensação de decepção. Em vez disso, o melhor caminho é ser exemplo, permitindo que o filho se inspire, mas construa a própria identidade.

Quem vai dar o primeiro passo?

Sob a perspectiva espiritual, essa desestruturação não pode ser atribuída apenas a circunstâncias sociais ou escolhas individuais. A Bíblia revela que existe uma luta constante contra a família, instituição criada por Deus. Não é por acaso que tantos lares enfrentam ataques em diferentes áreas: o diabo odeia a família e utiliza diversos meios para tentar enfraquecê-la e destruí-la.

Por isso, muito mais do que força física, a transformação do lar depende de empenho espiritual. E, para isso, basta que alguém dentro de casa decida lutar usando a fé para que as mudanças comecem a acontecer. Muitas vezes, é uma única pessoa que se posiciona espiritualmente e se recusa a aceitar aquela realidade que dá início à transformação.

O entendimento de que Deus projetou a família nos leva a encontrá-Lo como aliado nessa jornada. Porém, para que Ele possa agir em nossa favor, é preciso permitir Sua atuação. E essa permissão nasce da entrega.

Entregar a família a Deus não é desistir dela, mas lutar com as armas da fé: oração, jejum, propósitos e intercessão constante. É uma forma de chamar a atenção do Criador e expressar nossa total dependência d’Ele.

Quando essa entrega é sincera, Deus alcança áreas onde ninguém mais consegue tocar: a alma. Um único toque d’Ele é capaz de curar feridas internas, quebrar vícios, remover angústias e libertar a mente de pensamentos que aprisionam. Assim começa a transformação familiar.

Persevere mesmo na dificuldade

A transformação nem sempre acontece do dia para a noite e, por isso, muitos se preocupam com o “quando” ou “como” ela vai ocorrer. Esses questionamentos revelam a inquietação de quem deseja ver resultados imediatos. No entanto, quando a ansiedade toma o lugar da confiança, ela enfraquece a fé. Por isso, em vez de alimentar o medo do tempo ou a dúvida sobre o processo, cultive a perseverança.

O Senhor Jesus é nosso maior exemplo em todos os aspectos da vida, inclusive no que diz respeito à perseverança e ao amor. Ele veio ao mundo com o propósito de salvar a Humanidade do pecado. Diante de uma missão tão nobre, seria natural imaginar que Ele esperaria honra e reconhecimento. Contudo, aconteceu o oposto: Ele foi rejeitado. Mesmo assim, permaneceu fiel ao plano de Deus e Se entregou em sacrifício por todos, inclusive por aqueles que O desprezaram.

Trazendo esse ensinamento para os dias de hoje, não se deixe enganar pelo que os olhos veem. Persevere, mesmo que esteja difícil, que pareça não estar valendo a pena ou até quando a situação dá sinais de piora. Deus não falha em cumprir Sua promessa, mas, para viver esse cumprimento, é necessário manter a fé em dia, colocar Seus ensinamentos em prática e refletir Seu amor.

Para muitos dentro de casa, o primeiro contato com Jesus acontece por meio desse exemplo (nas atitudes, nas palavras e nas reações). Seja você o instrumento usado por Deus para iniciar a transformação
no seu lar.

Ela lutou pela transformação de vida do filho

Maria José de Jesus usou as armas da fé para alcançar a mudança de Otávio dos Santos

Infância corrompida

Otávio: Até os 11 anos, frequentei a Universal com minha mãe. Eu era obediente e uma criança como qualquer outra, mas comecei a me dedicar a outras coisas, como o futebol, e acabei deixando de ir à igreja. Aos poucos, passei a frequentar bailes e me envolver com meninas, mas tudo piorou quando fiz amizade com alguns rapazes que praticavam roubos.

Escolhas inconsequentes

Vi meus amigos fumando e usando drogas e fiquei curioso. Comecei pelo narguilé, passei para o lança-perfume e bebida, até usar maconha. Eu usava drogas todos os dias: para dormir, para comer e até para acordar. Durante um bom tempo, eu escondi da minha mãe tudo o que eu fazia. Mas, um dia, ela me viu no meio de um grupo que fazia coisas erradas.

Revelação dolorosa

Maria José: Foi muito difícil pra mim ver o Otávio levando uma vida errada, porque não era isso que eu havia ensinado a ele. Em certo momento, pensei que aquilo fosse culpa minha, que eu trabalhava muito e que não estava lhe dando atenção suficiente. Mas rejeitei aquele pensamento e me agarrei à fé, crendo que Deus iria reverter aquela situação.

Vida sem limites

Otávio: Descobrir tudo o que eu fazia trouxe muita dor para a minha mãe. Com o passar do tempo, eu via o olhar dela cada vez mais triste e amargurado. Mesmo assim, eu não tinha limites: cheguei ao ponto de roubar para sustentar o vício. Nessa vida, sofri acidentes de moto, quase fui baleado e, aos 14 anos, fui levado para a delegacia, de onde minha mãe teve de me buscar.

Afastamento familiar

Maria José: Em nenhum momento pensei em abandonar a fé, mesmo quando tudo parecia piorar. Pelo contrário, comecei a fazer propósitos por ele, orar e obedecer a tudo o que vinha do Altar. Muitas vezes, eu saía para ir à igreja exatamente na hora que ele estava chegando da noitada. Ficamos muito distantes. Quando eu o encontrava, ele ficava mais quieto e, se eu perguntasse algo, logo ficava nervoso e mudava de assunto.

Auge da dor

Otávio: Nada mais me satisfazia. Eu sentia uma angústia muito grande e pensava que não havia mais saída para mim. Comecei a me isolar. Foi quando lembrei de quando ia à igreja e das experiências que vivi ali. Fiz uma oração a Deus e decidi voltar sem contar para ninguém. No primeiro dia, recebi paz e resolvi abrir mão dos vícios e das amizades que me faziam mal. Voltei dois dias depois e me batizei nas águas. No domingo seguinte, me arrumei e surpreendi minha mãe dizendo que eu ia à igreja com ela.

Poder restaurador de Deus

Maria José: A transformação do Otávio foi inexplicável. Só tenho a agradecer a Deus por isso. Se antes ele me causava sofrimento, hoje, quando ele chega em casa, traz luz e alegria. Ele é uma bênção e temos respeito, diálogo e um ótimo relacionamento.

Nos braços do Pai

Otávio: A perseverança da minha mãe foi muito importante para a minha mudança, assim como a minha decisão de recomeçar e obedecer. Fui batizado com o Espírito Santo e, desde então, meu foco é levar a Palavra d’Ele a todos. Minha visão e meu comportamento mudaram. Hoje, carrego a paz comigo.

A Família ao Pé da Cruz

Se a sua família tem sido marcada por conflitos e sofrimento, há um lugar onde essa história pode ser transformada: ao pé da cruz. Ali, onde o Senhor Jesus fez a maior demonstração de amor da história, é possível encontrar restauração para seu lar.

Participe do evento Família ao Pé da Cruz, um encontro voltado a pais e filhos que buscam cura e reconciliação. No dia 3 de abril, Sexta-Feira da Paixão, sua família pode começar uma nova história.

Em São Paulo, o evento será no Mercado Livre Arena Pacaembu e na Neo Química Arena, às 10h e às 17h. Também acontecerá na Arena Independência, em Belo Horizonte (MG), às 9h30 e às 17h; no Mangueirão, em Belém (PA), às 10h; e no Centro de Eventos Acrimat, em Cuiabá (MT), às 9h.

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Colaborador

Cinthia Cardoso / Fotos: Demetrio Koch,