Pai pede desculpas por não saber escrever e comove a internet
História ficou conhecida depois que estudante compartilhou o diálogo com o pai nas redes sociais. Na publicação, Micarla lembra que “nem todo mundo tem as mesmas oportunidades”
As pessoas estão acostumadas a analisar e a julgar umas às outras. Cabelo, roupa, comportamento e até grau de escolaridade, tudo passa pela análise cruel de quem procura um motivo para criticar. Os julgamentos estão em conversas entre amigos, no happy hour do trabalho e também na internet. Entretanto, quantas pessoas estão dispostas a apoiar e a oferecer ajuda? Esse foi um dos questionamentos feitos por uma jovem brasileira no Facebook, no mês passado.
A estudante de Serviço Social Micarla Lins, de 21 anos, publicou um texto em que relembra uma conversa com o pai e critica quem debocha de pessoas que não sabem ler nem escrever.
Na publicação, o pai pede desculpas por não saber escrever e diz que ama a filha verdadeiramente. A jovem, então, responde: “Eu amo você. E você não precisa saber escrever pra eu te amar”. A postagem comoveu internautas de todo o Brasil e teve mais de 300 mil curtidas e 45 mil compartilhamentos.
Ajude, em vez de criticar
No texto, Micarla lembra que seu pai não teve as mesmas oportunidades que ela, que é aluna na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A jovem destaca que “saber escrever direito não é inteligência, é privilégio” e sugere que as pessoas troquem as piadas por uma postura mais gentil. “Quantas vezes você já se dispôs a ler para alguém? Quantas vezes você já se ofereceu para ensinar alguém a escrever?”, questiona no texto.
Compaixão
Hoje, 27% dos brasileiros não sabem ler nem escrever, segundo levantamento feito pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com o Ibope. O número indica que o direito à educação ainda não está garantido a todos os brasileiros, apesar dos avanços nos últimos anos.
Em vez de se irritar com erros de gramática e vocabulário nas redes sociais, os críticos da internet poderiam cobrar de seus governos melhorias no sistema de ensino. Outra postura gentil seria se imaginar no lugar do outro, para compreender realidades diferentes. Essa atitude pode resolver grande parte dos problemas provocados pelo preconceito e pela falta de compaixão.
Por isso, antes de emitir palavras de desprezo e sarcasmo, cada ser humano precisa pensar no impacto causado pelo que diz. Será que nossas palavras ajudam a resolver problemas ou criam distúrbios ainda maiores? É possível fazer mais do que apenas julgar. Como sugere o post de Micarla, cada pessoa pode contribuir na construção de um mundo melhor. Faça a sua parte também. Depois, compartilhe a sua opinião em nossas redes sociais ou escreva um e-mail para redacao@sp.universal.org.br contando como foi sua experiência.
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