Outubro Rosa: quando o câncer também afeta as emoções

Além dos impactos físicos, o diagnóstico e o tratamento podem provocar medo, ansiedade e insegurança; acolhimento e apoio também fazem parte do cuidado

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O Outubro Rosa reforça a importância da prevenção e da detecção precoce do câncer de mama. No entanto, os desafios relacionados à doença podem ir além das questões físicas. O diagnóstico, o tratamento e as mudanças na rotina também podem provocar medo, ansiedade e insegurança e afetar o bem-estar emocional das pacientes.

Uma dor que nem sempre é visível

O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, depois dos tumores de pele não melanoma, e também a principal causa de morte por câncer na população feminina. Para cada ano do triênio 2026-2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos da doença no Brasil.

Em 2023, foram registrados 20.165 óbitos por câncer de mama feminina no País.

Além dos desafios físicos, o câncer de mama também pode afetar a saúde emocional. A incerteza diante do diagnóstico, as etapas do tratamento, as alterações na imagem corporal e o medo da recorrência estão entre os fatores associados ao sofrimento psicológico.

Dados sobre ansiedade e depressão

Uma revisão sistemática publicada em 2026 na revista European Psychiatry, da Cambridge University Press, encontrou prevalência de ansiedade entre 28% e 45% e de depressão entre 22% e 33% nos estudos analisados com pacientes com câncer de mama. O sofrimento psicológico apareceu com maior frequência durante o diagnóstico e o tratamento ativo, especialmente a quimioterapia.

Diante desse cenário, observar a saúde emocional também se torna importante durante o tratamento. Além do acompanhamento da equipe de saúde, o acolhimento e o apoio de familiares e amigos podem ajudar a paciente a atravessar esse período.

A importância de acolher

Para o Pastor Fredson Oliveira Carvalho, responsável pelo grupo Depressão Tem Cura (DTC), é fundamental enxergar a pessoa além da doença.

“Quem enfrenta o câncer não lida apenas com os desafios físicos, mas também com medos, inseguranças e incertezas. Por isso, é importante considerar suas emoções e necessidades espirituais”, afirma.

Segundo o Pastor, algumas pessoas podem esconder o que sentem para não preocupar os familiares. “Há uma pressão para que sejam fortes o tempo todo, mas sentir medo ou tristeza não é sinal de fraqueza. Todos precisam de espaço para expressar seus sentimentos e receber acolhimento.”

O susto que começou com um exame de rotina

A microempreendedora Vânia Penido Silva Alves de Macedo, de 51 anos, (Foto acima) descobriu, durante um exame de rotina em 2018, um câncer na mama esquerda.

Após passar por uma mastectomia, Vânia iniciou o tratamento com quimioterapia. “Perdi os cabelos, emagreci bastante e precisei parar de trabalhar. Foi um período muito difícil”, relembra.

Ela conta que encontrou na fé forças para atravessar esse período. Em 2022, após novos exames, recebeu dos médicos a informação de que não havia mais sinais da doença. “Hoje estou bem, sem sequelas e mais forte. Minha mensagem para quem enfrenta essa situação é que mantenha a esperança e confie em Deus”, relata.

“Estou aqui com você”

Familiares e amigos também desempenham um papel importante durante o tratamento. Segundo o Pastor Fredson, uma das formas de acolher é oferecer espaço para que a pessoa fale sobre o que sente sem julgamentos.

O Pastor também ressalta que o sofrimento emocional nem sempre é perceptível. “Muitas pessoas seguem sorrindo e trabalhando, mesmo enfrentando uma luta interna. Por isso, é importante observar sinais como isolamento, tristeza persistente e desânimo, além de oferecer um espaço seguro para o diálogo.”

Evite comparações

O Pastor também alerta para comentários que, embora bem-intencionados, podem aumentar o sofrimento de quem enfrenta a doença.

“Dizer que a pessoa precisa ter mais fé ou que outros sofreram mais pode aumentar a culpa e a solidão. A fé deve acolher, nunca cobrar.”

Ele destaca ainda que algumas pessoas podem se afastar durante o tratamento. “Muitas pessoas se isolam por cansaço ou para evitar preocupar a família. Por isso, é importante manter o contato, demonstrar presença, apoio e respeitar os limites de cada um”.

Fé como fonte de apoio

Diante das incertezas do diagnóstico, o Pastor destaca a fé como fonte de força e esperança.

“A oração, a confiança em Deus e o apoio espiritual ajudam a enfrentar cada etapa do tratamento. A fé não elimina o medo, mas oferece suporte para atravessá-lo, caminhando lado a lado com os cuidados médicos e psicológicos.”

Ele também destacou o trabalho desenvolvido pelo Depressão Tem Cura (DTC), que oferece acolhimento e apoio espiritual e promove ações de conscientização sobre a saúde emocional.

Neste Outubro Rosa, o Pastor deixa uma mensagem às mulheres que enfrentam a doença:

“Preserve a esperança, respeite o seu tempo e lembre-se de que sua vida vai muito além do diagnóstico.”

Ele reforça ainda que o apoio emocional e espiritual não substitui o acompanhamento médico ou psicológico, mas pode fazer parte da rede de suporte durante o tratamento.

Escutar também é cuidar

O Depressão Tem Cura (DTC) desenvolve ações de acolhimento e apoio espiritual para pessoas que enfrentam momentos difíceis. Para conhecer o trabalho do grupo ou buscar mais informações, entre em contato pelo WhatsApp: (11) 3573-3662.

Escutar também é cuidar. Acolher também é cuidar. Dar atenção à saúde emocional é parte do cuidado com a vida.

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Autor

Michele Lima/ Fotos: iStock - Imagem gerada por IA - cedidas